nsc
dc

The New York Times

A corrida por uma vacina contra o coronavírus

As vacinas requerem anos de pesquisa e de testes, mas os cientistas estão correndo para produzir uma segura e eficaz até o próximo ano

15/10/2020 - 18h15

Compartilhe

Por The New York Times
Dez vacinas estão em fase 3 de teste
Dez vacinas estão em fase 3 de teste
(Foto: )

*Carl Zimmer

Dez vacinas contra o coronavírus estão agora na fase três de testes. Os cientistas aplicaram cada uma delas em milhares de pessoas e estão esperando para ver quantas foram infectadas, em comparação com os voluntários que receberam um placebo. Esses ensaios podem não apenas mostrar que as vacinas protegem contra o coronavírus, mas também que são seguras. A Bacillus Calmette-Guerin, vacina originalmente criada para a tuberculose, também está na fase três de testes para que seja verificado se ela também protege contra a Covid-19.

> Testes da vacina contra coronavírus têm data definida em Santa Catarina

A Moderna Therapeutics desenvolve vacinas baseadas em RNA mensageiro para a produção de proteínas virais no corpo. Nenhuma delas ainda foi lançada no mercado. Em parceria com o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos, a Moderna passou sua vacina contra o coronavírus para a fase três de testes, inscrevendo 30 mil pessoas saudáveis no país. O laboratório espera obter resultados no fim de 2020 ou no início de 2021.

A empresa alemã BioNTech está colaborando com a Pfizer e com a farmacêutica chinesa Fosun Pharma para desenvolver uma vacina de RNA. Uma versão produziu significativamente menos efeitos colaterais, como febre e fadiga, portanto a escolheram para passar aos testes de fase dois e três, com 30 mil voluntários, nos Estados Unidos e em outros países. Em 12 de setembro, a Pfizer e a BioNTech anunciaram que buscariam expandir seus testes nos EUA para 43 mil participantes. Em setembro, o executivo-chefe da Pfizer disse que a empresa saberá se a vacina funcionará já neste mês. Se esta for aprovada, a Pfizer espera fabricar mais de 1,3 bilhão de doses em todo o mundo até o fim de 2021.

Já a empresa chinesa CanSino Biologics desenvolveu uma versão baseada em um adenovírus chamado Ad5, em parceria com a Academia de Ciências Médicas Militares da China. Em julho, elas relataram que seus testes de fase dois demonstraram que a vacina produziu uma forte resposta imunológica. Em um movimento sem precedentes, os militares chineses aprovaram a vacina em 25 de junho, por um ano, como um "medicamento especialmente necessário". A CanSino não informou se a vacinação seria obrigatória ou opcional para os soldados. A partir de agosto, começou a realizar testes de fase três em vários países, incluindo a Arábia Saudita, o Paquistão e a Rússia.

> Estudo da UFSC diz que vacina já existente pode reduzir risco da Covid-19

O Instituto de Pesquisa Gamaleya, que faz parte do Ministério da Saúde da Rússia, está testando uma vacina chamada Gam-Covid-Vac. É uma combinação de dois adenovírus, Ad5 e Ad26, desenvolvidos com um gene do coronavírus. Em 11 de agosto, o presidente Vladimir Putin anunciou que uma entidade russa reguladora de saúde havia aprovado a vacina, rebatizada de Sputnik V, antes mesmo que os testes de fase três tivessem começado. Especialistas consideraram a decisão arriscada, e posteriormente a Rússia informou que a aprovação dependeria dos resultados positivos dos testes de fase três, que foram ampliados para 40 mil voluntários. Em quatro de setembro, os pesquisadores do Gamaleya publicaram os resultados de seu ensaio de fase 1/2. Em um pequeno estudo, descobriram que a Sputnik produzia anticorpos para o coronavírus e efeitos colaterais leves.

Há uma década, pesquisadores do Beth Israel Deaconess Medical Center, em Boston, desenvolveram um método para fazer vacinas com Ad26, abreviação de adenovírus 26. A Johnson & Johnson desenvolveu vacinas contra o vírus ebola e outras doenças com Ad26 e, agora, fez uma para o coronavírus. A vacina forneceu proteção em experimentos com macacos. Em setembro, a Johnson & Johnson iniciou um teste de fase três com até 60 mil participantes. Enquanto todas as outras vacinas contra o coronavírus nos estudos de fase três são fornecidas em duas doses, a Johnson & Johnson está administrando apenas uma dose. A empresa tem como meta a produção de pelo menos 1 bilhão de doses em 2021.

Uma versão da AstraZeneca e da Universidade de Oxford é baseada em um adenovírus de chimpanzé chamado ChAdOx1. Um ensaio de fase 1/2 não detectou nenhum efeito colateral grave, e os testes de fase 2/3 da vacina começaram na Inglaterra e na Índia, bem como ensaios de fase três no Brasil, na África do Sul e nos Estados Unidos. Em seis de setembro, a AstraZeneca interrompeu os testes globais para investigar um voluntário, que desenvolveu uma forma de inflamação chamada mielite transversa. Uma semana depois, os testes foram reiniciados. Por enquanto, porém, os Estados Unidos continuam mantendo a suspensão das pesquisas, enquanto a FDA (agência norte-americana responsável pelo controle de alimentos e medicamentos) investiga o caso.

> Santa Catarina irá participar do estudo com a vacina da Johnson & Johnson contra o coronavírus

A Novavax, sediada em Maryland, fabrica vacinas por meio da colagem de proteínas em partículas microscópicas. Ela obteve vacinas para várias doenças diferentes dessa maneira; os testes de fase três de sua vacina contra a gripe foram concluídos em março. A empresa testou uma contra o coronavírus em macacos antes de passar para os testes de segurança em humanos. Em setembro, a Novavax abriu um ensaio de fase três, envolvendo até dez mil voluntários na Grã-Bretanha. Este pode gerar resultados no início de 2021. Um estudo maior, de fase três, está em desenvolvimento para ser apresentado nos EUA este mês. Se os testes forem bem-sucedidos, a Novavax espera entregar cem milhões de doses para uso no país até o primeiro trimestre de 2021.

A estatal chinesa Sinopharm está desenvolvendo duas vacinas, uma com o Instituto de Produtos Biológicos de Wuhan e outra com o Instituto de Produtos Biológicos de Pequim. Ambas estão agora em testes de fase três nos Emirados Árabes Unidos, no Peru, no Marrocos e na Argentina. Em 14 de setembro, os Emirados Árabes Unidos aprovaram em caráter emergencial o uso das vacinas da Sinopharm em profissionais de saúde.

> População de SP será uma das primeiras do mundo a ser vacinada contra a Covid-19, diz Doria

A empresa privada chinesa Sinovac Biotech está testando uma vacina inativada, chamada CoronaVac. Os ensaios de fase 1/2 em 743 voluntários não encontraram efeitos adversos graves e produziram uma resposta imunológica. Em julho, a Sinovac iniciou um teste de fase três no Brasil, seguido por outros na Indonésia e na Turquia. Em 16 de setembro, registrou um ensaio de fase 1/2 da vacina em crianças. A agência de notícias Reuters relatou que o governo chinês deu à vacina Sinovac uma aprovação de emergência para uso limitado em julho. Enquanto isso, a empresa chegou a um acordo para fornecer à Indonésia pelo menos 40 milhões de doses até março de 2021. Em setembro, o presidente da Sinovac disse que a empresa está planejando a distribuição mundial da vacina no início de 2021 – incluindo os Estados Unidos.

Colunistas