D’Andre Jermaine Grayson, missionário norte-americano que matou o filho de três anos por não lhe dar “bom dia”, foi impedido de comparecer ao velório do menino por “riscos de segurança”. A defesa chegou a pedir a liberação da prisão para participar da cerimônia, mas o pedido foi negado pela Justiça.
— Não decorre de um juízo definitivo de culpabilidade, mas das circunstâncias objetivamente verificadas, dentre elas a admissão da prática dos fatos pelo investigado perante a autoridade policial e os riscos concretos que sua condução ao sepultamento representa à sua própria integridade física, à segurança dos agentes encarregados da escolta e dos demais participantes da cerimônia fúnebre — disse o juiz na decisão.
Os advogados afirmaram que “respeitam e compreendem os fundamentos utilizados pelo Magistrado”. A mãe da criança, Mayanna Rodgers, que também foi presa por suspeita de omissão e de possível participação nas agressões, recebeu autorização para sair da Penitenciária de Guaíba e participar da cerimônia.
O sepultamento acontece nesta quarta-feira (22), às 14h, no Cemitério Nossa Senhora da Conceição, em Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. O velório ocorre duas semanas após a morte da criança. O menino foi espancado pelo pai no dia 5 de julho e teve a morte confirmada três dias depois.
Veja fotos da família do menino morto por não dar “bom dia” ao pai
Velório social
A cerimônia foi organizada pela prefeitura de Viamão, já que a família se enquadra em critérios de vulnerabilidade para o chamado “velório social”.
A família veio dos Estados Unidos há cerca de nove anos. Em Viamão, a Polícia Civil do Rio Grande do Sul afirmou que o casal e os filhos passavam por uma situação de vulnerabilidade e contavam com doações e ajuda de pessoas da comunidade religiosa.
Irmãos do menino estão em acolhimento institucional
Os filhos do casal foram encaminhados para acolhimento institucional por determinação do Conselho Tutelar. O homem confessou que deu socos no tórax e no abdômen do filho de 3 anos porque o menino não lhe deu “bom dia”.
Segundo informações do g1, ele também bateu a cabeça do menino contra o chão na casa onde a família morava, em Viamão. Em janeiro deste ano, o menino também teria quebrado o braço, com a justificativa de que a criança teria se machucado no sofá da casa.
Além disso, o filho mais velho do casal, de 9 anos, também foi levado a um centro de saúde com um ferimento no rosto, segundo o prefeito de Viamão, Rafael Bortoletti (PSDB).
Ao todo, 11 pessoas já foram ouvidas durante a investigação, que deve ser concluída em agosto.



