O Ministério Público de Santa Catarina constituiu, nesta segunda-feira (2), o grupo de trabalho com os promotores de Justiça que devem fazer a análise técnica das novas diligências solicitadas pelo órgão à Polícia Civil, finalizadas no final de fevereiro, sobre a morte do cão Orelha em Florianópolis. O prazo para a conclusão da análise é de 30 dias, conforme apuração do jornalista Raphael Faraco, da NSC TV.

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A análise técnica deve ser feita tanto dos novos vídeos da investigação sobre a morte do cão comunitário, enviados no dia 25 de fevereiro, quanto dos celulares apreendidos dos investigados. Os aparelhos haviam sido apreendidos após o cumprimento de mandados de busca e enviados para a Polícia Científica, com dados extraídos.

Os promotores de Justiça que devem coordenar os trabalhos de análise devem ser os mesmos que já trabalham no caso, da 10° Promotoria de Justiça, da área da infância e juventude, e da 2ª Promotoria de Justiça, que atua na área criminal.

Veja fotos de Orelha

Novas diligências

O pedido do MPSC para a realização de novas diligências tinha como objetivo buscar novas provas que envolvem a morte do cachorro e diversos atos infracionais atribuídos a adolescentes, como furto qualificado, injúria, ameaça e maus-tratos a animais, conforme informações divulgadas com exclusividade pelo colunista da NSC Ânderson Silva.

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De acordo com a Polícia Civil, foram realizados outros 26 atos de investigação e cumpridas mais 61 diligências complementares. Segundo a autoridade policial, as novas provas corroboram as conclusões iniciais do inquérito, concluído no dia 3 de fevereiro, com o pedido de internação de um adolescente apontado como responsável pela morte do cachorro e a representação de outros quatro adolescentes pelo caso do cão Caramelo, que também sofreu agressões, mas sobreviveu.

As novas diligências foram realizadas por 15 policiais civis e cinco policiais científicos, com apuração da Delegacia Especializada de Adolescentes em Conflito com a Lei e da Delegacia de Proteção Animal. Também apoiaram a Diretoria de Polícia da Grande Florianópolis, da Diretoria de Inteligência, do Ciber Lab da Polícia Civil, da Delegacia do Aeroporto, da Força-Tarefa e da Polícia Científica.

Orelha morreu em janeiro

Orelha foi encontrado agonizando na praia no dia 5 de janeiro por moradores. Ele foi levado ao veterinário, mas, devido aos ferimentos, não resistiu. Derli Royer, responsável pelo socorro emergencial, contou que o animal tinha lesões graves na cabeça e no olho esquerdo, além de forte desidratação.

O laudo da Polícia Científica mostra que Orelha levou um golpe forte na cabeça, possivelmente causado por um chute ou por um objeto rígido, como madeira ou uma garrafa. Ao todo, 24 testemunhas foram ouvidas e oito adolescentes chegaram a ser investigados ao longo do processo.

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No dia 3 de fevereiro, a Polícia Civil de Santa Catarina pediu a internação de um adolescente apontado como responsável pela morte do cão Orelha. Outros quatro adolescentes foram representados pelo caso do cão Caramelo.

NSC Total e todas as plataformas da NSC não divulgam o nome, nem a identidade dos adolescentes suspeitos em total respeito e consonância ao que determina o artigo 143 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que veda a “divulgação de atos judiciais, policiais e administrativos que digam respeito a crianças e adolescentes a que se atribua autoria de ato infracional”.