Observação de pássaros cresce em SC e conquista público em busca de conexão com a natureza

Prática vem crescendo com a criação de grupos, clubes e eventos de avistamento

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Observação de pássaros cresce em SC e conquista público em busca de conexão com a natureza

Santa Catarina tem 701 espécies de aves, o que corresponde a 35% do total do país (Foto: Lucas Amorelli, DC)

A observação de pássaros requer atenção e paciência. Geralmente, começa nas primeiras horas da manhã, perto de árvores em uma área de mata. Os observadores usam comida ou sons para atrair os animais, e depois aguardam a aproximação deles, com binóculos e câmeras fotográficas a postos. O exercício dura horas, mas compensa: cada vez mais, o avistamento dos animais vem ganhando adeptos em Santa Catarina.

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A observação de aves é comum em outros países, principalmente nos Estados Unidos, e vem crescendo ano a ano no Brasil, com a criação de grupos, clubes e eventos de avistamento. Nos últimos 12 anos, o número de observadores no país quintuplicou: foi de 10 mil em 2012 para quase 50 mil em 2024, segundo os registros na plataforma WikiAves.

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Chamada no Brasil de “passarinhada”, a atividade tem vários benefícios. Além de promover o encontro entre entusiastas de aves, ajuda a reduzir o estresse, promove a conexão com a natureza e contribui para a conservação das espécies. E qualquer pessoa pode participar. Não é necessário ser especialista nem possuir equipamentos.

Em Santa Catarina, são 3,2 mil observadores registrados, o quinto maior número do país, depois de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. O Estado vem se destacando: em maio, ficou em terceiro lugar entre as unidades da federação na quantidade de espécies avistadas durante o Global Big Day, evento que ocorreu simultaneamente em vários países.

— Temos 701 espécies registradas no Estado. No Brasil, temos 1.971, de acordo com o Comitê Brasileiro de Registros Ornitologicos. Isso faz com que Santa Catarina tenha 35,5% das espécies do país. É uma boa representatividade — afirma Guilherme Brito, professor no Departamento de Ecologia e Zoologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

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De acordo com o pesquisador, o aumento do interesse por pássaros tem a ver com a profusão de literatura especializada, sites e plataformas voltadas à observação, como o WikiAves e eBird. Nas redes sociais, há um mundo à parte dedicado a aves, que favorece a conexão e a troca de experiências entre observadores.

— Nos últimos anos houve uma explosão de interessados em observar pássaros e em Santa Catarina não é diferente. A atividade vem se tornando cada vez mais popular — resume o professor.

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Um mundo à parte

O instrutor de treinamento Guilherme Thielen, de 33 anos, descobriu o mundo dos pássaros durante a pandemia. Ele começou a registrar aves que apareciam no quintal da casa dele no bairro Monte Verde, em Florianópolis, usando uma câmera de segunda mão. A paixão logo evoluiu. Hoje, ele atua como guia de avistamentos.

— Eu tinha um bebedouro lá em casa, e vi um passarinho azul turquesa muito bonito, que era o Saí Azul. E aí eu tirei uma foto dele e fiquei assim: “nossa, nunca tinha visto esse passarinho por aqui, o que tem mais aqui em volta do bairro?”. Aí andei e vi que tinham mais ou menos 50 espécies. E assim comecei a passarinhar — conta.

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Na internet, ele encontrou uma comunidade engajada. Criou o canal no YouTube O Cidadão Cientista, e começou a compartilhar seus achados no Instagram. Paralelamente, fez cada vez mais saídas em busca de aves. Do bairro, Guilherme passou a observar aves na cidade e depois no Estado.

— Até o momento, já avistei 506 aves. Somente em Santa Catarina, são 469 — diz ele, que criou recentemente o Clube de Observação de Aves (COA) Meiembipe, em Florianópolis, junto com Fernando Farias, também guia de observação.

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Passarinhando

Para quem quer iniciar na observação de pássaros, uma dica é participar de encontros guiados de avistamento. O Vem Passarinhar, por exemplo, é gratuito e ocorre mensalmente em Florianópolis e no Parque Nacional das Araucárias, no Oeste de Santa Catarina. O projeto é organizado pelo grupo Silvestres SC, do Instituto Fauna Brasil, e reúne um público variado, que vai de crianças a idosos.

— É uma galera bem engajada, pessoas que gostam desse meio e estão ali pelo mesmo objetivo. É o registro, o contato, a diversão também, mas de uma forma muito íntima com a natureza. A gente escuta mais do que observa — diz Edna Hawerroth, responsável pela organização do Vem Passarinhar Floripa.

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O Vem Passarinhar foi criado em agosto de 2023 e vem reunindo cada vez mais pessoas. Em média, participam 30 observadores a cada encontro. Não é necessário nenhum equipamento, mas o instituto recomenda que as pessoas levem câmera ou binóculo, repelente, protetor solar e capa de chuva, além de água e lanche.

— Observar a fauna na natureza promove não só o bem-estar físico, mas principalmente o mental. Inúmeros estudos comprovam os benefícios de estar em meio à natureza, de se conectar e entender parte deste ambiente. As pessoas também fazem novas amizades e conexões com outras pessoas. — menciona Vanessa Kanaan, diretora do Silvestres SC e presidente do Instituto Fauna Brasil.

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Um dos intuitos da atividade é promover a ciência cidadã — que significa a participação ativa da população em processos científicos. As listas de avistamentos enviadas pelos observadores, por exemplo, auxiliam estudos sobre distribuição geográfica das espécies e migração. Também contribuem com dados para a preservação e conservação de aves.

— Além de você estar ali conhecendo as aves à sua volta, você acaba preservando elas, conhecendo e educando. O que me motiva é fazer as pessoas conhecerem a diversidade de aves ao nosso redor — ilustra Edna.

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Conheça algumas espécies de SC

Diversidade de aves

Santa Catarina é um estado privilegiado para a observação de aves. A diversidade inclui espécies marinhas e costeiras, de Mata Atlântica, de campos de altitude e de áreas alagáveis.

— Muitas espécies são dependentes de habitats específicos, então a diversidade num local é proporcional à variedade de ambientes. Santa Catarina é um estado com elementos interessantes nesse sentido — diz Guilherme Brito, professor da UFSC.

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Entre as espécies mais emblemáticas de Santa Catarina estão a Maria-catarinense, que vive entre as florestas do Sul do Paraná ao Norte catarinense. Outra é o Papagaio-charão, cujas revoadas reúnem cerca de 20 mil indivíduos na Serra, em busca de pinhão, seu principal alimento. Outro famoso é o Aracuã-escamoso, conhecido como “despertador de manezinhos”.

— O Aracuã-escamoso ocorre no Sul do Brasil, em Santa Catarina, Rio Grande do Sul e parte do Paraná, mas aqui em Floripa temos a grande oportunidade de ver esse bicho em parques urbanos com bastante facilidade. Aposto que muito manezinho já acordou com o som deles ou ouviu nos finais de tarde — diverte-se o guia Guilherme Thielen.

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Os locais de observação mais conhecidos no Estado incluem Joinville, perto do Rio do Júlio e em manguezais ricos em espécies como o Guará, e Florianópolis, onde é fácil avistar o Aracuã. Também é possível visitar unidades de conservação administradas pelo Instituto do Meio Ambiente (IMA), como o das Araucárias, Acaraí, Fritz Plaumann, Rio Canoas, da Serra do Tabuleiro e da Serra Furada.

— Dependendo do que se quer observar, há locais específicos, como a Serra Catarinense para aves de campo de altitude, ou os mangues de Joinville para aves aquáticas — destaca Thielen.

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