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Cirurgias represadas durante pandemia são demanda para saúde de SC

Investimento em saúde a longo prazo é o quinto eixo do projeto SC Ainda Melhor, da NSC, que aponta caminhos para o Estado nos próximos anos

24/06/2022 - 16h24

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Por Jean Laurindo
Leitos como os inaugurados em hospital de Joinville nesta semana são demandas da saúde
Leitos como os inaugurados em hospital de Joinville nesta semana são demandas da saúde
(Foto: )

A saúde historicamente é uma das maiores preocupações da população e sempre aparece com força nas pautas das discussões eleitorais. Desde 2020, o trabalho dos profissionais de saúde e a estrutura oferecida para dar suporte aos atendimentos durante a pandemia de Covid-19 deixou o Sistema Único de Saúde (SUS) ainda mais em evidência. Mas a mesma pandemia que mobilizou mais recursos também impôs consequências, como o represamento de atendimentos e cirurgias eletivas.

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Investimento em saúde a longo prazo é o quinto e último eixo escolhido por entidades catarinenses consultadas no projeto SC Ainda Melhor, da NSC Comunicação. A iniciativa aponta caminhos ao longo da campanha eleitoral de 2022 para promover o fortalecimento do Estado nos próximos anos.

Embora o planejamento de longo prazo seja considerado essencial, a maior preocupação de especialistas em saúde é lidar com a demanda reprimida de atendimentos. O principal efeito da pandemia na saúde de SC foi o acúmulo de cirurgias eletivas, adiadas ou paralisadas durante os períodos mais críticos da Covid-19. O governo do Estado divulga que o volume de pessoas aguardando por cirurgias eletivas passou de 40 mil antes da pandemia para 100 mil após a crise de saúde.

A situação afeta pacientes como a pequena Ágata, de apenas 3 anos. A mãe dela, Adelaide Ferreira, conta que a filha está na fila de espera por uma cirurgia de adenoide diagnosticada há cerca de um ano. Na última vez que ela foi informada, soube que havia mais de 400 pacientes na frente dela, e que não há previsão para o procedimento. Enquanto isso, a menina sofre com dificuldade para dormir e respirar.

— A gente espera que melhore a saúde porque do jeito que está, não dá. Tem muita criança esperando — cobra.

O especialista em Saúde Pública da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Sergio Fernando Torres de Freitas, avalia que o Estado só deve voltar a ter níveis aceitáveis de filas de cirurgias eletivas no fim de 2023.

— Por mais que a epidemia se reverta para níveis muito baixos, o sistema vai estar sobrecarregado por conta das doenças crônico-degenerativas, que vieram se agravando ao longo do tempo e que não tiveram espaço para ser tratadas. Agora temos casos de doenças agudas comprometendo o sistema e as crônicas vão ficando para o segundo momento — afirma, pontuando que em alguns casos os pacientes já chegam até em estágios mais avançados e que requerem procedimentos mais complexos.

Como alternativa para resolver o problema, o especialista aponta a possibilidade de aumentar os recursos e o número de leitos de centro cirúrgico e UTIs. No entanto, ele considera as medidas de “difícil implementação”, sobretudo no contexto atual, em que as estruturas hospitalares ainda estão sobrecarregadas, na maior parte por casos de síndrome gripal.

— Esse [paciente] que pode esperar vai sendo adiado, tanto que muitas vezes ele se torna um caso urgente e acaba “furando a fila”, digamos assim, porque a pessoa corre o risco de morrer — aponta.

Eixos do SC Ainda Melhor

Eixo 1 Investimento em Infraestrutura

Eixo 2 Educação e qualificação de mão de obra

Eixo 3 Ampliar o protagonismo de SC

Eixo 4Eficiência na gestão e visão de estadista

Eixo 5 — Investimento em saúde em longo prazo

Investimento e revisão da tabela

A necessidade de mais investimento em saúde é apontada também pelos municípios. Em Santa Catarina, nos últimos quatro anos, o investimento estadual nesta área ficou entre 14% e 15% (o mínimo constitucional é 12% para os estados).

O presidente do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de SC (Cosems-SC), Daisson Trevisol, destaca como um avanço importante a revisão da tabela da saúde, que determina valores pagos pela União a procedimentos feitos pelo SUS.

— É muito importante a revisão para que a gente possa ter uma gestão melhor de todo esse processo. Isso tem que vir tanto do governo federal quanto do governo estadual, para que repasse aos municípios, para que essa sobrecarga não fique diretamente nos municípios — cobra.

Outra demanda apontada pelas lideranças e entidades ouvidas no SC Ainda Melhor foi a melhora na condição de saneamento básico no Estado. Trevisol reforça que este também é um avanço necessário ao Estado.

— A gente sabe que o investimento em saneamento básico faz com que melhore a saúde da população. Quanto melhor o saneamento, melhores os nossos índices [de saúde] — afirma.

Sugestões das entidades para investimento em saúde

  • Garantir a retomada e a realização de procedimentos e tratamentos represados durante a pandemia.
  • Criar meios de ampliar o atendimento de saúde de maneira descentralizada, considerando o crescimento e os movimentos populacionais do Estado.
  • Articular e garantir a correta destinação de recursos da saúde, com foco em políticas de prevenção e investimento em saneamento.

Descentralização de atendimentos

Outro assunto polêmico na saúde de SC e que está entre as prioridades elencadas por entidades ouvidas no SC Ainda Melhor é a descentralização dos atendimentos. O tema costuma ser abordado nos períodos eleitorais catarinenses dos últimos anos, tratado pelo termo “ambulancioterapia”.

A crítica se refere à necessidade de que pacientes de cidades menores precisem se deslocar de ambulância para os maiores municípios ou até mesmo para Florianópolis para realizar determinados exames ou procedimentos, em geral de maior complexidade. O consultor em saúde da Federação Catarinense dos Municípios (Fecam), Jailson Lima, afirma que investir em tecnologia pode auxiliar nesta situação.

— Hoje nós estamos no mundo da tecnologia. E a questão tem que ser mais tecnológica, que permita resolver remotamente um problema de saúde — afirma.

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