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Dano ambiental

"Acreditamos que é o maior incêndio da história do Parque da Serra do Tabuleiro", diz coordenador

Foram necessárias 48 horas até que o fogo pudesse ser contido pelo Corpo de Bombeiros e Polícia Militar Ambiental

12/09/2019 - 15h34 - Atualizada em: 13/09/2019 - 15h12

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Karollayne
Por Karollayne Rosa
Nesta quinta-feira, foi possível observar as marcas deixadas pelo fogo
Nesta quinta-feira, foi possível observar as marcas deixadas pelo fogo
(Foto: )

A estimativa na quarta-feira (11) era de que 1 mil hectare do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, em Palhoça, na Grande Florianópolis, foi atingido pelo incêndio que começou um dia antes. O número representa uma perda histórica para a maior unidade de conservação ambiental de Santa Catarina.

— Acreditamos que é o maior incêndio da história do Parque da Serra do Tabuleiro — afirmou o coordenador, Carlos Cassini, nesta quinta-feira (12). Em 2012, outro incidente de grandes proporções queimou 920 hectares da reserva.

Foram necessárias aproximadamente 48 horas de trabalho no combate às chamas, além dos focos remanescentes, até que os bombeiros conseguissem controlar o incêndio, na manhã desta quinta.

Apesar de os danos ambientais ainda estarem sendo contabilizados, Cassini afirma que as principais perdas foram as árvores e os animais, que estavam em fase de reprodução.

— Muitas árvores pequenas, que estavam crescendo para se tornarem parte da floresta, ficaram queimadas. Vai levar cinco anos pelo menos para ter árvores do mesmo tamanho das que foram perdidas — explicou.

De acordo com o geógrafo e coordenador do Centro de Visitante do Parque, Luiz Pimenta, o fogo atingiu uma grande área grande da vegetação litorânea, principalmente os banhados, onde ficavam as tiriricas e taboas.

"A vegetação vai se recuperar"

— A natureza dá conta. A Mata atlântica, a vegetação vai se recuperar. Depende muito das condições futuras, do tempo, de como vai se comportar. Em quatro ou cinco anos já vai ser possível ver de novo a vegetação. Passou o incêndio, a chuva vem. Algumas plantinhas começam a retornar. O impacto maior é nas árvores — explicou Pimenta.

Mas nem tudo é recuperável. Ainda não se sabe quantos animais morreram no incêndio. Conforme Cassini, o período atual, próximo à primavera, é a época de reprodução para algumas espécies, muitas das quais possivelmente não conseguiram escapar do fogo.

— O parque estava cheio de ninhos que viraram brasa — lamentou.

Além das aves, a região atingida abrigava pequenos mamíferos, anfíbios e répteis, como um jabuti, resgatado pela Polícia Militar Ambiental em meio às cinzas na tarde de quarta-feira.

Soldado Leonardo Régis segurando o jabuti encontrado no incêndio no parque
Soldado Leonardo Régis segurando o jabuti encontrado no incêndio no parque
(Foto: )

No entanto, conforme Pimental, ele pode ter sido um dos poucos sobreviventes, pois nessas situações, é mais comum os animais fugirem ou acabarem morrendo.

Pimenta conta que uma equipe formada por biólogos e outros profissionais foram acionados para fazer o levantamento das espécies afetadas.

Incêndio em 2012 destruiu 920 hectares

Este não foi o primeiro incêndio que Pimenta presenciou no Parque da Serra do Tabuleiro. Em 2012, a unidade de conservação teve aproximadamente 920 hectares de mata queimada. Era o maior incêndio registrado no local até então. Mas ao longo dos 20 anos que ele vem trabalhado no local, conta que já houve registro de outras queimadas dentro do parque.

O que todas elas tiveram em comum foi o desfecho: em nenhuma houve responsabilização pelo incêndio, segundo Pimenta.

A esperança da equipe é que o cenário mude a partir de agora.

— Vamos insistir muito para investigar — afirma o coordenador do parque, Carlos Cassini, que acredita na possibilidade de incêndio criminoso.

Para Pimenta, se algo pode ser tirado de bom em meio à tragédia ambiental, é a mobilização da comunidade em torno do parque. Ele conta que - com o incêndio - foi despertado um sentimento de pertencimento nas pessoas que vivem nos arredores da unidade de conservação.

Os profissionais que trabalham diariamente na conservação do parque esperam contar com essa mobilização para a recuperar a área perdida.

— Foi bem bacana a colaboração. Esse seria o resultado positivo que podemos tirar disso — relatou.

Causas do incêndio serão investigadas

O Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina fará análise no local para identificar as possíveis causas do incêndio. Em paralelo, o Instituto Geral de Perícias (IGP) também estará no local para tentar identificar como o fogo começou.

A assessoria do IGP afirmou que o órgão aguardava a solicitação formal da Polícia Civil para dar início ao trabalho. A expectativa é de isso ocorra ainda nesta quinta-feira (12).

*Colaboração de Lucas Paraizo

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