O Brasil completa três décadas da Lei Antifumo (Lei nº 9.294/1996) enfrentando um paradoxo geracional. A proibição do tabaco em recintos coletivos reduziu os fumantes tradicionais de 35% para 9,3% em quase trinta anos. Porém, dados do Ministério da Saúde indicam que a taxa geral de tabagismo subiu para 11,6% só em 2023. O motivo é o surgimento dos cigarros eletrônicos, adotados por jovens que cresceram longe da fumaça comum e que agora mudam a dinâmica da saúde pública.
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FOTOS: O avanço dos vapes e a fiscalização do tabagismo
Disparada do cigarro eletrônico nos estados
Os novos hábitos redesenham o mapa do tabagismo nacional. O Paraná lidera o consumo de vapes entre adultos, com 4,5% da população utilizando os dispositivos. O fácil acesso a produtos contrabandeados pela fronteira com o Paraguai impulsiona o cenário, concentrando a maioria das apreensões feitas pela Polícia Rodoviária Federal.
Em Santa Catarina, a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) do IBGE mostra que 38,7% dos estudantes já experimentaram o dispositivo, o sexto maior índice do país. O avanço local contrasta com a queda de 38,7% no número de fumantes tradicionais adultos no estado. A experimentação catarinense é maior entre meninas (41,5%) do que meninos (36%). Na capital, Florianópolis, um levantamento do projeto Ergotox da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em escolas públicas apontou que 27,4% dos alunos já testaram os aparelhos.
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O mercado clandestino avança em outras regiões. O Distrito Federal lidera a experimentação entre escolares com 43,7%, seguido por Goiás com 39,2%. Dados indicam que moradores do Sul têm probabilidade 48% maior de consumir cigarro eletrônico que as demais regiões, registrando média regional de 38,3% de experimentação jovem, contra 29,6% da média nacional.
Impasse na fiscalização e riscos à saúde
O fenômeno traz a nicotina de volta para espaços sociais fechados, contornando a lei de 1996 por meio de aparelhos sem combustão. Para conter o avanço, propostas na Câmara dos Deputados tentam proibir a venda de qualquer produto fumígeno para nascidos após 2009.
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Proibidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde 2009, os vapes entram no país via mercado ilegal, com vendas focadas em redes sociais, serviços de entrega e festas. O desafio do controle esbarra nas essências aromatizadas que mascaram os riscos e atraem menores de idade. Entidades médicas alertam que a percepção de segurança do vapor sabota as regras antifumo originais em bares e eventos.
Os vapes possuem altas concentrações de nicotina e químicos que causam inflamações pulmonares e dependência. Diante do vício, mais de 21 mil pessoas buscaram atendimento para parar de fumar em Santa Catarina pelo Sistema Único de Saúde (SUS); 17.796 iniciaram o tratamento e 7.523 abandonaram a substância.
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*Com edição de Nicoly Souza







