Redução de distanciamento, frio e acidentes: como Florianópolis chegou a 85% de ocupação dos leitos de UTI

Redução do isolamento durante avanço da covid-19, período de mais doenças respiratórias e aumento de acidentes de trânsito explicam alta nas internações em terapia intensiva

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Ocupação de leitos de UTI chegou a 85% nesta segunda-feira em Florianópolis (Foto: Arquivo NSC)

O aumento da taxa de ocupação de leitos de UTI em hospitais de Santa Catarina elevou também a preocupação dos catarinenses com o avanço do novo coronavírus no Estado. Em Florianópolis, este índice chegou a 84% no domingo, e segue aumentando.

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Na tarde desta segunda-feira (29), o número já estava em 85,96%. Eram apenas 32 leitos disponíveis, entre os 235 existentes na cidade, todos do Sistema Único de Saúde (SUS), segundo o Covidômetro, da prefeitura de Florianópolis. Desse total, 170 leitos estavam ocupados por pacientes e 31, indisponíveis, por estarem desativados, reservados ou em higienização.

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Dos 170 pacientes em UTI, 10 são moradores de Florianópolis com diagnóstico positivo para covid-19, mas há ainda pacientes de outras cidades da região internados por coronavírus, em quantidade que nem prefeitura, nem Estado souberam informar até a noite desta segunda-feira. O município também não informou quantos pacientes estão internados por outras enfermidades.

A situação motivou uma reunião nesta segunda entre a Associação Catarinense de Medicina (ACM), os secretários de saúde do Estado e do município e diretores de hospitais da Grande Florianópolis. O encontro debateu possíveis alternativas como a abertura de novas vagas e o tratamento precoce, com acompanhamento de pacientes com casos mais leves em casa para “liberar” leitos de internação aos pacientes mais críticos.

O momento atual é bem diferente de praticamente um mês atrás. No início de junho, Florianópolis completava 33 dias sem mortes por coronavírus, fato que levou a capital catarinense a ganhar destaque nacional no combate à Covid-19.

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Confira abaixo alguns fatores que causaram a escalada de internações em UTIs em SC nas últimas semanas:

Redução do isolamento

O secretário de Saúde de Florianópolis, Carlos Alberto Justo da Silva, afirma que um dos motivos do aumento de ocupação de UTI é o comportamento de duas semanas atrás, quando houve forte diminuição do isolamento social na cidade. No fim de semana passado, praias e locais de lazer registraram ampla movimentação de pessoas, e na última semana a prefeitura decretou novas medidas restritivas como o fechamento de bares e restaurantes para atendimento presencial à noite e aos fins de semana.

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Na última semana, quando anunciou novas medidas restritivas, o prefeito Gean Loureiro afirmou que a medida ocorria porque as cidades da região registravam aumento na taxa de transmissão da covid-19.

Aumento de casos de Influeza e SRAG

Outra razão que explica o aumento nas internações em UTIs são os atendimentos por gripe, causada por vírus do tipo Influenza, e por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Segundo o presidente da Associação Catarinenses de Medicina (ACM), Ademar José de Oliveira Paes Jr., explica que historicamente essa época do ano é quando os hospitais de SC mais recebem procura de pacientes com essas doenças. Segundo ele, pacientes com esses quadros também podem estar tendo uma sobreposição com infecção por covid-19, elevando a procura por atendimento.

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– Estamos entrando nas semanas que têm pico de Síndrome Respiratória Aguda, um período que costuma durar mais cinco ou seis semanas – alerta o médico.

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Mais acidentes de trânsito

O secretário de Saúde de Florianópolis, Carlos Alberto Justo da Silva, também aponta que nos hospitais com pronto-atendimento da Grande Florianópolis houve atendimento de vítimas de acidentes de trânsito.

– Os acidentes levam a internações e a uma necessidade de UTI durante um longo período de tempo – afirma o secretário.

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O presidente da ACM complementa que esse aumento de acidentes também é reflexo da maior circulação de pessoas nas ruas, em um momento que deveria ser de isolamento.

– Se as pessoas começam a sair, viajar, passear, aumenta o número de acidentes, muitos deles casos graves, envolvendo motos, já que os serviços de entrega continuam funcionando. São acidente que também disputam leitos de internação e UTI – pontua.

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Dados do Estado mostram “folga” maior de vagas nas regiões

Apesar da preocupação com a alta da ocupação na Capital, dados do governo do Estado divulgados nesta segunda-feira (29) mostravam um cenário com uma “folga” maior na taxa de ocupação dos hospitais nas regiões.

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Na região da Grande Florianópolis, que considera também leitos de hospitais de São José, o boletim diário do governo do Estado desta segunda-feira apontava ocupação de 62,03%. A taxa é menor do que a ocupação somente do município, de 85%, divulgada ao longo do dia pela prefeitura.

Sobre essa divergência, a prefeitura informou que isso ocorre porque o sistema do governo do Estado considera "livres" os leitos em higienização, desativados ou reservados pelo sistema, enquanto o município considera leitos vagos somente os que efetivamente estão disponíveis para internação imediata.

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Assim, o Estado consideraria haver 90 leitos livres na Grande Florianópolis, enquanto o município informava ter 32 vagas de UTI disponíveis no município nesta segunda-feira.

Segundo o boletim do Estado, eram 47 pacientes internados em UTI por covid-19 e 100 por outras enfermidades, de um total de 237 leitos disponíveis na região da Grande Florianópolis.

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Sul tem maior taxa de ocupação, segundo o Estado

Na divisão por macrorregião de saúde, a região Sul é a que tem maior ocupação, com 76,71% de leitos de UTI destinados a pacientes internados. No Planalto Norte e Nordeste, a taxa é de 70,34%. A média geral no Estado nesta segunda-feira era de 65,96% de ocupação dos leitos de UTI.