Inflação do verão: preços de passagens, água de coco e chope sobem até 94% em SC

Itens e serviços da temporada tiveram alta expressiva no último ano, segundo Índice de Custo de Vida de Florianópolis

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Preço da água de côco subiu 11,8% em 2022

Preço da água de côco subiu 11,8% em 2022 (Foto: Tiago Ghizoni, DC)

A inflação que assombrou os brasileiros o ano todo não dá trégua nem na época de curtir as férias durante a estação mais quente. Embora o Índice de Custo de Vida (ICV) de Florianópolis, calculado pela Udesc/Esag, tenha fechado o ano com alta de 4,61%, alguns itens e serviços típicos do verão tiveram aumento bem mais expressivo. É o caso das passagens aéreas que acumularam inflação de 94,46% em 2022. (veja lista abaixo)

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De acordo com a Associação Brasileira de Empresas Aéreas (Abear), dois motivos contribuíram para esse aumento expressivo: a alta no preço do querosene de aviação (QAV) — que subiu 49,6% em 2022, segundo a Petrobras — e a volatilidade da cotação do dólar.

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“O preço de uma passagem aérea tem relação direta com os custos das companhias, que por sua vez são impactados por fatores externos. Um desses fatores é a cotação do dólar em relação ao real, já que cerca de 60% dos custos de uma empresa aérea são dolarizados. Isso pressiona itens como o QAV (que representa em torno de 40% dos custos), manutenção e arrendamento de aeronaves”, disse a Abear em nota.

Veja inflação de 10 itens e serviços do verão em SC

  • Passagem aérea: 94,46%
  • Táxi: 31,21%
  • Pacotes turísticos: 24,16%
  • Produtos para pele (protetor solar, cremes, etc): 23,48%
  • Chope: 14,97%
  • Pedágio: 14,63%
  • Água de coco: 11,88%
  • Ônibus interestadual e intermunicipal: 11,79%
  • Sorvete: 8,25%
  • Maiô e biquíni: – 33,07%

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Passar o dia na praia ficou mais caro

Além de pagar mais caro pelo transporte para deslocamento (ônibus, táxi, combustível e pedágio aumentaram de preço), o veranista também precisa desembolsar mais dinheiro para consumir bebidas e alimentos na praia. A água de coco, por exemplo, acumulou inflação de 11,88% em Santa Catarina em 2022, segundo dados da Udesc/Esag.

A reportagem do Diário Catarinense pesquisou o preço da bebida em algumas praias do Norte de Florianópolis e identificou uma variação de R$ 12 a R$ 15.

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Turista de Joaçaba, no Meio-Oeste Catarinense, Roberta Bissani escolheu a praia de Canasvieiras para passar o dia com os dois filhos. Ela relata que notou o aumento do preço:

— Eu achei mais caro, tanto a água de coco, quanto os picolés. Com duas crianças, a gente acaba gastando mais na praia.

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Para curtir o dia na praia sem gastar tanto, muitas pessoas optam por levar o seu isopor com comidas e bebidas neste verão, o que tem influenciado nas vendas dos ambulantes. Edivaldo de Jesus Santos disse à reportagem que as vendas de milho estão mais fracas do que na temporada passada:

— Tem mais gente nesse ano, mas eles estão mais devagar para comprar.

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O paulista André Hernandes, que há seis anos trabalha como vendedor ambulante de bebidas em Canasvieiras, tem a mesma queixa:

— Essa é a pior temporada de todos os tempos.

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Alta demanda influencia preços

Além da alta nos custos de produção de diversos produtos, o aumento mais expressivo em itens sazonais do verão, como a água de coco e o chope, ocorre porque existe uma alta demanda neste período, explica o economista Jamis Piazza.

Em contrapartida, os trajes de banho (maiôs e biquínis) tiveram deflação de 33,07% em 2022. Isso é resultado de uma diminuição da demanda, que já foi observada nos anos anteriores. Em 2019, antes dos efeitos da pandemia, o item fechou o ano com queda de 26,50%. Houve deflação em 2020 e 2021 de 11,86% e 29,90%, respectivamente.

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— Nós temos uma cidade em Santa Catarina, Ilhota, que é grande fabricante de biquinis. Muitas pessoas hoje, fora a classe de alto poder aquisitivo, estão buscando essas alternativas. Um produto de boa qualidade, com preço mais acessível. Como diminui a demandas em outras lojas, há uma tendência de queda de preço — explica o economista Jamis Piazza.

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Como ficará a inflação em 2023?

O ano de 2022 foi marcado por alguns choques de ofertas, como a guerra da Rússia e Ucrânia, que elevaram os preços de insumos básicos, destaca o economista Alisson Fiuza. No caso de passagens áreas e táxi, o preço foi afetado pelos combustíveis. Já o chope ficou mais caro devido ao aumento no preço de cereais, como cevada e malte, ingredientes que são importados. Para 2023, entretanto, a expectativa é de que os preços não subam tanto.

— A expectativa de 2023 é de uma inflação mais estável e possivelmente em valores menores dos que os apresentados em 2022 para esses itens, visto que os efeitos dos choques de ofertas foram dissipados durante o ano passado. Além disso, a taxa de juros elevadas, e o orçamento familiar reduzido por conta do endividamento e a inadimplência em alta no eEstado, tende a reduzir a demanda por serviços — destaca o economista Alison Fiuza.

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