Desde o início da tarde desta sexta-feira (6), o bloco Berbigão do Boca vem fazendo jus ao título de patrimônio cultural e material de Florianópolis, responsável por abrir o Carnaval na Ilha de Santa Catarina há mais de 30 anos. A programação iniciou às 13h, e, depois muita folia, cores e tradições manezinhas, o hino-enredo característico do bloco levou uma multidão a seguir os tradicionais bonecos pelas ruas do Centro de Florianópolis.

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A programação começou às 13h com a abertura do concurso gastronômico, que elege os melhores pratos à base de berbigão. O resultado foi divulgado por volta das 17h, e o prato vencedor foi o “Coxinha da Preta”, que conquistou o paladar dos jurados com uma receita puramente familiar, que teve o pirão de feijão como principal inspiração.

Também integrou a programação do bloco o clássico cerimonial de entrega das chaves da cidade ao Rei Momo, que oficializa o início do Carnaval em Florianópolis. Na sequência, o Grupo Entre Elas embalou o público com músicas de diversos estilos, que foram dos tradicionais ritmos de Carnaval até o sertanejo.

A apresentação encerrou no final da tarde, momento em que iniciaram as preparações para o cortejo. Por volta das 19h, o hino-enredo começou: “É festa prá rachar, é uma coisa louca, vamos botar pra quebrar, no Berbigão do Boca”. Uma multidão seguiu os tradicionais bonecos do Berbigão do Boca pelas ruas do Centro de Florianópolis na noite desta sexta-feira.

Neste ano, o homenageado é Albertino João de Farias Filho, o Tinga do Repinique, considerado um símbolo do samba e da tradição carnavalesca de Florianópolis. Ele foi um dos fundadores da bateria do Berbigão do Boca e participou de 33 carnavais, inclusive na edição de 2025, mesmo já estando doente. Tinga faleceu em junho de 2024.

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Neste ano, o Berbigão do Boca completa 34 anos, e há quem o acompanhe desde o início. É o caso de Kim Rio Apa, advogado de 65 anos que diz frequentar o bloco desde que ele era composto por um pequeno grupo que resolveu homenagear as grandes figuras folclóricas de Florianópolis.

— O Berbigão do Boca é uma das manifestações culturais mais legítimas aqui da Ilha, e sempre que eu posso, eu participo — disse ele ao NSC Total.

Questionado se ia ficar até o fim da folia, por volta das 22h, ele brincou:

— Ah, sim. É obrigatório. Por isso é preciso ter resistência. A gente treina bastante antes — afirma, com bom-humor.

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As referências do bloco tradicional à Ilha da Magia parecem atrair, principalmente, os artistas. Poeta, cantora e artesã, a mineira Leda Monica Fialho, de 74 anos, compareceu pela quarta vez ao Berbigão do Boca, vestida de bruxa.

— Adoro esse Carnaval de “Floripa”, é uma delícia. E gosto muito de fantasias, já me fantasiei em outros carnavais — diz ela.

Leda estava fantasiada de bruxa, personagem icônico na Ilha da Magia (Foto: Yasmin Silva, NSC Total)

Leda mora na Capital há 24 anos e faz parte do Bloco Místico, criado recentemente em Florianópolis. Para Leonardo Garofallis, diretor financeiro e um dos sete fundadores do Berbigão do Boca, o novo bloco é um movimento que ele considera como um dos mais importantes do Berbigão.

— É importantíssimo porque o imaginário manezinho não se desprende de bruxos, bruxas e boitatás, esses entes mitológicos que nós temos. No ano passado, vieram 150 pessoas vestidas dos mais variados personagens e reverenciando, evidentemente, os três grandes magos da Ilha: o Seixas Neto, Maia Filho e Franklin Cascaes — lembra.

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Tradição atrai foliões todos os anos

Andrea Machado Zluhan é professora e, como muitos dos presentes, frequenta o bloco todos os anos.

— É um bloco muito tradicional da nossa cidade, e eu acho que a gente tem que prestigiar. O dia está lindo, o céu bem azul, e por aqui está tudo muito colorido. Vou tentar ficar até o final — diz, com bom-humor.

Teve até pessoas de outros países que programaram as férias para comparecer ao Berbigão do Boca. É o caso das irmãs chilenas Cecilia e Kimena, que aproveitavam o bloco pela segunda vez consecutiva.

— Viemos pelas praias, mas também programamos as nossas férias para “caírem” nas datas do Carnaval. E viríamos mais mil vezes, porque é uma Ilha maravilhosa — disse Cecilia.

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Irmãs chilenas aproveitam o Berbigão do Boca pela segunda vez em Florianópolis (Foto: Yasmin Silva, NSC Total)