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    Sem energia elétrica

    Aldeia indígena fica às escuras na Grande Florianópolis

    Celesc alega ligações clandestinas, enquanto isso, a comunidade indígena reclama da perda de produtos perecíveis doados para ajudar no isolamento social

    16/09/2020 - 06h00

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    Por Ângela Bastos
    No lugar vivem em torno de 80 pessoas entre crianças, jovens e adultos
    No lugar vivem em torno de 80 pessoas entre crianças, jovens e adultos
    (Foto: )

    Os guaranis da Aldeia Morro da Palha, que pertence à terra indígena Tekoá Itanhaém, em Biguaçu, na Grande Florianópolis, estão sem energia elétrica nas casas. O abastecimento foi cortado pela Celesc após denúncias de ligações irregulares à rede que atende àquela localidade. Em isolamento social por causa da pandemia, os indígenas reclamam da perda de alimentos perecíveis doados pela comunidade.

    No lugar vivem 108 pessoas, entre crianças, jovens e adultos. A área possui 216 hectares de extensão e fica localizada na estrada geral do Timbé Norte, interior de Biguaçu. As 30 famílias vivem basicamente da agricultura - são 49 crianças na escola. De acordo com lideranças de aldeias guaranis próximas, há pessoas que testaram positivo para a Covid-19.

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    - A comunidade está isolada, inclusive por falta de comunicação. As pessoas não têm como recarregar as baterias do celular - conta Kerexu Ixapyry, da aldeia Itaty, no Morro dos Cavalos.

    A falta de comunicação preocupa, pois, além das pessoas com o novo coronavírus, há uma paciente que depende de hemodiálise. A Tekoá Itanhaém foi adquirida através do programa de medidas mitigadoras decorrentes da duplicação da BR-101, em 2007.

    Chega-se na aldeia por uma estrada de chão que corta a terra indígena ao meio. A escola é o principal ponto de referência. As casas são construídas de alvenaria e algumas de sapé. Na área central da comunidade existe um campo de futebol, uma plantação de eucaliptos e uma palmeira-real.

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    A comunidade continua isolada devido à falta de comunicação
    A comunidade continua isolada devido à falta de comunicação
    (Foto: )

    A Celesc, que em março deste ano anunciou um lucro líquido anual de R$ 283,6 milhões, portanto, 71,8% superior a 2018, informa que possui apenas três unidades consumidoras da aldeia, em Biguaçu, legalmente registradas em seu sistema. Os desligamentos, informa, foram feitos após denúncias de ligações irregulares à rede elétrica que atende àquela localidade.

    Além de crime, alega a Celesc, as ligações clandestinas oferecem alto risco à vida, ao patrimônio e afetam a qualidade da energia fornecida aos consumidores regulares da região. O assunto, segundo a estatal, está sendo tratado junto à Fundação Nacional do Índio (Funai).

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    O Diário Catarinense entrou em contato com a Funai. O objetivo era esclarecer o que dizem os indígenas sobre o comprovante de residência na aldeia. O coordenador regional Eduardo Cidreira, no entanto, não foi localizado. Cidreira estaria dando um curso em Paranaguá, no litoral do Paraná. A reportagem encaminhou um e-mail, mas até o momento não obteve resposta.

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