Jovem de 23 anos é a primeira vítima de varíola dos macacos em SC: “Era a melhor pessoa”

Benny, como era carinhosamente chamado pelos familiares e amigos, amava cantar e produzia vídeos para o Instagram

Compartilhe:
Benicio Torero primeira morte por MonkeyPox em SC

(Foto: Arquivo Pessoal)

Benício Torero, 23 anos, morreu nesta terça-feira (29), vítima da varíola do macaco, após passar dois meses internado no Hospital Nereu Ramos, em Florianópolis. O jovem foi o primeiro caso de morte pela doença registrado no Estado. A cerimônia de despedida está sendo realizada nesta quarta-feira (30), no Crematório Vaticano, em Balneário Camboriú, onde ele morava.

Continua após a publicidade

Saiba como receber notícias do NSC Total no WhatsApp

Benny, como era carinhosamente chamado pelos familiares e amigos, amava cantar e produzia alguns vídeos para o Instagram. Em um deles, publicado em março deste ano, ele fez um cover da música Tua, de Liniker. Na legenda ele conta que era “irônico” a primeira música a ser publicada falar de amor, já que ele estava fazendo aulas de música há seis meses e teve um “encontro com a voz e o amor por cantar”. Através dessa produções nas redes sociais, o jovem tentava ser influenciador digital.

Continua após a publicidade

Lidiane Inek, 25 anos, amiga de Benny há sete anos, conta que ele “queria muito ser famoso”. Ela também comenta que Benny era muito “alegre, engraçado e queria todo mundo rindo” e diz que “era a melhor pessoa”. Lidiane conta que até mesmo no velório, em Balneário Camboriú, muitas pessoas estavam rindo lembrando de histórias com o amigo.

Varíola dos macacos: saiba os sintomas e como é a transmissão

Benício começou a sentir dores no corpo, febre e a não conseguir dormir em setembro e procurou um hospital em Balneário Camboriú. Segundo Lidiane, o diagnóstico de varíola dos macacos demorou para ser constatado. Quando as medicações para amenizar a dor não faziam mais efeito, Benício foi encaminhado ao Hospital Nereu Ramos, em Florianópolis, onde permaneceu dois meses.

Durante o período de descoberta da doença, “Benny” compartilhou em redes sociais momento preconceituoso que viveu por ser da comunidade LGBT. Ele contou que quando foi até o hospital para ser atendido falaram que poderia ser sífilis ou HIV, sem pedir os exames necessários. No texto, afirma que se sentiu “humilhado e discriminado” e que, apesar da MonkeyPox poder ser transmitida por meio da relação sexual, não era o caso dele.

Continua após a publicidade

Na mesma rede social, nove dias antes da data de internação no hospital da Capital, em 29 de setembro, Benny compartilhou mensagem sobre o que estava passando: “estar com MonkeyPox é a pior coisa que já passei na vida”.

Covid, varíola dos macacos e mais: por que estamos registrando “boom” de doenças?

Continua após a publicidade

Em nota divulgada nesta quarta-feira, a Secretaria de Estado da Saúde confirmou a primeira morte por varíola de macacos em Santa Catarina. No atestado de óbito de Benício consta morte por “infecção na corrente sanguínea e MonkeyPox”. De acordo com a Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (Dive/SC) o paciente apresentava imunodepressão, o que agravou o quadro da doença. A Dive também afirma que, durante a internação, ele foi submetido ao uso do antiviral tecovirima, usado no tratamento da varíola.

Veja vídeo de Benny cantando “Tua” – Liniker

Leia também:

Unidades Básicas de Saúde de Tubarão fecham devido à forte chuva

Continua após a publicidade

Joinville inicia campanha de doações para famílias atingidas por alagamentos

Ponte cede e desaba sobre rio entre Schroeder e Jaraguá do Sul; veja vídeo