Empresários e OAB entram na briga contra aumento “surpresa” da tarifa do esgoto em Blumenau

Carta assinada por cinco entidades foi entregue ao prefeito Egidio Ferrari nesta quarta-feira (7)

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Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) localizada no bairro Fortaleza (Foto: BRK, Divulgação)

Empresários, advogados e a maçonaria de Blumenau entraram na discussão sobre o aumento “surpresa” na tarifa de esgoto da cidade. Em uma carta assinada por presidentes de cinco entidades, direcionada ao prefeito Egidio Ferrari (PL), eles pedem que o aumento seja suspenso e também outras ações relacionadas ao serviço.

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No começo de março a população foi informada que haveria um reajuste de 5,2% na tarifa, baseado na inflação acumulada no último ano. Poucas semanas depois, ainda em março, um termo aditivo foi publicado no Diário Oficial do Município autorizando também um incremento de 10,72%. Ou seja, o aumento a partir deste mês foi de quase 16%.

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A notícia, publicada em primeira mão pelo NSC Total, ganhou repercussão e a OAB fez um parecer técnico em que pede a revisão tarifária extraordinária do contrato de concessão de esgotamento sanitário de Blumenau. “Não é possível realizar uma avaliação técnica aprofundada sobre o percentual de reequilíbrio aprovado (10,72%), tendo em vista a complexidade dos cálculos, a metodologia de fluxo de caixa marginal utilizada e a ausência de auditoria externa ou planilhas detalhadas publicadas pela Agir”, diz um dos trechos do documento.

Diante do descontentamento pelo aumento, os rumos que o serviço tem tomado e com base neste texto, as entidades de Blumenau enviaram a carta ao prefeito na quarta-feira (7). Antes disso, ocorreu uma conversa dos empresários com o diretor da Agir, a agência que autorizou o aumento. Nela, Paulo Costa explicou que o reajuste aplicado foi dividido em dois – 5,2% referente à inflação e 10,72% considerando um desequilíbrio financeiro do contrato.

Não foi suficiente.

As entidades pedem explicações não só sobre a falta de detalhes nas questões do aumento de 10,72%, como destacam o que consideram um retrocesso no que vai ser oferecido aos moradores até 2065, que é o prazo final de concessão: “Somente 60% do esgoto da cidade será efetivamente coletado, in natura, e tratado em estações de tratamento apropriadas (a conferir ainda). Os outros 40% volta ao sistema fossa/filtro, sendo coletados por caminhões. E, a partir de agora, esses serviços de limpeza e transporte deverão ser contratados, obrigatoriamente, da BRK. Por que essa “reserva de mercado”, se não há tratamento?”, questionam as entidades em tom crítico.

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Por fim, os representantes pedem ao prefeito que haja a suspensão imediata dos efeitos da revisão tarifária extraordinária (de 10,72%) até que haja revisão do Plano Municipal de Saneamento, adequação da legislação local e realização de consulta pública ampla. O documento também solicita:

  • A abertura de diálogo institucional com as entidades representativas da sociedade civil e do setor produtivo, a fim de discutir os rumos da concessão e a viabilidade do modelo adotado;
  • O encaminhamento formal do tema ao Conselho Municipal de Saneamento Básico, com reativação efetiva de suas funções deliberativas e fiscalizadoras;
  • A constituição de grupo técnico e institucional, com participação do município, Samae, da Agir, da OAB, de entidades empresariais e da sociedade civil, com objetivo de reavaliar as cláusulas contratuais e construir soluções sustentáveis e juridicamente seguras para a política de saneamento de Blumenau.

Leia a carta na íntegra, assinada pela Associação Empresarial de Blumenau (Acib), Associação de Micro e Pequenas Empresas de Blumenau (Ampe), Câmara de Dirigentes Lojistas de Blumenau (CDL), Ordem dos Advogados do Brasil em Blumenau (OAB) e Sociedade Maçônica Regional (Somar).

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O serviço de esgoto em Blumenau

Em 2023, vale lembrar, reportagem do NSC Total mostrou que Blumenau “devia” esgoto para 83 mil pessoas e estava com as obras atrasadas. À época, a concessionária não soube explicar o porquê dos atrasos e disse que isso ocorreria por conta de imprevistos que refletem no cronograma. No mesmo mês, a BRK chegou a ser chamada pelos vereadores para prestar esclarecimentos. Com isso, a cidade chegou até a cair no ranking de saneamento.

O que diz o prefeito

Procurada, a assessoria da prefeitura de Blumenau disse que recebeu a carta nesta quinta-feira (8) e vai analisá-la antes de se manifestar oficialmente.

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O que diz a BRK

A empresa responsável pelo serviço na cidade disse que tem um “compromisso com a transparência” e está à “disposição para apresentar todas as informações necessárias sobre o processo de reequilíbrio do Contrato de Concessão que ampliará os serviços prestados para que a cidade de Blumenau possa cumprir as metas do Novo Marco do Saneamento”.

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