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Acusada de matar grávida em Canelinha para ficar com bebê é condenada a 56 anos de prisão

Julgamento que durou mais de 15 horas ocorreu nesta quarta-feira (24) em Tijucas; entre os crimes, está o de feminicídio

24/11/2021 - 23h09 - Atualizada em: 24/11/2021 - 23h18

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Por Luana Amorim
Sessão teve início na manhã desta quarta-feira e terminou só a noite
Sessão teve início na manhã desta quarta-feira e terminou só a noite
(Foto: )

Foi condenada a 56 anos e dez meses de prisão em regime, inicialmente, fechado a mulher acusada de matar uma grávida em Canelinha, na Grande Florianópolis. Ela também foi condenada a oito meses de detenção pelo júri. O caso ocorreu em agosto do ano passado, mas o julgamento só aconteceu nesta quarta-feira (24) em Tijucas. 

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Ela foi condenada pelos crimes de homicídio qualificado - feminicídio, motivo torpe, mediante emboscada e por impossibilitar a defesa da vítima -, tentativa de homicídio e mais quatro crimes conexos - ocultação de cadáver, fraude processual, subtração de menor e parto suposto. Além disso, os jurados também acataram, na tentativa de homicídio, o fato de ter sido praticado sem dar chances à vítima. 

Ao todo, sete pessoas foram ouvidas entre amigos e pessoas que atuaram no caso no julgamento que durou mais de 15 horas. A ré também prestou depoimento. 

Antes da sessão, houve um protesto na frente da Câmara. Amigos e familiares da vítima vestiam camisetas com o rosto dela e seguravam um cartaz com a frase: "Os dias passam lentos, as horas machucam como espinhos, mas temos forças e confiamos na chegada da justiça".

Uma das testemunhas - o policial que participou das investigações - afirmou que a ré chegou a pesquisar na internet e com amigas como seriam os exames para comprovar o parto e forjar provas. Além disso, o viúvo da vítima contou que, no dia do assassinato, a esposa se preparava para o chá de bebê quando comentou que "nem o marido nem a mãe poderiam falar que sabiam da surpresa".

Ré estudou como tirar o bebê do ventre da mãe 

A ré começou a ser interrogada por volta das 17h30. No depoimento, ela admitiu que pesquisou na internet sobre o parto e a gravidez para simular os sintomas. A mulher também disse que planejou todo o crime: desde o chá de bebê falso, para a emboscada, até o lugar do ataque. 

Ao ser questionada pelo MP sobre os detalhes do crime, ela admitiu que estudou pelo celular como tirar o bebê do ventre da mãe e que se sentiu capacitada para isso. À defesa, ela alegou que só se arrependeu do que fez depois que foi presa.

Por volta das 19h, a promotoria iniciou sua fala, alegando que a ré tem total capacidade de entender o crime que cometeu. Além disso, a acusação defendeu a qualificadora do feminicídio dentro do contexto do crime. 

Segundo o promotor Alexandre Carrinho Muniz, o crime foi cometido em razão da vítima ser mulher já que "só mulheres tem a possibilidade de gerar uma criança". Por fim, a promotoria disse que a ré foi motivada pelo egoísmo. 

A defesa da acusada também teve uma hora e meia para apresentar os argumentos aos jurados. 

A mulher foi julgada por seis crimes, de acordo com o MP: homicídio qualificado (feminicídio) contra a mãe da criança; tentativa de homicídio qualificado contra o bebê; ocultação de cadáver; dar parto alheio como próprio; subtrair o bebê da mãe; e induzir o juiz ou perito ao erro. 

Após o julgamento, ela foi encaminhada ao presídio. A decisão cabe recurso, porém, como a pena é superior a 15 anos, ela não poderá recorrer em liberdade.

Familiares fazem protesto na frente da Câmara de Vereadores
Familiares fazem protesto na frente da Câmara de Vereadores
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Relembre o caso

O crime aconteceu no dia 27 de agosto de 2020. A acusada supostamente atraiu a amiga, que estava grávida de 36 semanas, a uma cerâmica desativada, em Canelinha. Lá, a mulher golpeou a vítima com tijolos até deixá-la inconsciente. A grávida ainda estava viva quando a acusada cortou a barriga dela para retirar o bebê.

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Depois disso, os objetos da cena do crime foram escondidos na casa da acusada, que colocou o corpo em um antigo forno da cerâmica desativada. A recém-nascida foi levada pela acusada e pelo marido até o hospital da região. Ela alegou que teve um parto espontâneo.

De acordo com a denúncia do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), o objetivo da ré era pegar o bebê e criá-lo como se fosse seu filho. 

O ex-marido da acusada chegou a ser preso também por suposta participação do crime, mas foi liberado em outubro de 2020.

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