nsc
    hora_de_sc

    Histórico

    Câmara de Vereadores de Florianópolis terá a maior bancada feminina dos últimos 85 anos

    Especialista avalia que aumento da representatividade é significativo, mas ainda está abaixo do esperado

    17/11/2020 - 13h10 - Atualizada em: 17/11/2020 - 16h57

    Compartilhe

    Carolina
    Por Carolina Fernandes
    veradoras-florianópolis-2021
    Candidatas eleitas acreditam que união feminina pode acontecer na câmara
    (Foto: )

    Em 2021, a Câmara de Vereadores de Florianópolis terá o maior número de mulheres entre os eleitos desde a primeira legislatura composta em 1936. Cinco mulheres de diferentes partidos foram eleitas domingo e serão as próximas vereadoras da cidade. Juntas as cinco candidatas fizeram 11.068 votos. Manu Vieira (NOVO) foi a mais votada, com 3.522, seguida por Carla Ayres (PT) , 2.094, e Pri Fernandes (PODE) que contabilizou 2.092 votos. 

    >> Conheça os 23 vereadores eleitos em Florianópolis nas eleições 2020

    >> Mais mulheres e renovação: o perfil da nova Câmara de Vereadores de Florianópolis

    Para a cientista política Anais Passos o número de eleitas é importante, mas ainda é baixo, mesmo com a lei eleitoral estabelecendo que cada partido deve indicar no mínimo 30% de mulheres filiadas para concorrer ao pleito:

    — Esse aumento é significativo, saiu de uma vereadora para cinco. Mas ainda é um número pequeno. A explicação para esse problema é multicausal, envolve questões culturais e das próprias instituições. Podemos citar, por exemplo, a cultura patriarcal, o serviço doméstico que acaba sobrecarregando elas e o fato de que mulheres recebem menos recursos dos partidos. Nos últimos anos vemos um aumento da representatividade feminina na política local, mas ainda é algo muito lento.

    Na avaliação de Anais, mesmo com a tímida proporção de mulheres eleitas, o pleito deste ano trouxe uma demanda que a sociedade vem gerindo nos últimos anos. 

    — Na última década houve um florescimento do movimento feminista. Teve um movimento político que tem defendido votar em mulheres. A eleição dessas mulheres é fruto deste movimento da sociedade que tem problematizado a questão da representatividade feminina na política — conclui. 

    No pleito de 2016 somente uma mulher, Maria da Graça Dutra (DEM), havia sido eleita na Capital, representando 4% da composição da Câmara. No ano que vem as cinco, ou as 9 mulheres, se levarmos em conta a candidatura coletiva, acreditam em uma união feminina, mesmo representando partidos e visões políticas diferentes. Todas acham que a expressiva eleição de mulheres indica a busca dos eleitores por mais representatividade. 

    O que pensam as vereadoras eleitas: 

    Manuela Vieira (NOVO) tem 38 anos, é natural de Florianópolis e nutricionista: 

    — A união feminina acontecerá, espero, em pautas que queiram o melhor para a cidade. Talvez com algumas discordâncias na implementação. Precisamos abrir o espaço para as pessoas se envolverem com a cidade e ser uma voz feminina possibilita isso. Porém, antes de tudo, sei que represento a liberdade. Sou a única liberal da Câmara e minha defesa será sempre pela menor parcela da sociedade: o indivíduo — afirma.

    Carla Ayres tem 32 anos, é paulista e cientista política. Ela é a primeira vereadora eleita pelo PT na Capital :

    — A importância de eleger tantas mulheres, para mim, é uma expectativa de que a gente consiga reverter a situação de violência contra a mulher e da desigualde de gênero na cidade. Da minha parte sempre há possibilidade de diálogo desde que o foco seja a defesa das mulheres, defesa de um projeto que não agrida os direitos socias, dos trabalhadores e dos mais vulneráveis — disse.

    Priscila Fernandes (PODE) é gaúcha, tem 46 anos e é psicóloga: 

    — O que me deixou feliz é que não serei só eu como representante. Serão 5 mulheres inteligentes e isso é uma representação muito forte. A mulher tem esse olhar mais voltando para as causas humanas, esse ciclo novo na câmara vai ser voltado para as pessoas. Eu quero fazer um trabalho em parceria com todas elas, até para ter uma certa pressão e conseguir ainda mais espaço lá dentro — pontua. 

    Maryanne Mattos (PL) é florianopolitana, tem 44 anos e guarda municipal:

    — As mulheres tem um olhar diferenciado, a gente resolve os problemas sem tanta frescura e com mais praticidade. Claro que eu gostaria que fossem mais mulheres eleitas até chegar aos 50% da Câmara, mas fiquei muito feliz porque todas que foram eleitas defendem pautas muito importantes. São mulheres firmes e isso vai fazer toda a diferença para Florianópolis — afirma. 

    Cintia Moura Mendonça (PSOL), é quem teve seu nome e foto na urna representanto o mandato coletivo. Ela tem 41 anos e é administradora. Suas co-candidatas são: Livia Guilardi, Mayne Goes, Joziléia Kaingang e Marina Caixeta: 

    — Eu só iria me candidatar só fosse desta maneira, coletiva. É a melhor forma para uma mulher ocupar a política. O feminino é coletivo. Na Câmara, terão pautas em que estaremos juntas com as outras vereadoras. Vão ter divergências, mas na maioria das vezes estaremos juntas. Finalmente vamos poder dirigir com a participação de mulheres a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher e Igualdade de Gênero — concluem as cinco.

    > Barroso associa pane do TSE à falta de testes e levanta suspeita sobre milícias digitais

    Histórico das mulheres na Câmara de Vereadores de Florianópolis

    A primeira vereadora eleita em Florianópolis foi Clair Castilhos em 1983. De lá para cá Angela Amin, Jalila Al-Achar, Zuleika Mussi Lenzi, Liacarmen Kleine, Ângela Albino e Maria da Graça foram eleitas. Sendo que de 1993 até 2020, a Câmara foi ocupada por somente uma mulher por legislatura.

    1983/1988 : Clair Castilhos Coelho (PMDB)

    1989/1992 : Clair Castilhos Coelho - Angela Amin (PDS) - Jalila El-Achkar (PV) 

    1993/1996 : Zuleika Mussi Lenzi (PMDB) 

    1997/2000 : Liacarmen Kleine (PCdoB) 

    2005/2008 : Ângela Albino (PCdoB) 

    2017/2020 : Maria da Graça Oliveira Dutra (MDB)

    Entre os 23 eleitos que vão representar os moradores da Capital de SC na Legislatura municipal durante os próximos quatro anos, 11 foram reeleitos e 12 estão no primeiro mandato.

    A maior bancada será do DEM, com quatro vereadores. O PSOL terá três cadeiras, assim como o Podemos. PL, PSC, PSD, PSDB e Republicanos terão duas cadeiras cada, enquanto o Novo e o PT terão uma cadeira para cada um.

    Leia Mais: 

    > Jardinópolis tem empate e prefeito é eleito por ser dois meses mais velho

    > Pitanta comemora 11º mandato em Palhoça: "Indo para o Guinness Book"

    > Não conseguiu justificar a ausência na votação? Saiba o que fazer

    Deixe seu comentário:

    Últimas notícias

    Loading... Todas de Política

    Colunistas