Saiba quem deve receber os bens da campanha “Ame Jonatas” após determinação da Justiça

Pais da criança foram condenados por usar parte do montante arrecadado na campanha “AME Jonatas” para compra de serviços e bens de uso pessoal

Compartilhe:

Os pais no início da campanha, em 2017 (Foto: Salmo Duarte, Agencia RBS)

Os bens arrecadados por Renato e Aline Openkoski durante a campanha “Ame Jonatas” serão leiloados e doados, conforme determinação da Justiça. Uma criança e uma entidade da região de Joinville foram as beneficiadas com a decisão. 

Continua após a publicidade

O repasse dos bens ocorre depois que os pais de Jonatas foram condenados por usar parte do montante arrecadado na campanha “AME Jonatas”,  que beneficiaria o filho deles, para compra de serviços e bens de uso pessoal, que em nada se relacionavam ao tratamento médico.

Para divisão dos bens, o Tribunal de Justiça os classificou em três categorias de destinação. A primeira diz respeito aos objetos de uso pessoal, como roupas, brinquedos e eletrônicos. Os produtos deverão ser leiloados, se houver valor econômico, ou, em não sendo possível a realização do leilão, doados para entidades beneficentes do município de Joinville.

Continua após a publicidade

Fotos do caso “AME Jonatas” em Joinville

“Bens de alto valor financeiro ou social, como, por exemplo, as camisetas e instrumentos musicais fornecidos à campanha por atletas e artistas famosos, deverão obrigatoriamente ser repassados para outras campanhas públicas assistenciais, atingindo, assim, a finalidade originária dos doadores”, diz a determinação.

A criança escolhida foi a pequena Maria Amélia, de 3 anos, moradora de Araquari. Com apenas 24 semanas, ela foi diagnosticada com mielomeningocele, uma doença que atinge a espinha bídida. As vértebras da coluna não se fecham por completo e medula, raízes nervosas e meninge se projetam para fora, formando uma bolsa nas costas do bebê. Segundo informações do Hospital Santa Joana, crianças com a doença costumam ter dificuldade no desenvolvimento motor e neurológico.

Por fim, o veículo apreendido deverá ser enviado para venda antecipada , seja por meio de leilão ou venda direta. O valor arrecadado posteriormente deve ser doado à gestão da Organização Social Hospital Nossa Senhora das Graças, ou seja, o Hospital Infantil Dr. Jeser Amarante Faria.

Por que campanha solidária foi parar na Justiça?

​O filho do casal tinha AME de tipo 1, o mais grave dentro do quadro da doença. Em março de 2017, os pais dele iniciaram a campanha nos moldes de várias outras que começaram no país desde que o medicamento Spinraza foi lançado, no fim de 2016.

Continua após a publicidade

Campanha AME Jonatas: Juíza proíbe pais de receberem doações em contas particulares

Com custo inicial de R$ 3 milhões, entre aquisição das primeiras doses e importação, o tratamento era considerado inovador por retardar os efeitos da síndrome. Durante a mobilização, o casal chegou a arrecadar mais de R$ 4 milhões, conforme a Justiça Federal.

Continua após a publicidade

Juiz reconheceu compra de bens de uso pessoal

Em sentença, o magistrado afirmou que os réus “utilizaram parte do montante arrecadado para compra de serviços e bens de uso pessoal, que em nada se relacionavam ao tratamento médio do infante”.

Segundo os autos, o casal administrava também uma rede de venda de camisetas vinculada a campanha, cujo lucro deveria ser revertido em prol da vítima. No entanto, mesmo que o dinheiro fosse usado para o menino, não justificaria o padrão de vida que a família levava, de acordo com o juiz.

Continua após a publicidade

— É de se observar, pelo relato da própria ré, que o faturamento da referida empresa não ultrapassou a quantia global de R$ 30 mil, tendo em vista que pouco tempo “durou no mercado”, distanciando-se, em muito, dos gastos efetuados pelos réus se formos levar em consideração somente os fatos narrados aqui no processo — afirmou.

As sentenças dadas em 2024 somavam 60 anos de prisão para o casal. Sendo 22 anos para Aline e 38 para Renato. O filho do casal foi diagnosticado com Atrofia Muscular Espinhal (AME) em 2017, quando os pais deram início a uma campanha chamada “AME Jonatas” para arrecadação de recursos para o tratamento da criança. O menino morreu aos 5 anos, em janeiro de 2022, após uma parada cardiorrespiratória.

Continua após a publicidade

Leia também

Doença que deixa crianças com “bochecha esbofeteada” leva cidade de SC a emitir alerta

Continua após a publicidade

Com frio congelante, termômetros marcam -2ºC no Norte de SC

Sobrevivente de tragédia com balão em Praia Grande lamenta morte dos pais: “Só tinha vocês”