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Qualidade de vida

Arquitetura do bem-estar: Você já ouviu falar nesse conceito de morar?

Projetos desenvolvidos para promover aconchego e estimular a sensação de tranquilidade nos ambientes pode tornar a rotina mais leve

22/09/2021 - 15h50 - Atualizada em: 22/09/2021 - 16h25

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Estúdio
Por Estúdio NSC
arquitetura do bem-estar
Estar em um ambiente confortável pode influenciar diretamente no bem-estar e a arquitetura tem um papel importante nesse fator
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Você já parou para analisar o quanto um ambiente pode influenciar no bem-estar? Fatores como iluminação, passagem de ar, elementos que remetem ao aconchego, como tapetes e almofadas, além da própria natureza dentro dos cômodos, podem interferir na forma com que uma pessoa se sente ao se acomodar em um espaço.

Essa análise pode ser refletida ao avaliar o ranking que aponta os países mais felizes do mundo, apresentado no relatório Felicidade Mundial de 2021, patrocinado pela Organização das Nações Unidas (ONU) e feito pelo Gallup World Poll. Dos 142 países analisados, a Finlândia ocupa novamente o primeiro lugar e em seguida vem a Dinamarca. O Brasil está no 32º lugar, atrás de países como Holanda (6º), Nova Zelândia (8º) e Canadá (11º).

Entre os variados fatores que podem interferir nessas colocações, está um ponto de destaque nos países do topo do ranking: a valorização do bem-estar. Os dinamarqueses possuem uma cultura de vida diferenciada, que eles chamam de hygge, e pronunciam hu-ga. Não existe uma tradução literal, mas em sua essência, é a apreciação pelo conforto. Em casa, na alimentação, na decoração e na maneira de viver em sociedade. Um conjunto de fatores que transformam-se em um estilo de vida, que ficam evidentes também na arquitetura.

arquitetura do bem-estar
A arquitetura e a decoração tem a capacidade de influenciar a melhora do humor e redução do estresse
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As cores e texturas do hygge influenciam na questão da comodidade, do “se sentir bem”. O arquiteto e urbanista Marcel Elias Felisberto, sócio do escritório FG Arquitetos e Associados, explica que somos seres sensoriais e adaptáveis, sendo influenciados por tudo que está à nossa volta, e isso, por si só, poderia explicar o que representa a arquitetura do bem-estar.

— Os seres humanos são seres adaptáveis, por isso um ambiente influencia em seus comportamentos. Os nossos sentidos são como sensores que acionam conforme a distribuição de um ambiente, cores, cheiro, ruídos são os principais gatilhos que despertam na gente as primeiras sensações de tranquilidade ou insegurança. — relata.

Arquitetura do bem-estar cada vez mais em evidência

A arquitetura e a decoração tem a capacidade de influenciar a melhora do humor e redução do estresse, proporcionando leveza. Esse conceito tem se difundido em maior escala e no meio arquitetônico, tem sido uma das tônicas dos projetos desde o último ano.

Existem diferentes maneiras de apostar nesse pilar, transformando um ambiente da casa ou escritório em um espaço que proporcione o aconchego. Elementos naturais e de tons neutros tem influência positiva na decoração, proporcionando calmaria e tranquilidade. Utilizar plantas na decoração também são elementos necessários para trazer mais conforto.

— Um ambiente natural tem a capacidade de trazer sensações mais agradáveis e bem-estar para as pessoas em qualquer espaço. Sendo em casa ou mesmo no trabalho, as plantas são ótimas para reduzir o nível de umidade do ambiente, elas têm a capacidade de extrair o calor, melhorar a qualidade do ar e também a acústica do local; elas podem ser usadas, ainda, para zonear ou separar espaços ou ambientes internos — explica o sócio da FG Arquitetos Associados e especialista em paisagismo, Juliano Giuliani Pereira.

Segundo Juliano, utilizar elementos que remetam à natureza, como tapetes, cortinas, plantas naturais, cores neutras e iluminação natural é a melhor maneira de alcançar os benefícios que a arquitetura e o design podem trazer para uma rotina mais leve.

— O ambiente influencia o comportamento humano. É algo da nossa natureza. Assim como as plantas precisam de iluminação natural, irrigação e ventilação necessária para se manterem vivas, nós, seres humanos, também precisamos de um ambiente bem planejado para morar ou trabalhar, uma casa com ventilação adequada pode prevenir muitas doenças respiratórias, enquanto uma iluminação natural bem planejada pode contribuir positivamente com o emocional das pessoas — relata.

Decoração x Redução do estresse

O estilo que cada pessoa define para decorar um espaço é muito pessoal. Além de ter aconchego, o design também expressa a personalidade dos moradores da casa ou da empresa. Mas é importante entender que ambientes muito coloridos e com excesso de informação podem não serem benéficos quando a intenção é trazer calma.

— O exagero em cores fortes e quentes, ou elementos que não combinam entre si, podem trazer desconforto. Em nossos projetos, sempre indicamos cores neutras, que tragam aconchego. Se um projeto ou ambiente tiver informação em excesso, é provável que esse local consiga trazer uma sensação caótica de mal-estar e faz com que as pessoas não consigam relaxar — elucida Marcel.

conforto na arquitetura
Tons neutros e terrosos podem gerar maior sensação de tranquilidade nos ambientes
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Para que o ambiente seja tranquilo e, ao mesmo tempo, transpareça a personalidade do morador ou da empresa, é necessário primeiro compreender o espaço. Assim, é possível trabalhar no ambiente da melhor maneira, criando equilíbrio.

— Acreditamos que primeiro é preciso entender o espaço e saber para qual a sua finalidade: se é para descanso e relaxamento ou concentração e produtividade, duas situações opostas uma da outra. Um espaço precisamos trabalhar elementos naturais e conexão com a natureza para desacelerar o metabolismo, já no outro, iremos estimular a criação e produtividade, apostando em cores e materiais que sejam capazes de inspirar e despertar a criatividade — explica Marcel.

Arquitetura como potencializadora do estilo de vida

Na cultura escandinava hygge, o bem-estar está atrelado a decoração que utiliza como principais elementos o natural, tons neutros e terrosos, além de investir em texturas.

— Somos estimulados pelos nossos sentidos. As cores, o cheiro, a audição e o nosso tato são os primeiros a serem estimulados em ambientes, e todas essas características, quando aplicadas de forma suave, sem exageros, podem proporcionar nos espaços criados a sensação do bem-estar — reforça Juliano.

Porém, mais do que a composição de um ambiente, essa forma de viver se reflete em outros fatores, como a rotina, a forma de levar a vida, a alimentação, a conexão com amigos e família, etc. Ou seja, a arquitetura pode contribuir com um estilo de vida mais leve e otimizar sensações através da mudança de pequenos hábitos.

— Trago aqui um exemplo: usar velas ou incensos para liberação de aromas, tecidos e cores tem a capacidade de aquecer o ambiente; tocar sons que imitam a natureza, como o barulho da água e pássaros, podem trazer uma super sensação de paz. E através dessas ações, além de tudo, podemos acessar nossas memórias afetivas. — finaliza Juliano.

Acesse o site do FG Arquitetos Associados e se inspire com projetos que aliam conforto e sofisticação.

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