O Centro de Florianópolis ganhou um mural grafitado que homenageia Zininho, o poeta e compositor Cláudio Alvim Barbosa. A obra assinada pelo artista Léo Furtado toma agora com cores um paredão de 70 metros quadrados na esquina da rua Conselheiro Mafra com a Praça XV de Novembro.

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O grafite, alocado na parte externa de uma agência bancária da Caixa e que leva o nome do poeta, exibe um sorridente Zininho com a partitura de “Rancho de Amor à Ilha” em mãos, composição dele que virou hino de Florianópolis. Ele ainda aparece disposto para a figueira da praça, sobre a qual também cantou.

— O Zininho é o poeta maior que essa ilha já teve conhecimento. Só ele conseguiu traduzir tão bem o sentimento da sua ilha em sua época. E certas coisas continuam ainda muito atuais — afirma o grafiteiro Léo Furtado sobre o poeta, que faleceu em 5 de setembro de 1998, aos 69 anos.

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Furtado diz que a escolha do espaço foi meticulosa: o trecho costuma ser palco de fanfarras de Carnaval, bandas marciais e excursões escolares que entoam o hino composto por Zininho, com trechos lembrados por um mural de azulejos de Rodrigo de Haro, outro artista ícone da ilha, também exposto no local.

— Ele é o poeta que andava na rua, que se misturava com as multidões, nos bares. Só ele conseguiu ver essa ilha do jeito que as pessoas também viam e não conseguiam expressar — acrescenta Furtado.

A pintura do mural levou oito dias, intervalo em que ocorreu o Street Art Tour Festival na cidade. O artista precisou passar o período em cima de um andaime de 12 metros, onde lidou com sol forte e chuva.

— Durante o processo de pintura, a resposta do público foi imediata. O paçoqueiro ambulante me dava paçoca. O executivo apressado parava o seu ritmo e aplaudia. A pessoa em situação de rua aplaudia igualmente. As crianças cantaram o hino. Os manézinhos reconheceram quem estava ali estampado — diz o grafiteiro sobre a recepção calorosa à obra, o que lhe deu energia para realizar o trabalho.

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Furtado diz esperar que o mural possa inspirar a manutenção da Florianópolis cantada por Zininho, em resistência à especulação imobiliária e à irresponsabilidade ambiental, e que a curiosidade sobre o grafite ajude a levar a história do poeta símbolo também para turistas e moradores recém-chegados à ilha.

— São Paulo tem Adoniran Barbosa, o Rio tem Vinícius de Moraes, e a gente tem Zininho — diz o grafiteiro.

Veja fotos do mural de Zininho

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