Um asilo clandestino em Caçador é alvo de investigação do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) após denúncias de condições degradantes e exploração financeira de idosos. A responsável pelo local chegou a ser presa em flagrante na última semana, mas foi liberada após audiência de custódia, decisão que já foi contestada pelo órgão.
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O caso veio à tona depois que um homem procurou o MPSC relatando ter passado dez dias no espaço, onde, segundo ele, as condições eram insalubres. O denunciante afirma que, mesmo pagando R$ 700 para permanecer no local, vivia em meio a lixo, com presença de aranhas e lesmas, além de enfrentar precariedade na alimentação e na higiene.
A investigação aponta que a situação pode ser ainda mais grave. Conforme o Ministério Público, a mulher responsável pelo asilo é suspeita de reter cartões bancários de idosos e realizar movimentações financeiras indevidas, apropriando-se do dinheiro das vítimas. Além disso, há indícios de que os moradores tinham a liberdade restringida, o que agrava as possíveis violações.
A partir da denúncia, a 1ª Promotoria de Justiça da Comarca de Caçador instaurou um inquérito civil e acionou órgãos como a Secretaria Municipal de Assistência Social, a Vigilância Sanitária, o Conselho Municipal do Idoso e a Polícia Civil. Após vistoria no local, a polícia efetuou a prisão em flagrante da responsável.
O auto de prisão cita dois crimes previstos no Estatuto da Pessoa Idosa: submeter idosos a condições desumanas ou degradantes, colocando em risco sua integridade física e psicológica, e apropriar-se de seus bens ou rendimentos de forma indevida.
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Apesar da prisão, a mulher foi liberada na audiência de custódia. O promotor de Justiça Alceu Rocha recorreu da decisão e defende a decretação da prisão preventiva. Segundo ele, a medida é necessária diante da gravidade dos fatos e para garantir o avanço das investigações sem interferências.
MPSC faz alerta às famílias com idosos em asilos
O MPSC orienta que familiares verifiquem se os locais possuem licenças, condições adequadas de higiene e alimentação, além de transparência na administração e qualificação dos profissionais.
Denúncias de maus-tratos, abandono ou exploração financeira podem ser feitas ao Ministério Público, à Polícia Civil ou aos conselhos do idoso. Segundo o órgão, a comunicação desses casos é essencial para interromper abusos e proteger pessoas em situação de vulnerabilidade.

