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UMA NOVA VISÃO

Cidades apostam no convívio com o Itajaí-Açu para que moradores "façam as pazes" com o rio

Obras têm como objetivo tornar o Itajaí-Açu um atrativo de lazer na região

02/10/2021 - 07h00 - Atualizada em: 03/10/2021 - 17h56

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Talita
Por Talita Catie
Em Gaspar, um mirante foi construído para moradores apreciarem a paisagem do rio
Em Gaspar, um mirante foi construído para moradores apreciarem a paisagem do rio
(Foto: )

Já imaginou poder se sentar numa arquibancada e desfrutar de um pôr do sol às margens do Itajaí-Açu? Ou então fazer um passeio de barco no rio por onde chegaram os colonizadores do Vale? Essas são possibilidades próximas de se tornarem realidade fruto de uma percepção do poder público: é preciso estreitar a relação dos moradores com o gigante sinuoso que corre em direção ao mar.

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Décadas atrás o Itajaí-Açu era instrumento de lazer. A historiadora Sueli Petry lembra, por exemplo, dos piqueniques às margens do rio, dos campeonatos de canoagem, dos concursos de pesca ao robalo, da escolinha de natação bem no meio do maior curso d’água do Vale. As fotos do Arquivo Histórico de Blumenau são repletas de boas recordações tendo ele como cenário.

O professor Lauro Bacca também recorda os tempos áureos do local. Ele conta que em 1970 tinha até guarda-vidas na Prainha por causa da quantidade de banhistas. E por falar nela, não se pode esquecer o lendário Skol Rock. O festival levou milhares de pessoas às margens do Itajaí-Açu entre 1994 e 1996. Como não lembrar dos Mamonas Assassinas reunindo 42 mil pessoas em plena curva do rio?

O tempo passou, o movimento acabou e os eventos praticamente desapareceram. Mas uma iniciativa relativamente recente, o Blumenau a Bordo, mostrou que o público é receptivo a boas iniciativas. Agora Blumenau e Gaspar investem em infraestrutura para chamar a atenção da iniciativa privada, com o objetivo de atrair eventos para a comunidade.

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— O rio é muito pouco usado e nós temos buscado, através das obras, esse reconhecimento da importância do Itajaí-Açu. Estamos enquanto cidade se reencontrado com o rio — diz o secretário de Turismo e Lazer de Blumenau, Marcelo Greuel.

Em Gaspar o prefeito Kleber Wan-Dall chama atenção à mudança de percepção das pessoas diante do rio, sempre muito relacionada aos episódios de cheia. A proposta dele é, além de estruturas de lazer, provocar uma reflexão ambiental, voltada à conscientização quanto à preservação, e também de resgate histórico.

— A ideia é, na medida do possível, dar um outro olhar para o rio. Até porque se a gente não vê, a gente não cuida — afirma.

Confira os projetos de Blumenau e Gaspar

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