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    Começa a colheita do pinhão em Santa Catarina; previsão é superar números de 2020

    De acordo com a Epagri, a produção deste ano em território catarinense deve ser 60% maior na comparação com o ano passado

    11/04/2021 - 07h00

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    Eduarda
    Por Eduarda Demeneck
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    Produtor Orlei Arruda Melo deixa para o filho a missão de encarar as subidas nas araucárias, enquanto fica no chão, para encontrar as pinhas
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    Abril marca o início da colheita de pinhão em Santa Catarina. Para mais de 3 mil famílias da Serra Catarinense o momento é de muito trabalho. A colheita vai até junho. A previsão deste ano é de uma safra 60% maior que de 2020, chegando a 1,4 mil toneladas. Mas, segundo a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), em safras normais a produção passa de 3 mil toneladas. 

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    – Para 2021, está sendo estimada uma safra com crescimento de cerca de 60% em relação a 2020, mas não deve atingir 50% de uma safra considerada normal. Com isso, este ano fecha o ciclo de baixa na produção de pinhão e inicia a curva de crescimento. Assim, se espera uma safra maior no próximo ano, ano de crescimento da curva cíclica do pinhão – comenta Luiz Toresan, analista de Socioeconomia do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (CEPA). 

    O cenário é motivado por fatores climáticos e a chamada alternância na produção, onde em alguns anos os pinheiros produzem mais pinhas e em outros menos. Mesmo assim os produtores estão animados porque vão conseguir compensar a produção de 2020. Essa é uma atividade bem familiar e perigosa. 

    – O pinhão faz parte da renda de várias famílias agricultoras da região, que aguardam a abertura para iniciar a colheita e comercialização de várias maneiras, principalmente com barracas montadas à beira das rodovias locais – relata José Marcio Lehmann, gerente da Epagri em Lages.

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    Se em 2020, Orlei e o filho conseguiram colher apenas 40 sacos de pinhão, este ano eles projetam que a produção passe dos 250 sacos
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    A colheita do pinhão exige experiência, disposição e muito cuidado. Aprender a subir nos pinheiros com quase 30 metros de altura é uma lição geralmente passada de pai para filho. Lucas Souza Melo, é morador do Painel, tem 28 anos e desde os oito vai para os matos com o pai colher pinhão. Usando a espora ele chega a subir até 30 pinheiros por dia. É no alto que estão às pinhas com as sementes que garantem o sustento da família dele e do pai o ano inteiro.

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    Aos 59 anos, Orlei Arruda Melo deixa para o filho a missão de encarar as subidas nas araucárias. Ele fica no chão, ajudando a encontrar as pinhas com um olho clínico de um produtor experiente. E se no ano passado eles conseguiram colher apenas 40 sacos de pinhão, esse ano a produção deve passar dos 250 sacos.

    Principal produtora de pinhão de SC

    Painel é a principal produtora de pinhão de Santa Catarina e também é a cidade onde mora um dos produtores mais antigos do estado. Aos 72 anos, Dercílio Alves Arruda ainda arrisca subir nos pinheiros. Ele aposentou o laço que usava para escalar as araucárias e agora sobe só de escada. Dercílio conta que a atividade faz parte da vida inteira dele. 

    – Desde guri que a gente vende o pinhão. Comecei em 1970. Já passou dos 50 anos que a gente todo o ano tira o pinhão – relembra. 

    Se a produção deve ser melhor que o ano passado, o preço também está agradando o produtor. Neste início de safra os atravessadores estão pagando R$ 3 o quilo. Os pinhões produzidos na Serra são vendidos no Estado. Hoje, Santa Catarina fica atrás apenas do Paraná em termos de produção. O pinhão ainda é uma atividade informal, e por isso acredita-se que a quantidade de pinhão pode ser ainda maior.

    REGULAMENTAÇÃO DA COLHEITA 

    > A lei estadual nº 15.457 de 2011 proíbe a colheita, transporte e comercialização do pinhão antes de 1º de abril. Nas principais regiões produtoras da semente, Meio-Oeste, Oeste e Serra, a fiscalização é intensificada para coibir as práticas. 

    > A intenção é proteger a reprodução da araucária e o alimento sustentável dos animais silvestres. O descumprimento da lei prevê multa de R$ 500, a serem revertidos para o Fundo Especial de Proteção ao Meio Ambiente (Fepema). 

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