Os Estados Unidos anunciaram nesta quarta-feira (1º) sanções contra dois brasileiros e três empresas com sede no Brasil, acusados de lavar dinheiro para a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Um dos alvos é o brasileiro Victor Henrique de Oliveira Shimada, apontado pelo governo do presidente Donald Trump como um “elo-chave entre membros da facção na Flórida e traficantes internacionais”.

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Segundo as autoridades norte-americanas, ele teria lavado mais de US$ 30 milhões (cerca de R$ 156 milhões) em diversas cidades dos EUA, utilizando criptomoedas para transferir os valores de volta ao Brasil em nome da facção.

Antes das sanções anunciadas pelo governo Trump, Shimada já era investigado no Brasil. Em julho de 2025, ele foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo por lavagem de dinheiro no escândalo da casa de apostas VaideBet, ex-patrocinadora do Corinthians.

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Nas sanções formalizadas pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, o governo norte-americano afirma que a Victory Trading, empresa da qual Shimada é sócio, foi utilizada para lavar dinheiro desviado de um clube de futebol brasileiro. O comunicado, no entanto, não cita nominalmente o Corinthians. O time passou a ser mencionado nas investigações conduzidas pelas autoridades brasileiras.

EUA contrariam governo federal

Em junho deste ano, o Departamento de Estado dos Estados Unidos classificou o PCC e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, contrariando os pedidos do governo federal. Na avaliação de integrantes do governo brasileiro, a medida, além de interferir no trabalho das autoridades nacionais, abre espaço para ações mais duras e unilaterais do governo Trump contra cidadãos e empresas brasileiras e, em último caso, até para uma intervenção direta em território nacional, como ocorreu na Venezuela em janeiro deste ano.

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O subsecretário norte-americano para Terrorismo e Inteligência Financeira, Gene Lange, afirmou, no comunicado divulgado nesta terça-feira, que o governo Trump está enfrentando a “crescente presença da geração de receitas ilícitas do Primeiro Comando da Capital dentro dos EUA”.

Embora as autoridades brasileiras já tenham denunciado Shimada por lavagem de dinheiro no caso VaideBet, a investigação da Polícia Civil de São Paulo não afirma que ele seja integrante da facção criminosa. Segundo o relatório policial, Victor Shimada estaria inserido em um fluxo financeiro que se cruza com pessoas e empresas citadas em apurações sobre o grupo criminoso.

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Empresa do brasileiro foi citada em delação premiada

De acordo com o relatório da Polícia Civil, Victor Henrique de Oliveira Shimada aparece em uma cadeia financeira que conecta sua empresa à Wave Intermediações e à UJ Football Talent. A empresa foi citada na delação premiada de Antônio Vinicius Lopes Gritzbach por supostamente manter relação com Danilo Lima de Oliveira, conhecido como “Tripa”, apontado pelo delator como integrante da facção.

O promotor Lincoln Gakiya, considerado um dos maiores especialistas no combate ao grupo criminoso, afirma que Victor Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, que também foi alvo das sanções econômicas dos Estados Unidos, não são integrantes da facção.

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“Aqui no Ministério Público de São Paulo não há nenhuma informação de que o Victor, ou mesmo a Stella, ou as empresas ligadas a eles sejam ou estejam relacionadas de alguma forma com o PCC. Nenhuma investigação do Ministério Público aponta para isso”, afirmou Gakiya.

“Nós não temos informação de que ele faça lavagem de dinheiro para o PCC. A não ser que o FBI e o Departamento de Estado norte-americano tenham conseguido essas provas lá”, completou.

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Em nota divulgada pela defesa ao portal Metrópoles e UOL, os advogados de Shimada afirmaram que ainda não tiveram acesso aos documentos oficiais que fundamentaram a decisão das autoridades dos EUA e “negaram veementemente” as acusações. O NSC Total tenta localizar o escritório que representa o empresário no Brasil.

Brasileiros sancionados pelos EUA

Os brasileiros sancionados pelos Estados Unidos são:

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  • Victor Henrique de Oliveira Shimada;
  • Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira.

Também foram sancionadas as empresas:

  • Victory Trading Intermediação de Negócios, Cobranças e Tecnologia Ltda.;
  • Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda.;
  • Wave Construções Inteligentes Ltda.;
  • Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda. (Portugal).

Segundo o governo dos Estados Unidos, Victor, Stella e as empresas citadas integrariam uma rede internacional de lavagem de dinheiro ligada a facção, investigada na Flórida. De acordo com o comunicado, outros seis suspeitos de integrar esse esquema foram presos em janeiro deste ano no estado norte-americano.

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