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    Ano começa com queda no número da criminalidade em Joinville

    Homicídios registrados até 28 de janeiro de 2019, por exemplo, é 38% menor do que no mesmo período do ano passado

    07/02/2019 - 06h57 - Atualizada em: 07/02/2019 - 07h09

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    Gabriela
    Por Gabriela Florêncio
    Homicídios registrados até 28 de janeiro de 2019, por exemplo, é 38% menor do que no mesmo período do ano passado
    Homicídios registrados até 28 de janeiro de 2019, por exemplo, é 38% menor do que no mesmo período do ano passado
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    Joinville registrou diminuição na criminalidade em 2019 com relação ao ano anterior. A derrubada acontece depois de três anos de recordes consecutivos, em que o número de mortes violentas, furtos e roubos aumentavam desde 2015. O número de homicídios registrados até 28 de janeiro de 2019, por exemplo, é e 38% menor do que no mesmo período do ano passado.

    A especialização da policia, relação mais direta com a comunidade, mais operações e melhora no ambiente e condições de trabalho dos servidores são fatores apontados pelas forças de segurança como motivadores a essa redução.

    — A diminuição tem relação com continuidade do trabalho do delegado anterior, que modificou as formas de atendimento das unidades de bairro. Além disso, na minha gestão, busquei uma adequação da distribuição de trabalho nas delegacias de bairro, fortalecendo a investigação — diz Tânia Harada, delegada regional da cidade.

    Na reestruturação das delegacias de bairro, se analisou que algumas atendiam cerca de 20 mil habitantes e outras 140 mil, mas com o mesmo número de servidores no quadro.

    A readequação permitiu uma melhor distribuição de agentes da Polícia Civil (PC) e ainda fortalecer a investigação. Tânia ressalta que também aconteceu uma renovação de pessoal nas unidades especializadas e, atualmente, a que tem o maior número de efetivo é a Delegacia de Homicídios (DH). A unidade iniciou a investigação especializada de crimes contra a vida há cerca de dois anos e meio no município.

    Planejamento de mais especializadas

    Para a delegada, a iniciativa das unidades especializadas é o modelo mais adequado para a queda dos índices de criminalidade, assim como demonstram os resultados alcançados pelas já implantadas DH e Divisão de Investigação Criminal (DIC). Existe a intenção de transformar outras estruturas da cidade em especializadas, como acontece com a 2ª Delegacia, no bairro Fátima, que hoje abarca a apuração de todos os crimes ambientais ocorridos no município. Ainda não há data para iniciar o modelo.

    Estatística do Fórum de Segurança Pública mostra que, em 2016 – ano de implantação da DH – a taxa de homicídios na cidade chegou a 24,8 casos para cada grupo de cem mil habitantes. Em 2018, o indicador diminuiu para 14,61 – representando queda de mais de 10 pontos percentuais entre os dois períodos.

    Operações ostensivas da PM também contribuem para diminuição no registro de crimes
    Operações ostensivas da PM também contribuem para diminuição no registro de crimes
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    De acordo com levantamento feito pela reportagem, nove pessoas foram mortas de forma violenta no primeiro mês deste ano, enquanto número chegava a 13 vítimas no mesmo período de 2018. Já em janeiro de 2016 o número era de 14 assassinatos e em 2015 chegou a 15 vítimas. Para o coronel Dirceu Neundorf, comandante da 5ª Região da Polícia Militar (RPM), a diminuição também é reflexo das ações ostensivas que a PM realiza desde o ano passado.

    O coronel destaca as três maiores que acontecem frequentemente na cidade: Adsumus, Ferrolho e Saturação. Com as operações, a polícia realiza barreiras, varreduras e abordagens em locais de grandes índices criminais e nas principais saídas da cidade, entre outros locais.

    — As operações constantes que a PM vêm fazendo reduz porque o indivíduo não sabe onde vai cair, pode ser uma barreira ou abordagem que estão mais intensificadas — completa.

