Fossas individuais se tornam plano B de Blumenau para universalizar cobertura de esgoto

Contrato entre Samae e BRK está em fase de revisão e pode sofrer alteração para município dar conta de alcançar a meta de universalização do saneamento básico definida para 2033

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Cronograma de implantação da rede coletora está atrasado em Blumenau (Foto: Patrick Rodrigues, Santa)

O sistema de fossa individual pode ser a saída para Blumenau alcançar a meta de universalização do tratamento de esgoto. Conforme prevê o Marco do Saneamento, dentro de uma década, 90% da população precisa ser atendida com o serviço. Isso significa que o município tem até 2033 para avançar 43% na taxa de cobertura — hoje estimada em 47%.

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As chamadas fossas sépticas são obrigatórias por lei onde não há rede coletiva, mas muitas casas não as têm. Além disso, o percentual de cobertura de tratamento de esgoto leva em conta apenas a rede instalada pela BRK. Se o sistema individual passar a ser considerado, ele se torna uma alternativa, por exemplo, para as áreas mais afastadas da cidade.

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É o caso de regiões como a Vila Itoupava, onde a colocação de rede coletora pode se tornar cara por causa das longas distâncias e baixa densidade populacional para interligação ao sistema.

O uso da fossa e filtro é defendido pela Agência Intermunicipal de Regulação do Médio Vale do Itajaí (Agir), responsável pela revisão do contrato entre Samae e BRK, que está em andamento e deve ser finalizada no começo de 2024. A expectativa é por um aditivo prevendo um novo cronograma de obras — pois o atual está atrasado — e incluindo os sistemas individuais de tratamento de esgoto.  

“Para cumprir as exigências do novo marco regulatório do saneamento, estamos estudando alternativas, como o uso de fossa e filtro. Uma possibilidade em análise é atender 80% das áreas por meio de redes convencionais e 20% por meio de sistemas alternativos nas áreas de concessão”, informou o Samae em nota à reportagem.

Em 2021, quando o Santa mostrou que 8 a cada 10 pontos de coleta de águas analisados no Rio Itajaí-Açu estavam poluídos, o engenheiro Sanitário e Ambiental Vinicius Ternero Ragghianti citou que muitos países aceitam o tratamento individual de esgoto como parte do sistema de saneamento básico. Na análise do especialista, o modelo é eficaz, mas exige manutenção periódica.

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A prefeitura de Blumenau sabe disso. Tanto que explica que a combinação de fossa e filtro funciona como um reservatório individual que coleta e condiciona os resíduos, mas depois precisa de uma destinação final. A solução estudada pelo município para garantir essa periodicidade de limpeza do sistema está nas mãos da própria concessionária.

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“A BRK Ambiental será responsável pela limpeza periódica das fossas e filtros. Quanto aos custos, haverá, mas eles serão definidos nas revisões tarifárias”, completa o Samae.

Quando a BRK chegou em Blumenau, em 2009, a cidade tinha apenas 4,8% de cobertura de rede esgoto. Nos últimos 14 anos, o percentual saltou para 47%. Entretanto, o cronograma em vigor, deveria estar em 77%. Isso significa que 83 mil pessoas deixaram de ser beneficiadas pelo serviço nos últimos anos por causa de atrasos nas obras.

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Conforme os prazos estipulados no início da concessão, Blumenau chegaria a 90% de cobertura daqui a cinco anos, em 2028. Os números mostram ainda que será preciso avançar 43% em 10 anos com a rede convencional para atingir a meta de 90% prevista no Marco do Saneamento Básico se os sistemas alternativos não passarem a contar na taxa de cobertura.

Mas quem fará a instalação das fossas?

O Código de Edificações de Blumenau determina que quando não há rede coletiva de esgoto, o próprio morador precisa fazer a implantação de fossa e filtro, bem como dar a devida manutenção.

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Em março desse ano, o Ministério Público cobrou da prefeitura sobre uma denúncia de esgoto a céu aberto na Rua Pedro Ramos, no bairro Nova Esperança, e o município notificou os moradores a instalar fossa e filtro até que o sistema da BRK chegue à comunidade, o que está previsto para ocorrer em 2027.

O custo para instalação de fossa e filtro é de aproximadamente R$ 1 mil. Conforme a Agir, a prefeitura poderia arcar com os custos da implantação em áreas de baixa renda.

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