Quem transita pelas ruas de Itajaí certamente já se deparou com uma construção imponente de pedras no meio da cidade. O casarão, que foi inaugurado em 1942, é o Herbário Barbosa Rodrigues (HBR), e conta com mais de 70 mil espécimes de plantas, algas e fungos herborizados, além de ser destaque nacional.

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O local é administrado pela Universidade do Vale do Itajaí (Univali), desde 2022, e há mais de dez anos está com e o acesso restrito apenas a pesquisadores. A estrutura histórica passa por uma revitalização até estar disponível para receber visitantes e apaixonados pela botânica novamente.

Veja fotos do Herbário Barbosa Rodrigues

Mostra gratuita

Enquanto o acesso no HBR é limitado, a instituição encontrou uma maneira de levar o legado do herbário à população. A exposição “Raízes do Tempo: O legado do Herbário Barbosa Rodrigues”, está aberta para visitações gratuitas até o dia 16 de maio, na Galeria de Arte da Univali de Itajaí.

A proposta da mostra é que o visitante entre no universo dos botânicos Raulino Reitz e Roberto Miguel Klein, que atuaram em parceria para realizar atividades de coleta, documentação e interpretação da flora catarinense, que resultaram no acervo que hoje compõe o Herbário Barbosa Rodrigues.

Estão expostas fotografias históricas, objetos cotidianos da prática botânica, aquarelas de Domingos Fossari que ilustram bromélias que foram estudadas por Reitz, também fundador do HBR. Além de Litografias da obra História Naturalis Palmarum, de Carl Friedrich Philipp von Martius, que também compõem o acervo.

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O vice-reitor da Univali, professor Valdir Cechinel Filho, destaca que a mostra é uma excelente oportunidade de vivenciar o trabalho do herbário, e entender como a instituição funciona.

— Quem visitar a exposição terá a oportunidade de se aproximar da experiência vivida pelo Raulino Reitz e Roberto Miguel Klein, documentadas em suas práticas de campo, registros visuais e na construção do próprio Herbário. O público vai perceber este encontro entre memória científica e história local, que ajudam a reforçar a importância do legado do Herbário Barbosa Rodrigues para o cenário cultural e ambiental itajaiense — afirma.

Oficina prática

Além da exposição, a Galeria de Arte Univali promove a oficina “Como Preservar Plantas em Caderno”, no dia 22 de abril, conduzida pelo curador do HBR, Luis Adriano Funez. A atividade acontece das 17h às 20h, com participação gratuita e vagas limitadas. Para se inscrever, é necessário enviar um e-mail paragaleriadearteunivali@univali.br. A oficina é aberta tanto para acadêmicos quanto para a comunidade em geral

O HBR nos dias de hoje

Restrito apenas para pesquisadores atualmente, o trabalho no Herbário continua sendo realizado diariamente. Entre os profissionais que atuam no local está o pesquisador Luís Adriano Funez, que já publicou 33 espécies de plantas inéditas para a ciência sendo, muitas delas, extremamente raras e ameaçadas de desaparecimento.

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O pesquisador é natural de Blumenau, e se dedica à observação e registro sistemático de espécies vegetais, é graduado em Ciências Biológicas pela Fundação Universidade Regional de Blumenau (FURB) e possui mestrado e doutorado em Botânica pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). 

A história do herbário

A história do HBR começa em 1942, com o padre Raulino Reitz, que criou o herbário a partir de uma pequena coleção de plantas medicinais. Apaixonado pela botânica, ele se especializou nos Estados Unidos em 1955, realizou centenas de expedições e percorreu cerca de um milhão de quilômetros em busca de espécies vegetais.

Fundador do órgão ambiental de Santa Catarina, Reitz foi responsável pela criação de importantes áreas protegidas e pela descrição de diversas espécies, especialmente bromélias, seu principal foco de estudo. Em 1990, recebeu no México o Prêmio Global 500 e, pouco tempo depois, faleceu após sofrer um mal súbito durante uma cerimônia em sua homenagem no Brasil.

Parceiro inseparável de Reitz, o botânico Roberto Miguel Klein assumiu a curadoria do herbário em 1953, função que exerceu até o seu falecimento em 1992. Doutor em Botânica pela USP, Klein teve papel importante no avanço do conhecimento sobre a flora catarinense, com destaque para estudos sobre árvores nativas, classificação botânica, ecologia e possíveis usos das espécies.

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Em 1971, Zilda Helena Deschamps Bernardes passou a integrar a equipe do HBR a convite de Raulino Reitz. Ela atuava como secretária administrativa e conciliava a função com seu compromisso com o herbário. Após a morte de Reitz e de Roberto Miguel Klein, Zilda e o marido, Jurandir, assumiram a responsabilidade pelo HBR, e se dedicaram ao espaço por quase cinco décadas.

Univali assume tutela

Após um longo processo de negociação, a Univali assumiu oficialmente a gestão do Herbário Barbosa Rodrigues, sob a responsabilidade do reitor, professor Dr. Valdir Cechinel Filho, em 2022. Com mais de 30 anos de atuação científica no estudo de plantas, o reitor é químico de formação, autor de 50 livros e de mais de 400 artigos voltados à fitoquímica e ao uso da biodiversidade vegetal.

Segundo a universidade, com a institucionalização do HBR, a expectativa é de ampliação das possibilidades de investimento, revitalização das estruturas e preservação do acervo histórico-científico.