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Justiça

Acusados de chacina em hotel de Florianópolis são condenados a 150 anos de prisão

Dono do estabelecimento, os três filhos e o sócio foram assassinados em julho de 2018

16/03/2022 - 17h25

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Luana
Por Luana Amorim
Três pessoas foram acusadas pelo crime que ocorreu em Canasvieiras
Três pessoas foram acusadas pelo crime que ocorreu em Canasvieiras
(Foto: )

Foram condenados a 150 anos de prisão os dois últimos acusados pelo crime que ficou conhecido como "a chacina de Canasvieiras", ocorrido em julho de 2018. O julgamento ocorreu nesta terça-feira (15) no Fórum da Capital e durou mais de 18 horas. 

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O caso, segundo o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), teve como motivação a cobrança de uma dívida trabalhista contra o dono de um hotel. Francisco José da Silva Neto, um dos réus e ex-funcionário, contratou o outro acusado, Michelangelo Alves Lopes e Ivan Gregory Barbosa de Oliveira - que já foi julgado - prometendo como pagamento grande quantidade em dinheiro e outro bens que seriam roubados do estabelecimento. 

Como o ex-funcionário tinha as senhas de acesso, os três homens entraram no hotel e aguardaram escondidos as vítimas, que foram imobilizadas. Depois de rendê-las, Ivan ficou vigiando a porta enquanto outros dois acusados levavam o proprietário e os três filhos - um deles autista - até o subsolo do estabelecimento. Um por um, segundo o MP, eles foram mortos por asfixia. 

O sócio do hotel também foi assassinado no subsolo. O crime foi testemunhado por uma funcionária, que chegou a ser rendida, mas não foi morta por não ter participação nos negócios da família. 

Francisco, julgado nesta terça-feira, foi considerado culpado por cinco homicídios qualificados pelo motivo torpe, por terem sido praticados com asfixia e pela impossibilidade de defesa das vítimas. Já Michelangelo, foi condenado por quatro homicídios. 

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Ainda segundo o MP, eles também foram condenados pelos crimes de roubo, pelo furto de dois automóveis e objetos da família assassinada, e por fraude processual, já que jogaram gasolina nos corpos das vítimas e em objetos que haviam tocado, além de destruir o equipamento de monitoramento do hotel. 

As penas aplicadas foram de 82 anos para Francisco e de 68 anos de prisão para Michelangelo, ambos em regime inicial fechado. Ainda é possível recorrer da decisão, porém, os réus não terão o direito de fazê-lo em liberdade. 

A defesa de Michelangelo, formada pelos advogados Marcos Aurelio de Melo, Marcos Vinicios de Melo e João Vitor de Melo, informou que irá recorrer tanto da decisão quanto da sessão do júri, solicitando uma nova audiência. O Hora de SC não conseguiu contato com o advogado de Francisco. O espaço segue aberto. 

O terceiro envolvido no crime já havia sido condenado, em novembro de 2020, a 43 anos de prisão, também em regime inicial fechado. Mas, após recurso do MPSC, a pena foi aumentada em 92 anos de prisão. 

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Relembre o caso

O crime aconteceu em 5 de julho de 2018 e repercutiu pela brutalidade das mortes da proprietária do apart-hotel, o pai e dois irmãos dela, além do sócio. Os cinco, além de uma funcionária, foram rendidos e amarrados dentro do apart-hotel. A funcionária conseguiu se soltar e fugir, mas todos os outros acabaram sendo assassinados por asfixia.

Quando as viaturas chegaram ao prédio, os suspeitos já haviam fugido. Antes de sair, entretanto, o grupo deixou um recado em uma das paredes, indicando que o delito se tratava de uma vingança: “Minha família foi justiçada. Enrolaram muita gente. Chegou a hora deles”. O número 171, artigo do Código Penal sobre estelionato, foi pichado em outra parede.

No mês seguinte, os suspeitos foram encontrados e presos. O primeiro foi capturado em 10 de agosto de 2018 em Santana do Livramento (RS), fronteira com o Uruguai. Ele foi identificado como Michelangelo Alves Lopes, 21 anos, natural de Florianópolis. No dia seguinte, ocorreu a prisão do segundo envolvido. Ivan Gregory Barbosa de Oliveira, 21, foi localizado em um apartamento do bairro Potecas, em São José, na Grande Florianópolis. Por último, foi preso Francisco José da Silva Neto, 22, comerciante e ex-funcionário de uma das vítimas, Leandro Gaspar Lemos, o Magal.

O último a ser preso é o suspeito que convidou os dois para participarem do crime. Ele confessou à Polícia Civil sobre o plano, deu detalhes de como ocorreu a chacina e alegou ter cometido o delito por medo do ex-chefe, além de alegar que não aceitava ter sofrido um suposto calote financeiro.

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