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A alegria nos souks de Dubai

Uma imersão em áreas tradicionais de comércio árabe traz lições imprevisíveis

16/10/2021 - 06h34

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Por Tech SC
Dubai
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(Foto: )

* Lucas Gnigler, especial para o Diário Catarinense

Fui até uma área tradicional de Dubai onde fica o souk (feira, mercado) do ouro. As joias são vendidas por peso - e o preço da joia é o seu peso multiplicado pela cotação do ouro no dia. 

Mas vou falar sobre outras partes do comércio local, outros souks. Uma mistura de aromas e sabores que impressionam até os mais sensorialmente indiferentes. Tudo é novo para o olfato e você entende na hora que está bem longe de casa.

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Quero relatar aqui a experiência de compra. Uma amiga minha que mora em Dubai alertou: prepare-se para ser abordado por uma multidão de vendedores. Não deu outra: desci do metrô, atravessei a ponte da amizade e me senti no nosso Paraguai, em Ciudad del Leste.

Não existe etiqueta de preço no souk. O vendedor vai perceber que você é turista e chutar um número. E, então, começa a diversão. Falo em diversão porque, diferente do Paraguai, as negociações (pelo menos todas as minhas) ocorreram em um clima alegre, de brincadeiras e exageros constantes.

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Um exemplo: eu coleciono pedras, e eu gostei de uma chamada "tiger eye". O vendedor olhou para este turista e pediu 85 dirhams, em torno de R$ 130. Eu falei que era um absurdo. Ele baixou para R$ 70. Eu falei que no Brasil eu encontro pedras nos rios com o meu sobrinho. Baixou a R$ 50. Eu agradeci e disse que não iria comprar. Ele pediu quanto eu queria pagar. Eu falei R$ 20. Ele disse que não seria possível. 

Eu dei tchau (tudo isso de forma muito amistosa). Ele foi comigo até a porta, mas me trouxe de volta. E eu comprei a pedra por R$ 20. É o mesmo preço que você vai pagar por uma pedra bonita na feirinha da Lagoa da Conceição, em Florianópolis, mas com menos poder de barganha.

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Mas não é apenas a negociação. No nível empresarial também senti em Dubai um espírito semelhante, o qual eu venho tentando colocar em palavras. É como se apresentar, vender e comprar fosse algo nosso, instintivo, natural - mas que pode estar escondido, adormecido. Talvez você escondeu, usando a desculpa de que não leva jeito para vendedor. Ou talvez seja trauma de uma experiência antiga no Paraguai. Quem sabe uma imersão num souk da vida pode ajudar.

No próximo texto falo mais sobre fome, olhando para a influência do ambiente de negócios.

* Lucas Gnigler é sócio da 8R Negócios.

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