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Catarinense conta como superou a Covid na gravidez e com diabetes

Danúbia Leida contraiu coronavírus sem acreditar na gravidade da doença. Hoje, depois de passar 19 dias na UTI, ela precisa tomar remédios para superar os medos

13/03/2021 - 06h00

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Maria Eduarda
Por Maria Eduarda Dalponte

De surpresa, o coronavírus entrou na casa de Danúbia Leida, uma advogada de Maravilha, no Oeste de Santa Catarina. Ela, a filha Ana Clara, de 9 anos, e o marido John Éder, foram contaminados. O problema para Danúbia é que ela é do grupo de risco, devido à diabetes, e estava grávida. Sem aviso prévio, o vírus tirou seu ar. Danúbia precisou passar 19 longos dias na UTI de Chapecó. Felizmente, essa história terminou com a advogada em casa, segurando Maria Luiza, sua filha recém-nascida, no colo.

Danúbia contraiu Covid no final da gestação

Pouco antes do início da pandemia, Danúbia descobriu que estava grávida. Foi um choque para o casal, que já tinha pensado em ter um segundo filho, mas mudou de plano. Na semana em que foi publicado o primeiro decreto com restrições em Santa Catarina, em março do ano passado, Danúbia viajou para Chapecó a trabalho. Quando voltou para Maravilha e precisou parar o seu escritório de advocacia, ficou com medo de ter pegado o temido vírus. Mas a Covid-19 ainda não tinha chegado na região - os casos foram confirmados mais tarde.

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Com o passar dos dias e o retorno das atividades no escritório, Danúbia conta que o medo foi indo embora e a gestação da segunda filha não foi tão diferente da primeira. O maior sufoco aconteceu nos primeiros dias da pandemia, quando a advogada precisou fazer alguns exames e não encontrou consultórios abertos.

Danúbia e sua família reunida para um ensaio fotográfico de gestante
Danúbia e sua família reunida para um ensaio fotográfico de gestante
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Os dias se passaram, até que em setembro, Silvani Luchini, sua sócia, ligou avisando que estava com coronavírus. O escritório precisou fechar as portas por 10 dias. Nesse meio tempo, Danúbia e John, que trabalha em um mercado da região, fizeram da casa seus escritórios.

Os primeiros sintomas começaram a surgir no final dos dias de isolamento, mas mascarados. Durante toda a gravidez, a advogada apresentou tosse e tomou alguns remédios. Quando faltou o ar, Danúbia foi para a triagem e dois testes deram negativo. O sintoma estava relacionado com os oito meses da gestação, diziam os médicos.

Danúbia piorou e John, o marido, levou ela para o hospital pedindo que a atendessem. O terceiro teste teve resultado positivo para coronavírus e o raio X mostrou que ela estava com o pulmão muito comprometido.

O nascimento de Maria Luiza

Os médicos imaginaram que o parto poderia ter que acontecer a qualquer momento e, por isso, transferiram Danúbia para Chapecó, onde há UTI neonatal e para adultos, e seria possível salvar as duas vidas. Foi aí que começaram os dias mais longos da vida de John. Sabendo que ela teria que ser transferida, o marido correu para a casa e pegou algumas roupas para a esposa e para a filha que estava na barriga, com a esperança de que tudo desse certo.

Chegando em Chapecó, John não podia ir até o hospital e começou a receber as notícias por telefone. “Vamos começar o tratamento com ventilação e não faremos o parto”, disseram os profissionais da saúde na primeira ligação. “Ela piorou muito, vamos ter que fazer a cesárea”, falaram os médicos em uma segunda ligação logo em seguida.

Mais de 6 horas se passaram e John não sabia se a segunda filha tinha vindo ao mundo. Mas, à 1h50 do dia 7 de outubro de 2020, Maria Luiza nasceu após ficar 35 semanas na barriga de Danúbia. Às 6h, os médicos deram a notícia de que a recém-nascida estava muito bem e que alguém precisaria ir para o hospital ficar com ela. Prontamente, o pai foi conhecer a filha.

