A instalação de uma unidade da Cáritas Brasileira no Centro de Florianópolis, voltada ao atendimento de pessoas em situação de rua, foi alvo de críticas da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e de outras quatro entidades da Capital. As associações divulgaram, na quarta-feira (8), uma nota conjunta em que afirmam temer riscos à segurança e à economia local com a abertura do serviço.
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A unidade está prevista para operar na Rua João Pinto, no Centro Leste de Florianópolis. A estimativa é que sejam realizados 1,5 mil atendimentos mensais de assessoramento, orientação e encaminhamento para a rede de assistência social e saúde. A Cáritas afirma que o espaço não ofertará refeição, moradia ou pernoite. O lançamento da unidade ocorreu no final de junho.
A CDL, por sua vez, declarou que a escolha do local apresenta um “grave conflito de vocação territorial”. A entidade cita o processo de requalificação urbana e incentivo à economia criativa no Centro Leste e afirma que o atendimento a pessoas em situação de rua na região comprometeria essa revitalização.
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— A região em questão vem se consolidando como um instigante polo gastronômico e de vida noturna da cidade, de modo que a instalação de um centro de acolhimento em um perímetro urbano com alta concentração de estabelecimentos que comercializam bebidas alcoólicas é tecnicamente temerária, expondo a população vulnerável a riscos desnecessários, dificultando o controle social e exacerbando sobremaneira conflitos de convivência no espaço público — diz a CDL.
Além da Câmara de Dirigentes Lojistas, a nota tem a assinatura da Associação de Moradores e Comércio Diurno, Núcleo de Bares e Entretenimento do Centro Leste de Florianópolis, Conselho Comunitário de Segurança – Centro e Sindilojas de Florianópolis e região.
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O documento alega que o adensamento de pessoas em situação de rua na área, considerada de forte apelo turístico e comercial, virá a impactar “negativamente a percepção de segurança e a experiência de moradores e/ou turistas, podendo ensejar um processo de degradação econômica e social”. A nota ainda recomenda que a Prefeitura de Florianópolis impeça a abertura da unidade da Cáritas no local.
Entidade se manifesta sobre atendimento a pessoas em situação de rua em Florianópolis
Em nota enviada ao NSC Total, a Cáritas destacou que o projeto é realizado em parceria com o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania e visa promover “dignidade humana, o acesso a direitos fundamentais e a inclusão social de uma das populações mais vulnerabilizadas de nossa sociedade”.
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Quanto à escolha do local, a entidade destacou que foram observados critérios técnicos rigorosos, considerando a já existente circulação de pessoas em situação de rua na região.
— Ao oferecer um espaço estruturado para orientação e encaminhamento, o projeto atua justamente para mitigar a desassistência nas vias públicas. A presença de uma equipe técnica qualificada contribui ativamente para a organização do espaço urbano, oferecendo suporte para que essa população acesse os serviços públicos de forma cidadã e ordenada, o que beneficia toda a dinâmica do centro da cidade — afirmou.
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— Reafirmamos nossa crença de que o desenvolvimento econômico, a requalificação urbana, o fomento à cultura e ao turismo não são excludentes, e devem caminhar lado a lado com a justiça social. A construção de uma cidade próspera e segura passa, obrigatoriamente, pelo respeito incondicional aos direitos humanos e pelo cuidado com os que mais precisam — concluiu a Cáritas.