    Mortes em unidades carcerárias aumentam

    Em todo o ano passado, foram registradas 91 mortes violentas em Joinville. Destas, 79 foram casos de homicídio; seis mortes em confronto com a polícia, quatro aconteceram em latrocínios – roubo seguido de morte – e dois feminicídios. A arma mais utilizada para cometer os assassinatos no ano passado foi arma de fogo (47), seguida de arma branca (23). Em uma análise geográfica, o bairro que mais registrou casos desta natureza foi o Jardim Paraíso (19) seguido dos bairros Boehmerwald (9), Paranaguamirim (8) e Jardim Iririú (7).

    Além disso, diferentemente dos anos anteriores, em 2018 foram computados 10 assassinatos dentro das unidades carcerárias da cidade. Já dos nove casos registrados neste ano, dois foram no Presídio Regional de Joinville. Além disso, oito registros se referem a casos de homicídios e um de feminicídio. Os bairros que mais registraram crimes neste ano continuam os mesmos do ano passado – Jardim Paraíso, Boehmerwald e Paranaguamirim –com dois registros cada um.

    Segundo a Polícia Civil, com a especialização das unidades, o número de resolução dos casos e de prisões também aumentou. Análise realizada pela Delegacia de Homicídios (DH) mostra que o número de prisões cresceu 77% desde a implantação da unidade. Em 2016, foram realizadas 55 prisões por crimes contra a vida no município, enquanto no ano seguinte a quantia avançou para 91. Já em 2018, a polícia alcançou a marca de 161 prisões.

    Maior aproximação com a comunidade reduz de outros crimes

    Joinville também registrou diminuição no caso de outros crimes entre 2017 e 2018. Levantamento da PC mostra que a quantidade de roubos registrados caiu 47,5% entre os dois anos e os furtos diminuíram em 27%. Dentro destes indicadores, o registro de roubos a residência foi o que teve a maior queda, de 71,9%.

    Além da especialização, a delegada destaca que a diminuição nos índices criminais do município também tem ligação com a maior aproximação da polícia com a comunidade e melhora no ambiente e nas condições de trabalho de delegados e policiais. Parcerias com instituições privadas e universidades, por exemplo, garantiram a implantação de novas tecnologias para auxiliar e otimizar diariamente as investigações.

    Melhora na estrutura física e no ambiente das unidades policiais ajuda a motivar servidores
    Melhora na estrutura física e no ambiente das unidades policiais ajuda a motivar servidores
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    Valorização do trabalho também traz resultados

    Além disso, por meio de parceiras com comunidade, foi possível a capacitação dos servidores da Polícia Civil, como os trabalhos de desenvolvimento pessoal e organizacional realizado por uma coach voluntária no ano passado e ainda campanhas de valorização do trabalho policial. Na avaliação da delegada, todos estes fatores trazem mais qualidade e eficiência à função desempenhada diariamente pelos policiais civis.

    — Realizamos melhoras físicas e na gestão. Porque um ambiente de trabalho melhor colabora para um estimulo positivo no servidor — completa Tânia.

    Casos de repercussão registrados em 2019

    Dentre os casos registrados neste ano, três ganharam bastante repercussão pelas circunstâncias dos crimes e porque ocorreram na mesma semana. O primeiro aconteceu em 18 de janeiro. Otavio Netto da Silva é suspeito de matar a facadas a ex-companheira Andréia Messias da Luz. O Ministério Público (MP) já ofereceu a denúncia e o homem foi acusado pelo crime de feminicídio.

    Outro foi no dia 19, quando o motorista Murilo José Coelho foi morto após uma briga de trânsito com o motociclista Jean Everson Raymundo na zona Oeste de Joinville. As investigações iniciaram como lesão corporal seguida de morte, mas na semana passada o MP ofereceu denúncia contra o condutor por homicídio doloso.

    Corpo de Ruan foi encontrado em uma área de mata na Zona Norte da cidade
    Corpo de Ruan foi encontrado em uma área de mata na Zona Norte da cidade
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    Oito dias depois, o corpo de um adolescente de 16 anos foi encontrado decapitado no Jardim Paraíso, na zona Norte. Ruan Heber da Silva estava desaparecido desde 7 de janeiro quando saiu de casa informando o pai, Rodrigo, que estava indo visitar um amigo, depois nunca mais foi visto. No dia 27, foi o pai quem encontrou o corpo. O jovem estava enterrado, em avançado estado de decomposição, havia sido decapitado e tinha um corte profundo no peito.

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