A chegada do verão aumenta também a preocupação com doenças típicas desta época do ano. Junto com isso, cresce também a importância dos cuidados para proteger a saúde.

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Em Santa Catarina, segundo a Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Dive-SC), três tipos de ocorrências são historicamente as mais comuns durante o verão: dengue, doenças de transmissão hídrica e alimentar (DTHA, mais conhecidas como viroses) e acidentes com animais peçonhentos.

Veja abaixo dados das doenças no Estado e os principais cuidados para evitá-las:

Dengue

A dengue bateu recordes no Estado em 2023. Santa Catarina já teve 119,4 mil casos confirmados do começo do ano até 18 de dezembro, última atualização dos dados da Dive-SC. O resultado significa um aumento de 42% em relação ao mesmo período de 2022, quando foram confirmados 83,6 mil casos da doença.

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A grande maioria dos casos (110,9 mil) são autóctones — quando a transmissão ocorre dentro do Estado. Santa Catarina tem 129 municípios que já registraram casos, mas em 38 a situação chegou ao nível de epidemia, quando há mais de 300 casos por 100 mil habitantes. As cidades com mais casos de dengue neste ano no Estado são Joinville (44 mil), Florianópolis (21 mil) e Palhoça (11 mil).

A combinação de calor e chuvas, típica do verão, cria o ambiente ideal para a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue e também da Zika e da chikungunya. Por conta disso, o cuidado com os terrenos para verificar locais que possam acumular água ao menos uma vez por semana é uma das principais recomendações para evitar a doença. Esse é o tempo necessário para o mosquito completar o ciclo de desenvolvimento, do ovo à fase adulta.

Normalmente, a primeira manifestação da dengue é febre alta, acompanhada de dor de cabeça, dores no corpo e articulações, além de prostração, fraqueza, dor atrás dos olhos e manchas vermelhas na pele. Dor abdominal intensa e vômitos persistentes já são sinais de agravamento da doença. A hidratação costuma ser o melhor tratamento para evitar formas graves da doença, mas é importante procurar atendimento médico para receber as orientações corretas.

— Um dos apelidos da dengue na Medicina é “febre quebra ossos”, porque dá muita dor no corpo, então a pessoa às vezes se medica inadequadamente e pode precipitar formas graves. Por isso um dos pontos que mais leva o paciente ao serviço de saúde é o manejo dessa dor, saber quais são os medicamentos que ela vai poder tomar, e muitas vezes é preciso uma associação de medicamentos para controlar essa dor — explica o médico-infectologista Fábio Gaudenzi, superintendente de Vigilância em Saúde da Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina.

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Viroses

As doenças de transmissão hídrica e alimentar (DTHA), as famosas viroses, também são comuns no verão catarinense.

No último verão, um surto de diarreia foi registrado na Grande Florianópolis e levou centenas de turistas a procurar atendimento médico. Ao longo do ano, o número de casos das chamadas doenças diarreicas agudas (DDA) ficou acima do esperado pela equipe de saúde do governo do Estado. A maioria das ocorrências foi nas regiões da Grande Florianópolis (40 mil casos até 20 de dezembro) e na Foz do Rio Itajaí (29,9 mil). Em todo o Estado, foram quase 260 mil casos registrados ao longo do ano.

O tratamento das doenças diarreicas é considerado simples e consiste basicamente na reidratação dos pacientes por meio da administração de líquidos, solução de reidratação oral (SRO) ou fluidos endovenosos, dependendo da gravidade do caso.

O médico Fábio Gaudenzi lembra que esta classificação agrupa doenças causadas por diferentes agentes, o que faz com que a origem e os tratamentos possam ser diferentes.

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— Você tem vários fatores, como a alimentação, que precisa ser adequadamente manipulada e armazenada, a disseminação de vírus “entéricos” transmitidos de pessoa a pessoa, podendo causar surtos em famílias e locais de trabalho, e também a contaminação da água, tanto a que a gente bebe se não estiver adequadamente fervida ou filtrada, quanto a água usada para lazer, se a gente tiver contaminação na água do mar, do rio, da lagoa — explica o médico-infectologista Fábio Gaudenzi.

Acidentes com animais peçonhentos

A terceira ocorrência mais comum no verão em Santa Catarina segundo a Dive-SC não é uma doença, mas pode acarretar sérios riscos para a saúde das pessoas. Os acidentes com animais peçonhentos, como cobras,aranhas e escorpiões, representam outra preocupação das autoridades de saúde sobretudo nos meses mais quentes do ano.

Segundo dados da Dive-SC, o Estado já registrou 8 mil acidentes com animais peçonhentos em 2023, até 18 de dezembro. Os acidentes com aranhas foram os mais frequentes, com 5,3 mil registros, dois terços do total e o maior número desde 2019. Em seguida, aparecem incidentes com abelhas (731) e serpentes (592).

A situação piora no verão porque o aumento da temperatura favorece a reprodução dos animais. Entre os cuidados que podem ajudar a reduzir o risco de acidentes estão manter terrenos livres de entulhos ou objetos que possam servir de abrigo para os bichos. Também é recomendado o uso de botas, que evita até 80% dos acidentes durante o corte de vegetação — mas é importante verificar o calçado antes de usá-lo, para conferir se não há aranhas, escorpiões ou outros animais peçonhentos no interior dele.

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Outra orientação importante é proteger as mãos, usar pedaços de madeira para verificar se não há animais em locais que serão mexidos e combater os ratos, que são alimento da maioria das cobras. No caso de picadas ou mordidas, a vítima deve procurar atendimento médico nas primeiras horas após a ocorrência. O Estado tem um serviço específico para orientações neste tipo de ocorrência que pode ser acionado 24 horas pelo telefone 0800-643-5252.

— Aquilo que a gente fala para a dengue, o cuidado com o ambiente, também funciona para animais peçonhentos. Manter o ambiente limpo, sem entulhos que possam esconder esses animais vai acabar nos protegendo — diz o médico e superintendente da Dive-SC, que chama a atenção também para o risco maior no verão de acidentes com animais aquáticos, como água-viva e caravelas.

As principais recomendações em caso de acidentes são:

  • Manter a vítima calma e deitada;
  • Evitar que ela se movimente para não favorecer a absorção do veneno;
  • Localizar a marca da mordedura e limpar o local com água e sabão;
  • Cobrir com um pano limpo;
  • Remover anéis, pulseiras e outros objetos que possam garrotear (apertar a circulação), em caso de inchaço do membro afetado;
  • Levar a vítima imediatamente ao serviço de saúde mais próximo, para receber o tratamento necessário;
  • Se possível, levar uma foto do animal ou apresentar o máximo de características possíveis para que ele seja identificado e para que a vítima receba o soro específico;
  • Não fazer torniquetes, não cortar local da ferida e nem aplicar folhas, pó de café ou terra sobre a ferida, para evitar o risco de infecção.

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