Preço dos alimentos em SC faz ressurgir “era dos folhetos” e até revezamento de mercados

Consumidores apelam a ofertas recebidas no celular ou anúncios de promoções para driblar inflação e manter nível de consumo

Compartilhe:
Pesquisa de preços, mudança na rotina e até adesão a folhetos de supermercados pelo celular ajudam na busca para fugir da alta dos preços (Fotos: Patrick Rodrigues, NSC Total)

Aumento no preço dos alimentos tem forçado os consumidores a adaptações e mudanças de hábitos (Foto: Patrick Rodrigues, NSC Total)

O aumento no preço dos alimentos tem forçado os consumidores a adaptações e mudanças de hábitos na hora de ir ao supermercado. Nessa quarta-feira (12), o IBGE divulgou a inflação de fevereiro, que subiu 1,31% em apenas um mês e alcançou o maior patamar para o mês desde 2003, segundo a série histórica do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Continua após a publicidade

Clique aqui para receber as notícias do NSC Total pelo Canal do WhatsApp

Nos dados de fevereiro, serviços como energia elétrica tiveram a maior influência nos preços. A inflação de alimentos em domicílio, que havia experimentado alta nos últimos meses meses, desta vez registrou elevação de 0,79%

Continua após a publicidade

Nos supermercados, a sensação de alta nos preços já vem sendo uma constante nas últimas semanas. Itens como carne bovina, ovos e café têm sido pivô de queixas de consumidores e críticas no campo político. Como se tratam de itens difíceis de substituir ou abrir mão, muitos consumidores têm apostado em mais estratégias de pesquisa para continuar consumindo esses produtos a preços menos alarmantes.

Na semana passada, o governo federal anunciou medidas como corte de impostos federais sobre alimentos da cesta básica, na intenção de reduzir os preços nos supermercados, um dos principais motivos das críticas e da queda na popularidade da gestão federal.

Pesquisa aponta de quanto foi a alta dos ovos e do café em Joinville

Enquanto as medidas e os indicadores não dão sinais de queda, os consumidores se viram como podem. A servidora aposentada Rose Seibt conta que já percebeu a alta em itens como os ovos.

Continua após a publicidade

— A gente vai se adaptando, não faz mais crepioca, faz só a tapioca, sem o ovo — brinca.

Veja fotos sobre a alta nos preços em SC

Na semana passada, quando encontrou uma promoção de picanha, a servidora já garantiu a compra para o churrasco do fim de semana.

Continua após a publicidade

— No dia a dia, a gente busca uma coisa ou outra, mas procura ir em redes grandes e monitorar os dias de promoções — afirma.

Com um número maior de supermercados à disposição, a pesquisa entre promoções ao longo da semana tornou-se uma prática comum de quem busca escapar dos preços mais altos. Para isso, até mesmo a tecnologia pode ajudar.

Continua após a publicidade

Promoções e folhetos por celular

O corretor de imóveis Jean Fernando Klock conta que recebe por aplicativos ou mensagens no celular folhetos e promoções de alguns supermercados. A partir disso, ele monitora promoções interessantes de itens que consome.

— Sou corretor de imóveis e circulo bastante pela cidade, então a gente já se organiza e quando está passando próximo a um supermercado que está com algum item mais barato, já passa lá e pega. Semana passada, por exemplo, o café estava de R$ 25 por R$ 19, já aproveitamos e levamos uns três — ilustra.

Continua após a publicidade

O olho vivo nos folhetos e anúncios de promoções de diferentes supermercados também é estratégia adotada pela psicóloga Jaqueline Brenner. Ela conta que voltou de uma viagem de 40 dias à Europa e se assustou com os preços quando chegou de volta ao Brasil.

— Achei que lá estava caro, por ser em euro, mas quando cheguei levei um susto com os preços, vi que aqui também estava — conta.

Continua após a publicidade

Ela afirma que passou a ir ao supermercado a cada semana, em vez de fazer compras maiores por mês, e que está mais atenta a ofertas e até a feiras de rua, onde frutas e verduras costumam ter preços mais em conta.

— A gente pesquisa mais a diferença. Pega encartes, olha as promoções, vai em cooperativas. Outra coisa que aumentou é a feira, que na rua sai muito mais barato — afirma.

Continua após a publicidade

Os motivos da alta nos preços

Os motivos que levam à recente inflação de alimentos no país são variados. Em produtos como o café, por exemplo, a principal justificativa do setor produtivo é a safra menor em razão de questões climáticas, tanto nos estados brasileiros que produzem o grão quanto em países como o Vietnã, que é o segundo maior exportador de café no mundo e teve redução de 17% no cultivo.

No entanto, outras questões também entram na equação. O economista e professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Lauro Mattei, explica que a alta do dólar registrada desde o fim do ano passado interfere aumentando o nível de exportações dos produtores brasileiros. Isso faz com que os preços no mercado doméstico sofram mais a influência do dólar, e das flutuações que a moeda norte-americana vem sofrendo, o que impacta nos preços.

Continua após a publicidade

Na avaliação do professor, essa transmissão dos preços internacionais para o mercado doméstico, desencadeada pelas estratégias de produtores que vendem para o mercado internacional, impactaram mais nos preços do país nos últimos meses do que eventuais questões climáticas.

Para além disso, há outras questões domésticas que também produzem efeitos nos preços dos supermercados.

Continua após a publicidade

“Aqui diversos fatores podem estar interconectados. Do ponto de vista da oferta (produção primária), nota-se que ocorreu uma elevação dos preços dos insumos, especialmente dos adubos químicos e dos agrotóxicos, que são importados em dólar. Como essa moeda se valorizou frente ao Real, ocorreram aumentos dos custos de produção”, explica o professor, acrescentando também questões como o preço dos combustíveis, que reflete no custo do frete das mercadorias, e a elevação da taxa de juros, que torna mais caro o acesso ao crédito para o setor produtivo.

Os campeões da alta de alimentos

Veja os alimentos que mais tiveram alta em 2025, segundo o IPCA

Continua após a publicidade
  • Pepino: +44,21% no acumulado de 2025
  • Cenoura: +33,79% no acumulado de 2025
  • Abobrinha: +27,44% no acumulado de 2025
  • Tomate: +24,76% no acumulado de 2025
  • Açaí (emulsão): +20,90% no acumulado de 2025
  • Café moído: +20,25% no acumulado de 2025
  • Coentro: +17,95% no acumulado de 2025
  • Melancia: +16,47% no acumulado de 2025
  • Ovo de galinha: +16,41% no acumulado de 2025
  • Couve-flor: +14,41% no acumulado de 2025

* Variação acumulada de janeiro de fevereiro de 2025 | Fonte: Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IPCA)

Leia também

Receita Federal anuncia prazo e regras para Imposto de Renda 2025

Continua após a publicidade

Aumento no número de deputados pode mexer em vagas de SC na Câmara; veja o que pode mudar

FGTS “fora de época” deve destinar R$ 550 milhões a trabalhadores de SC