Uma aposta feita há quase duas décadas por um agricultor de Xanxerê, no Oeste de Santa Catarina, se transformou na maior safra já registrada pela família. Plantado pelo pai de Bruno Sartoretto há cerca de 18 anos, o pomar de noz-pecã, fruto conhecido como aquele que “namora pelo vento” por depender da polinização levada pelo ar, deve render aproximadamente 30 toneladas nesta temporada, resultado considerado recorde para a propriedade.

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O pomar foi implantado há aproximadamente 18 anos por iniciativa do agricultor já falecido, Saul, pai de Bruno Sartoretto. O retorno financeiro, porém, demorou a chegar. Foram necessários cerca de oito anos até que as árvores começassem a produzir de forma comercial.

— A ideia foi do meu pai. Na época, ele acreditou no potencial da cultura e decidiu investir. Hoje a noz-pecã é a principal atividade da propriedade — conta Bruno.

A espera exigiu paciência e planejamento. Diferentemente de culturas anuais, a noz-pecã demanda investimentos de longo prazo, já que as árvores levam vários anos para atingir a fase produtiva. Em compensação, quando bem manejados, os pomares podem permanecer produzindo por décadas.

Atualmente, a propriedade emprega cerca de 15 pessoas durante a safra e concentra boa parte de sua renda na produção da castanha. A maior parte da colheita é comercializada para o Rio Grande do Sul, um dos principais polos consumidores e beneficiadores do produto no Sul do Brasil. Outra parcela é destinada ao mercado regional, especialmente em Xanxerê.

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Safra recorde de noz-pecã anima produtores

O resultado obtido neste ano é considerado o melhor desde o início do cultivo. A combinação de boas condições climáticas, manejo adequado e maturidade das árvores contribuiu para a colheita histórica.

A produção recorde reforça o crescimento da cultura da noz-pecã em Santa Catarina, especialmente na região Oeste, onde produtores têm buscado diversificar as atividades agrícolas e investir em culturas de maior valor agregado.

Tecnologia substitui trabalho braçal

Se no passado a colheita era realizada quase totalmente de forma manual, hoje a tecnologia desempenha papel fundamental para garantir produtividade e reduzir custos.

Na propriedade da família Sartoretto, um equipamento conhecido como chacoalhador de tronco faz parte da rotina da safra. Acoplado a um trator, o sistema envolve o tronco da árvore e provoca vibrações que fazem as nozes caírem sobre lonas espalhadas no chão.

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Após a derrubada dos frutos, as lonas são recolhidas e transportadas até a área de processamento. Em seguida, as castanhas passam por uma máquina de limpeza que separa folhas, galhos e outras impurezas.

Depois dessa etapa, o produto é encaminhado para secagem, processo essencial para garantir a qualidade e a conservação das nozes antes da comercialização.

— A tecnologia facilita muito o trabalho. Antes era necessário muito mais esforço físico e mais horas de serviço. Hoje conseguimos fazer tudo de forma mais rápida e eficiente — explica o produtor.

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Formigas são principal ameaça ao pomar

Apesar dos bons resultados, a produção exige atenção constante. O principal desafio enfrentado pelos produtores é o controle de pragas e doenças.

Segundo Bruno, as formigas representam a maior ameaça ao pomar. Os insetos atacam as folhas das árvores, comprometendo o desenvolvimento das plantas e reduzindo o potencial produtivo.

Outra preocupação é a incidência de fungos, que afetam principalmente a folhagem. Em situações mais severas, a doença pode atingir também as castanhas, causando prejuízos à produção.

Para evitar perdas, o controle é realizado por meio da aplicação de fungicidas. Em parte da propriedade, o serviço é feito com auxílio de drones, tecnologia que permite maior precisão e agilidade no manejo.

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Além das pragas e doenças, pássaros também causam alguns danos ao quebrar galhos e derrubar nozes antes da colheita. No entanto, segundo o produtor, os prejuízos ainda são considerados pequenos e não justificam medidas específicas de controle.

Com a maior safra já registrada na propriedade, a expectativa da família é continuar investindo no cultivo e ampliar a produtividade nos próximos anos.

Noz é fruto?

Segundo informações do serviço florestal dos Estados Unidos, as nozes são os frutos da nogueira. Botanicamente, são classificadas como frutos secos, com uma única semente e alto teor de gordura.

Geralmente, são envoltas por uma camada externa coriácea (textura parecida com couro) ou sólida. Algumas castanhas, as avelãs e as nozes-pecã se encaixam na verdadeira definição de noz. Amendoins e amêndoas, no entanto, não são nozes. O amendoim é classificado como uma leguminosa, enquanto as amêndoas são envolvidas por uma casca carnosa, semelhante à de uma ameixa.

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A noz-pecã (Carya illinoinensis) é uma espécie de noz nativa do sudeste dos Estados Unidos. Atualmente, é cultivada extensivamente nessa região e é um ingrediente importante da culinária local. Historicamente, os povos nativos e os primeiros colonizadores americanos utilizavam a noz-pecã porque era facilmente acessível ao longo dos principais cursos d’água e muito mais fácil de descascar do que outras espécies de nozes da América do Norte.

No Brasil, a noz-pecã foi introduzida por imigrantes americanos em 1870, que vieram para o interior de São Paulo. No entanto, foi no Rio Grande do Sul onde o plantio se expandiu. Entre as décadas de 1960 e 1970, a cultura recebeu incentivo para florestamentos e reflorestamentos e teve seu primeiro grande ciclo de produção, segundo informações da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Embora venha historicamente do hemisfério norte, a noz pecã adaptou-se perfeitamente ao clima do Sul do Brasil, onde encontrou as condições ideais de frio e solo. A árvore foi trazida para o país em 1870 por imigrantes norte-americanos.