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Médicos de SC emitiram alerta antes da crise nas UTIs: “Não tem onde botar as crianças”

Em maio, sindicato divulgou nota questionando ações para ampliação de leitos neonatais

15/06/2022 - 14h56

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Catarina
Por Catarina Duarte
Menina de dois meses morreu enquanto aguardava leto na UTI, diz família
Menina de dois meses morreu enquanto aguardava leto na UTI, diz família
(Foto: )

A crise das UTIs em Santa Catarina vive seu momento de ápice após a morte de uma criança de dois meses em um hospital de Florianópolis. Em maio, temendo que o cenário chegasse a essa condição extrema, o Sindicato dos Médicos do Estado já alertava sobre a carência de vagas naquele mês: “Precisamos aguardar que algo mais grave aconteça?”

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“O risco de falta de atendimento adequado aos pequenos pacientes está cada vez mais alto. A Secretaria da Saúde e outras autoridades constituídas sabem dos problemas, mas até agora não encontraram a solução”, disse o Simesc em 23 de maio.

A morte da menina ocorreu no último sábado (11) no Hospital Joana de Gusmão. Conforme o colunista do NSC Total, Raphael Faraco, a criança foi diagnosticada com bronquiolite e aguardava por um leito de UTI. Sem o leito, ela foi atendida na emergência da unidade onde teve quatro paradas cardíacas. Em entrevista ao Diário Catarinense, Samara Ester dos Santos, mãe da pequena, também afirmou a indisponibilidade de vagas.

Em entrevista à CBN Floripa na terça-feira (14), o secretário-adjunto de Saúde de Santa Catarina, Alexandre Fagundes, negou que a criança tenha morrido por falta de assistência. A Secretaria de Estado da Saúde (SES) também emitiu nota descartando que o óbito tenha relação com a falta de UTI.

“Não temos onde botar as crianças”

Um dos diretores do Simesc o pediatra Kempes Spencer avalia que a falta de leitos pediátricos e neonatais se dá por um conjunto de fatores como falta de condições de trabalho adequadas.

Ele destaca que é preciso reabrir a emergência pediátrica do Hospital Regional de São José (fechada desde fevereiro do ano passado), que serviria de retaguarda para os atendimentos no Hospital Joana de Gusmão.

— Lá [no Regional] nós chegamos a fazer 5 mil atendimentos por mês. Imagina todos esses atendimentos agora tem que ir para o Hospital Infantil. A emergência do Joana de Gusmão é uma zona de guerra. Temos muita gente esperando por atendimento — afirma.

Kempes diz que na época do fechamento da emergência o governo prometeu que seria algo temporário, mas o local segue sem atendimento às crianças. Ele destaca ainda que a região da Grande Florianópolis carece de pediatras para o atendimento nas unidades de saúde.

— Nós estamos com muito atendimento pediátrico, tanto pela sazonalidade das doenças respiratórias e a gente não tem mais onde colocar essas crianças nem para o pronto atendimento, nem para a internação — comenta.

Questionada, a SES informou que trabalha para reabrir a emergência pediátrica do Regional no segundo semestre deste ano. Para isso, segundo a pasta, é preciso transferir a UTI localizada na emergência para reabrir a área. 

"Atualmente, as crianças são atendidas na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de São José, que fica a menos de 2 quilômetros do hospital. Além disso, desde 25 de março, o Hospital Florianópolis retomou o serviço de emergência pediátrica auxiliando no atendimento da região continental de Florianópolis", disse a SES em nota.

O Simesc articulou junto a parlamentares a discussão do tema na Assembleia Legislativa. Uma audiência pública foi marcada para o dia 21 de junho para debater a falta de leitos de UTIs pediátricas.

Nesta quarta-feira (15), nove crianças aguardam transferência para leitos de UTI. Há fila também para pacientes adultos: cinco estão na fila. Pela primeira vez nesta semana, não foi registrada falta de leitos neonatais para suprir a demanda por atendimentos.

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