Após a repercussão de imagens que supostamente mostram uma onça-pintada na região de Marechal Bormann, em Chapecó, a possibilidade da presença do animal no Oeste de Santa Catarina é vista como improvável por especialistas.

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O biólogo Jackson Preuss explica que a onça-pintada é um animal de topo de cadeia alimentar, que necessita de grandes áreas preservadas para sobreviver. A espécie percorre longas distâncias e depende de uma oferta significativa de presas de médio e grande porte, como porcos-do-mato, veados e outros animais silvestres.

Segundo ele, a situação da espécie no Brasil é delicada, especialmente no bioma da Mata Atlântica, onde as populações são pequenas e fragmentadas. Estima-se que existam menos de 300 indivíduos vivendo em liberdade nesse bioma.

Em Santa Catarina, os registros são ainda mais escassos. De acordo com o biólogo, não há confirmações recentes da presença da espécie no estado há décadas. Registros históricos por meio de fotografias remontam ao século passado, e ocorrências mais recentes se limitam a vestígios raros, como pegadas, principalmente na região Norte, próxima à divisa com o Paraná.

— É um animal extremamente ameaçado na região Sul e considerado criticamente em risco de extinção em Santa Catarina — destaca.

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Apesar de não descartar totalmente a possibilidade, já que o Estado faz parte da área de distribuição natural da espécie, o especialista avalia que o cenário atual não favorece a presença do animal na região de Chapecó.

— Pelas características da espécie e pelos estudos atuais, nada indica que tenhamos onças-pintadas nessa região. São animais que dependem de grandes áreas naturais e de uma quantidade significativa de alimento, o que não condiz com a realidade próxima ao local onde as imagens teriam sido registradas — explica.

O biólogo também ressalta que estudos recentes, incluindo publicações científicas, não apontam evidências concretas da ocupação atual da espécie em Santa Catarina.

Polícia investiga possível aparecimento

Em nota oficial, a Polícia Militar Ambiental informou que está analisando a veracidade das imagens em conjunto com outros profissionais. Até o momento, no entanto, não há registros oficiais de relatos feitos por moradores da região, nem confirmação por parte da pessoa responsável pela realização da imagem.

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Ainda em nota, a corporação informou que segue acompanhando a situação e que novas atualizações serão divulgadas assim que houver confirmação de informações mais concretas sobre o caso.

Onça-pintada tem mordida mais forte entre todos os felinos do mundo

A onça-pintada (Panthera onca) é o maior felino das Américas e a terceira maior espécie de felino do planeta. O animal possui pelagem dourada com manchas escuras em forma de rosetas. A espécie controla populações de presas e mantém a saúde dos habitats onde está presente.

Características físicas

A estrutura física da onça-pintada é robusta e musculosa. O corpo é projetado para força e resistência. Alguns indivíduos podem pesar mais de 100 quilos e chegar a 2,5 metros de comprimento, incluindo a cauda.

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A mordida da onça-pintada é considerada a mais forte entre todos os felinos em relação ao tamanho do corpo. A força permite atravessar cascos de tartarugas, ossos de grandes presas e carapaças resistentes. O felino abate vítimas com mordida direta no crânio, perfurando o cérebro. Esse método difere de outros felinos que matam presas com mordidas na garganta.

Padrão de manchas

Cada indivíduo possui padrão exclusivo de manchas em forma de rosetas. Esse padrão funciona como “impressão digital natural”. Pesquisadores utilizam esse detalhe para monitorar animais por meio de fotografias e câmeras de armadilha, sem necessidade de captura.

As manchas ajudam na camuflagem durante a caça, fazendo com que o felino se misture ao ambiente.

Comportamento territorial

A onça-pintada possui hábitos solitários, p0referindo caçar e se deslocar sozinho. Cada indivíduo possui território que pode alcançar centenas de quilômetros quadrados. Essa extensão territorial varia conforme a quantidade de presas disponíveis no ambiente.

Para marcar territórios, utiliza urina, arranhões em árvores e rugidos potentes que ecoam por longas distâncias. Esta territorialidade reduz disputas diretas, já que outros indivíduos reconhecem os sinais e evitam invasões.

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