O advogado Rodrigo Pantaleão, que ficou conhecido após concordar com a acusação do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) contra o próprio cliente, e foi achado morto em Florianópolis nesta quinta-feira (25), assumiu o caso que ganhou repercussão depois da saída da advogada Gabriela Serafin, conhecida como “advogata” nas redes sociais. A profissional precisou abandonar o caso depois que um mandado de prisão foi expedido contra ela pelo crime de tráfico de drogas.

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O caso que Pantaleão era advogado começou no dia 12 de fevereiro, quando o suspeito foi preso pela Polícia Militar no bairro Sambaqui, em Florianópolis, portando 30 petecas de cocaína, além de uma munição. O homem teve a prisão em flagrante convertida em preventiva e passou a ser defendido pela advogada Gabriela Serafin.

No entanto, o mandado de prisão contra Gabriela a fez abandonar o caso. A mulher, depois disso, passou a ser procurada e foi presa na última semana.

Com o suspeito sem advogado, Pantaleão passou a ser o advogado desse homem. No dia 28 de maio, durante uma audiência na 3ª Vara Criminal de Florianópolis, Rodrigo Pantaleão concordou com a acusação feita pelo Ministério Público contra o próprio cliente. A juíza Carolina Ranzolin, então, considerou o réu, de 36 anos, indefeso.

O réu responde por tráfico de drogas, resistência contra a polícia e porte de arma com numeração suprimida. Ele está preso em Florianópolis. Na ocasião da audiência, Pantaleão permaneceu no celular durante a fala do promotor Raul Rogério Rabello e voltou a olhar para a câmera quando a juíza o chamou para se manifestar e prestar as alegações finais do caso.

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“A defesa corrobora com as afirmações exaladas pela promotoria de Justiça. Nada mais, excelência”, respondeu.

Veja fotos da “advogata”

Advogado foi encontrado morto em apartamento

O advogado teve o corpo encontrado nesta quinta-feira após vizinhos terem chamado a polícia em função de um cheiro forte vindo de um imóvel no bairro Itacorubi, em Florianópolis. Segundo o delegado Alex Bonfim, da Delegacia de Homicídios, há indícios de morte natural, mas outras possibilidades não são descartadas.

A polícia aguarda o laudo necroscópico. Conforme a Polícia Militar, não há indicativos de invasão na casa.

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Durante o atendimento à ocorrência foram encontrados dois cães de grande porte no imóvel. Os animais foram recolhidos pela Diretoria de Bem-Estar Animal (Dibea) da Prefeitura de Florianópolis.

Manifestação da OAB-SC

Na época em que a audiência aconteceu, a Ordem dos Advogados do Brasil – Seção de Santa Catarina (OAB/SC) se manifestou, por meio de nota, e ressaltou que enviou ofício à juíza responsável pelo processo, solicitando informações e documentos para compreender integralmente os fatos e avaliar eventual adoção de medidas previstas no Estatuto da Advocacia e da OAB.

Nesta quinta-feira, o órgão lamentou a morte e afirmou que o presidente da OAB/SC, Juliano Mandelli, acompanha as investigações sobre o caso. Segundo ele, “se houver qualquer indício de que o crime tenha relação com o exercício da advocacia, a OAB/SC tratará o caso com a seriedade que ele exige e cobrará a responsabilização dos envolvidos”.

“Recebemos essa notícia com profunda consternação. A OAB/SC acompanhará de perto as investigações para que todos os fatos sejam devidamente esclarecidos, especialmente no que diz respeito à eventual relação do crime com o exercício da advocacia e às prerrogativas profissionais”, diz a nota.

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A OAB também ressaltou que “a advocacia exerce uma função essencial para a Justiça, muitas vezes em situações de exposição que não são percebidas pela sociedade. Além disso, lembra que a OAB tem a missão de defender as prerrogativas da advocacia, a Constituição da República, o Estado Democrático de Direito, os direitos humanos e a justiça social”, e que espera “uma apuração célere, rigorosa e transparente. “A Ordem não tolerará omissão nem demora neste caso, seja qual for o resultado da perícia”, finaliza o comunicado.

Quem é a “advogata”

advogada Gabriela Vieira Serafin tem mais de 32 mil seguidores nas redes sociais e atua na área criminal há pelo seis anos. Ela estava foragida desde abril até ser presa na última semana por suspeita de ser uma das lideranças de uma organização criminosa voltada ao tráfico de drogas que atuava na região da Tapera, em Florianópolis.

Gabriela tem 29 anos e mora na capital catarinense. Segundo informações disponibilizadas nas redes sociais, ela é advogada criminalista desde 2020, sendo especialista em revisões criminais e execução penal. A “advogata” também é pós-graduada em investigação criminal e segurança pública e afirma ter sido voluntária na Defensoria Pública de Santa Catarina.

Na internet, Gabriela mostrava a rotina como advogada de suspeitos por crimes como tráfico de drogas, compartilhando vídeos sobre processos criminais e utilizando gírias para falar sobre os casos. Em um dos registros, ela falava sobre uma cliente que tinha sido presa após tentar levar drogas de Florianópolis para Paris:

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