A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quinta-feira (7) mais uma etapa da Operação Compliance Zero, investigação que apura suspeitas de fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master.

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Entre os alvos está o presidente do Partido Progressistas, senador Ciro Nogueira (PI). A PF realiza mandados de busca e apreensão em imóveis ligados ao parlamentar em Brasília e no Piauí. Ele também foi proibido de manter contato com os demais investigados.

O irmão do senador, Raimundo Nogueira, também é alvo da operação. Já Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro, teve mandado de prisão expedido e foi detido na manhã desta quinta-feira em Minas Gerais, conforme informou o blog da jornalista Camila Bomfim, no g1.

De acordo com a decisão judicial, a PF identificou “a suposta conduta do senador em favor do banqueiro, em troca do recebimento de vantagens econômicas indevidas”.

Em nota, a defesa de Ciro Nogueira afirmou que o senador está comprometido “em contribuir com a Justiça, a fim de esclarecer que não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados”, além de permanecer “à disposição para esclarecimentos”.

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Os advogados também disseram que o parlamentar rejeita “qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar”.

“Medidas investigativas graves e invasivas tomadas com base em mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros, podem se mostrar precipitadas e merecem a devida reflexão e controle severo de legalidade, tema que deverá ser enfrentado tecnicamente pelas Cortes Superiores muito em breve, assim como ocorreu com o uso indiscriminado de delações premiadas”, afirma trecho da nota.

Quem são os três principais alvos desta quinta-feira?

  • Ciro Nogueira: senador pelo Piauí, ex-ministro da Casa Civil do governo Jair Bolsonaro e atual presidente nacional do Progressistas (PP). Na nova fase da Operação Compliance Zero, a PF o aponta como possível destinatário de vantagens indevidas ligadas a Daniel Vorcaro.
  • Raimundo Nogueira: empresário e irmão de Ciro Nogueira. Ele administrava a empresa CNLF, investigada por adquirir ações da Green Investimentos, ligada a Felipe Cançado Vorcaro, por valor abaixo do mercado.
  • Felipe Cançado Vorcaro: primo de Daniel Vorcaro e apontado pela PF como operador financeiro do esquema investigado. Foi preso na nova fase da Compliance Zero e, segundo investigadores, atuava na execução das movimentações financeiras e societárias ligadas ao caso.

Compliance Zero

Ao todo, a Polícia Federal cumpre 10 mandados de busca e apreensão e um de prisão temporária nos estados do Piauí, São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal. As ordens foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

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A nova fase da operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, relator do caso no STF. A decisão também determinou o bloqueio de bens, direitos e valores estimados em R$ 18,85 milhões.

Segundo Mendonça, há elementos que indicam a possível prática dos crimes de corrupção passiva, corrupção ativa, organização criminosa, lavagem de dinheiro e crimes contra o sistema financeiro nacional.

A Operação Compliance Zero investiga um esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo a venda de títulos de crédito falsos pelo Banco Master. O nome da operação faz referência à ausência de mecanismos internos de controle nas instituições investigadas para impedir crimes de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e manipulação de mercado.

O caso do Banco Master

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PF aponta Ciro Nogueira como “destinatário central” de vantagens indevidas

A investigação da PF aponta que o senador Ciro Nogueira seria o “destinatário central” de vantagens indevidas supostamente oferecidas por Daniel Vorcaro.

Conforme o relatório da PF citado na decisão que embasou a operação desta quinta-feira, o senador teria “instrumentalizado o exercício do mandato parlamentar em favor dos interesses privados” do proprietário do Banco Master.

Os investigadores apontam ainda o recebimento frequente de vantagens, como pagamentos mensais, aquisição de participação empresarial com desconto considerado elevado, custeio de despesas pessoais e utilização de bens de alto valor. Também há indícios de entrega de dinheiro em espécie.

Uma das situações mencionadas na decisão de André Mendonça envolve a compra, por Ciro Nogueira, de ações de uma empresa de Vorcaro por R$ 1 milhão. Segundo a investigação, os papéis teriam valor estimado em R$ 13 milhões.

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De acordo com o blog da jornalista Andréia Sadi, a PF também identificou indícios do pagamento de uma espécie de “mesada” ao senador por Daniel Vorcaro.

Conversas interceptadas entre Daniel Vorcaro e o operador financeiro Felipe Vorcaro indicariam valores entre R$ 300 mil e R$ 500 mil.

*Com informações do g1 e CNN Brasil