A imagem clássica da família brasileira guardando as chaves do primeiro imóvel próprio parece estar ficando restrita aos álbuns de fotos antigas. Em 2026, a realidade das cidades é ditada por contratos de locação. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, do IBGE, confirmam o que se vê nas ruas: o Brasil atingiu a marca histórica de 19 milhões de lares alugados, um salto de 55% em apenas uma década. O que mudou não foi apenas o desejo de comprar, mas a viabilidade de se realizar esse plano.
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FOTOS: por que a classe média trocou a casa própria pelo aluguel
O “muro” da entrada
O impedimento para a compra hoje não é apenas a capacidade de pagar uma mensalidade, mas o acesso inicial ao crédito. Com a taxa Selic em níveis elevados, os bancos elevaram o rigor e não é raro que as instituições exijam agora 30% do valor do imóvel como entrada.
Para uma família que busca um apartamento de R$ 500 mil, isso significa ter R$ 150 mil na conta apenas para começar o negócio. Em um cenário de custo de vida pressionado, poupar esse montante virou um desafio hercúleo, resultando em cerca de 800 mil famílias empurradas para fora do mercado de compradores nos últimos anos.
O cenário em Santa Catarina
Essa multidão que não consegue financiar acaba batendo na porta do mercado de aluguel. Em Santa Catarina, estado que detém um dos metros quadrados mais valorizados do Brasil, o fenômeno é evidente e a alta demanda faz com que os novos contratos subam em ritmo muito superior aos índices de inflação tradicionais.
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O inquilino catarinense vive hoje um descompasso marcante. Enquanto quem já possui contratos antigos conta com reajustes moderados, quem precisa buscar um novo teto encontra preços de entrada em escalada, transformando o ramo do aluguel em um mercado de disputa acirrada nas maiores regiões.
A era dos prédios geridos por empresas
A mudança é tão profunda que o perfil do locador também está mudando. Se antes o inquilino alugava de uma pessoa física, agora ele começa a alugar de grandes corporações por meio do modelo multifamily, onde prédios inteiros são construídos e operados por empresas focadas exclusivamente em gestão profissional.
Nesse modelo, a moradia é tratada como um serviço similar a uma assinatura. Com o aumento de pessoas morando sozinhas ou casais sem filhos, a flexibilidade da locação ganha espaço, mas essa escolha muitas vezes é a única saída possível. Com o percentual de casas quitadas caindo de 66,8% para 61,6% no país, o Brasil se desenha como um lugar onde a posse dá lugar ao uso permanente.
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*Com edição de Luiz Daudt Junior.








