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Beto Carrero em Blumenau? Conheça a história perdida do parque no Vale do Itajaí

Dono do parque fez sociedade com empresário blumenauense quando Beto Carrero ainda era um sonho

21/03/2022 - 05h32

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Bianca
Por Bianca Bertoli
Terreno às margens da BR-470 abrigava carpintaria que criava cenários do circo do Beto Carrero
Terreno às margens da BR-470 abrigava carpintaria que criava cenários do circo do Beto Carrero
(Foto: )

Se a história do Beto Carrero World fosse uma árvore, uma das raízes seria Blumenau. Isso porque a cidade foi sede de um dos lugares mais estratégicos para a divulgação da marca de Sérgio Murad, o idealizador do parque. O amor do cowboy de chapéu branco pela região era tanto que não por acaso a primeira área temática do parque de diversão se chama Vila Germânica. 

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Mais de 30 anos depois da parceria com Blumenau terminar, há lembranças que seguem bem vivas na memória de quem testemunhou aquela época. 

Uma verdadeira fábrica de imaginação existia às margens da BR-470, na esquina com a Rua Ari Barroso, no bairro Salto do Norte, onde hoje há um restaurante japonês. Era a carpintaria Loth, responsável por criar vários itens do circo do Beto Carrero. No local, eram montados os cenários, carroças, palcos e ferramentas que levavam o personagem para todo o Brasil na década de 1980.

A existência desse ponto de produção trouxe uma movimentação diferente para o município. Além das visitas de artistas globais, amigos de Sérgio Murad, shows inéditos eram feitos na terra da Oktoberfest. Um dos mais importantes ocorreu no Hotel Himmelblau, no Centro, quando um “Beto Carrero” aventureiro usou um cabo suspenso nas alturas para atravessar de um prédio para o outro.

Como Beto Carrero chegou a Blumenau?

Em meados dos anos 70, João Batista Sérgio Murad era, entre outras funções, um publicitário em busca de anúncios para a revista dele, a Revista da Moda. Blumenau, com as gigantes indústrias têxteis em desenvolvimento, pareceu uma cidade com forte potencial para o que ele precisava. Em uma das vindas, encontrou a carpintaria, que trabalhava com obras de técnicas alemãs, como o prédio da prefeitura e o castelinho da Moellmann.

A primeira parceria entre Sérgio e o dono do estabelecimento, Hugo Loth, foi um conjunto de habitações em um condomínio de São Paulo, o Blumenau Garten, todo feito em estilo enxaimel. Depois, em 1978, Sérgio e Hugo formaram uma sociedade: a carpintaria construiria os cenários dos circos que o publicitário levaria por todo o país na intenção de divulgar o Beto Carrero, o cowboy brasileiro.

Como a demanda era grande, a carpintaria foi para um espaço maior, às margens da rodovia federal, no Salto do Norte. O escritório compartilhado era no imóvel onde atualmente funciona o restaurante. Para testar os itens criados, vez ou outra Sérgio fazia apresentações restritas a convidados. Nos ensaios, era comum ver o famoso cavalo branco dele, que era mantido em uma fazenda de Gaspar.

— Diretores da Rede Globo e atores passaram pela carpintaria. Quando o parque começou a ter vida própria [em Penha] não fazia mais sentido deixar as estruturas pré-montadas em Blumenau — lembra Hugo.

A montagem dos cenários em Blumenau durou cerca de 10 anos. Os circos deram lugar ao parque de diversão construído em Penha. A carpintaria então foi fechada em Blumenau e a maioria dos colaboradores foi para o Litoral Norte erguer a primeira área temática, a Vila Germânica. Alguns deles permanecem trabalhando até hoje no Beto Carrero World.

Parque Beto Carrero em Blumenau?

À época da carpintaria no Salto do Norte, Sérgio Murad recebia toda semana alguns convidados, conta Hugo. Muitos da Rede Globo, já que o publicitário era agente artístico, mas também grandes parceiros para a realização de outros sonhos. O maior deles, a construção de um parque temático.

Para isso, o “Beto Carrero” viajou para os Estados Unidos, Europa e Japão atrás de inspiração. A ideia estava na cabeça, mas faltava um amplo espaço para tirá-la do papel. Hugo revela que Sérgio cogitou várias cidades para abrigarem o parque, como Gaspar, onde ele já tinha a fazenda, Balneário Piçarras e até Blumenau. Mas foi em Penha, com o aeroporto próximo e a isenção fiscal fornecida pela prefeitura para incentivar a implantação, que os olhos brilharam.

Apesar da ligação com Blumenau ter acabado, Hugo divide a admiração que o “Beto Carrero” tinha pela região:

— Ele [Sérgio] gostava da arquitetura, da educação, da confiança que tinha nas pessoas da região. Tanto que quis retribuir o carinho que teve dos blumenauense ao fazer a área temática da Vila Germânica — relembra o agora consultor do parque.

No ano passado, o empreendimento completou três décadas e ganhou um ano inteiro de comemorações, que seguem até dezembro de 2022. Uma das novidades foi a inauguração da área temática Cowboyland, com o novo brinquedo Rebuliço.

Sérgio Murad, o Beto Carrero, morreu em 2008, aos 70 anos. 

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