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    Abertura do Canal do Linguado em São Francisco do Sul gera preocupação com impactos ambientais

    São 84 anos desde o aterramento e também são fortes os indícios das consequências ambientais para a região no período

    29/06/2019 - 12h05

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    Luan
    Por Luan Martendal
    Quando a maré está baixa é possível ver os sedimentos acumulados ao longo dos anos
    Quando a maré está baixa é possível ver os sedimentos acumulados ao longo dos anos
    (Foto: )

    Com o avanço das discussões sobre o andamento da duplicação da BR-280, no Norte de Santa Catarina, outro tema de interesse para a região ressurge: o destino do Canal do Linguado. O trecho é a única ligação rodoviária e de linha férrea entre o continente, a Ilha e o Porto de São Francisco do Sul. Para especialistas, uma das preocupações com a abertura do canal são os impactos ambientais.

    São 84 anos desde o aterramento e também são fortes os indícios de graves consequências ambientais para a região nesse período. Visto do alto, é possível perceber a diferença que se formou de um lado e outro do Linguado: em sua parte interior, principalmente durante os períodos de maré baixa, avistam-se os sedimentos acumulados ao longo dos anos — o assoreamento alcança dez metros de profundidade. Em contrapartida, na área "livre", a aparência da lâmina de água é outra, mais limpa e propícia à reprodução de plantas e animais marinhos.

    Não se trata, apenas, de aparência; os problemas existem, a julgar o exposto por um estudo feito em 2003 a partir de uma liminar judicial concedida dentro de uma ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal (MPF), dois anos antes. O objeto pedia estudos e a implementação da solução indicada para a área. O levantamento centralizou na biota marinha, ou seja, os organismos vivos – plantas e animais – do Linguado. Somente em espécies de peixes, são 76 mapeados na região.

    Segundo o professor da Univille e mestre em Saúde e Meio Ambiente, Claudio Tureck, foram apontadas reduções nas áreas de reprodução e produtividade do ecossistema; aumento de competição pelos habitats disponíveis; além de alteração na estrutura e na composição das comunidades da fauna bentônica, que são aqueles organismos que estão vivendo sobre a lama. Foi verificado, ainda, o comprometimento da qualidade da água causada pela redução da circulação; tempo maior necessário para que toda a água da baía seja renovada; e o aumento de poluentes.

    A concentração dos metais pesados, num limite excessivo, se tornam bioacumulativos ao longo da cadeia e são cancerígenos, teratogênicos (responsáveis pelo aparecimento de anomalias no desenvolvimento do embrião ou do feto) e mutagênicos (dano não corrigido na molécula de DNA, que passa a ser replicado para as gerações seguintes).

    Pesquisa analisa os cenários

    — De uma forma geral ficou muito claro os impactos do fechamento do Canal do Linguado — sustenta o pesquisador.

    A pesquisa também analisou cenários caso houvesse a abertura ou não do canal. O formato mais indicado apontou a dragagem e a abertura parcial de 70 metros de largura no braço Sul e manutenção do restante do aterro, o que já garantiria um ganho ambiental significativo.

    No entanto, o processo se encerrou na justiça sem resultar em intervenções práticas e carente de análises mais aprofundadas de sedimentos e estudos de hidrodinâmica. Em paralelo, também foram ventilados outros cenários, como a possibilidade de o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) erguer uma ponte de quase dois quilômetros atravessando o canal. Custo estimado de, ao menos, R$ 200 milhões. Outras alternativas são buscadas, porém nada de concreto até agora. Isso inclui a possibilidade de tentar pleitear um aumento do aterro para criar novas pistas no local.

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