Quando Maria Luiza foi transferida para o quarto, John pôde ficar com ela
Quando Maria Luiza foi transferida para o quarto, John pôde ficar com ela
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A pequena voltou para casa e a família do casal se mobilizou para ajudar a cuidar das duas crianças. Nesse momento, Danúbia estava em estado grave na UTI de Chapecó. O tempo foi passando e a família esperava todos os dias por uma notícia. Os médicos ligavam e informavam sobre as últimas 24 horas. Os parentes tiveram notícias de piora e de estabilidade. John criou uma lista de transmissão para informar os interessados da cidade sobre o estado de saúde de Danúbia.

Nos piores dias em casa, a gente se pegava muito emocionado. Corria até um canto para chorar um pouquinho e desabafar. Graças a Deus, essa minha filha mais velha de 9 anos, a Ana Clara, sempre foi a que mais me deu apoio. Eu achei que ia ter que segurar a onda dela e ela que segurou a minha barra nesses 19 dias angustiantes que a Danúbia estava na UTI — contou John.

A recuperação de Danúbia

Duas semanas depois, os médicos ligaram dizendo que Danúbia não estava reagindo e que se continuasse assim eles teriam que dar um antibiótico que poderia deixar sequelas.

— Eu escutei isso e melhorei — disse Danúbia, em tom de brincadeira.

Acordar do coma é como acordar de um sonho, conta Danúbia. Ela relata que começou a ouvir barulhos e enxergar uma luz forte. O que ela mais sentia era sede. Quando as enfermeiras davam ampola de água, era um alívio. Quando acordou, a mãe de Maria Luiza colocou a mão na barriga, sem entender o que estava acontecendo. As enfermeiras contaram que a criança estava em casa e bem.

Quando Danubia começou a recuperação, John foi ao hospital de Chapecó fazer companhia
Na recuperação de Danubia, John foi ao hospital de Chapecó fazer companhia
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— Elas falavam no meu ouvido que a Maria estava bem, me mostravam foto, mas eu não acreditava. Só acreditei mesmo quando fiquei melhor, e vi ela por videochamada — conta a advogada.

Aos poucos, Danúbia voltou à realidade, aprendeu a comer e a andar novamente, devagarinho. Dia após dia, era uma evolução. Quando a mãe da Ana Clara e da Maria Luiza foi para o quarto, John pode vê-la. Fora da UTI, Danúbia pegou o telefone celular com o marido e mandou para o grupo da família: “Se preparem que eu quero comer comida de verdade. Quero uma carne gorda e mal passada”.

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Final feliz! E agora?

Promessa cumprida! Ao sair do hospital, a advogada foi direto para o sítio em Maravilha e foi recepcionada pela família, com direito a festa, balão e churrasco. Ana Clara, quando viu a mãe no carro, correu para um abraço apertado. Maria Luiza estava no colo dos avós e assim conheceu a própria mãe.

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— No dia que eu saí do hospital a sensação foi maravilhosa. Mas depois que eu vi a gravidade do que tinha acontecido, fui ficando bastante preocupada. Tive que consultar com cardiologista, fisioterapeuta. Estou tomando medicamento para superar os traumas e medos que ficam. A ansiedade vem com perguntas como “será que eu vou ficar bem?”, “será que vai dar tudo certo?"— desabafa Danúbia.

Com o passar dos dias, a ansiedade cresce em Danúbia. Os relatos de pessoas morrendo tempos depois de pegar Covid assustam a advogada. E ela se pergunta:

Se fosse hoje, aconteceria a mesma coisa comigo? Porque para a Maria teria UTI Neonatal e, para mim, teria de adulto? — reflete a advogada.
Após 19 dias na UTI, Danubia voltou aos poucos a sua rotina
Após 19 dias na UTI, Danubia voltou aos poucos a sua rotina
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Depois de vencer a Covid-19, a família de Danúbia entendeu a gravidade da doença, que pode ser assintomática para alguns e letal para outros. Hoje, eles podem contar uma história com um final feliz, diferente dos quase 300 mil brasileiros que perderam seus entes queridos nesse ano de pandemia.

— Eu era uma pessoa um pouco cética e não acreditava muito no assunto. Achei que ela não era tão problemática como foi. A gente precisou passar por isso tudo para entender como era mesmo. Eu peguei e só tive que tomar uns remedinhos, minha filha não tomou nada e a Danúbia passou por tudo aquilo. É uma doença muito grave — alerta John, o marido de Danúbia.

*Com supervisão de Vinícius Dias

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