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    Comida de verdade: Busca por alimentos saudáveis é impulsionada pela pandemia

    Pesquisa aponta que 48% dos catarinenses pretendem aumentar o consumo de produtos orgânicos em 2021

    26/02/2021 - 07h30 - Atualizada em: 26/02/2021 - 07h38

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    Por Estúdio NSC
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    Consumo de alimentos "de verdade" só aumenta em SC
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    A preocupação com a saúde vem impulsionando o mercado de alimentos orgânicos ano após ano. De acordo com dados da Euromonitor Internacional, em 2019, o Brasil ocupava o quarto lugar no ranking mundial de alimentos e bebidas saudáveis. Este número deve crescer, este ano. Em função da pandemia, cada vez mais pessoas vêm optando por uma alimentação saudável, que fortaleça o organismo e que ajude a prevenir doenças. E os orgânicos têm disparado na preferência nacional.

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    Uma pesquisa feita pela Associação de Promoção dos Orgânicos (Organis) aponta que houve um aumento de 44,5% no consumo de orgânicos durante os sete primeiros meses da pandemia de Covid-19. Segundo o Instituto Mapa, esse crescimento deve permanecer: 48% dos catarinenses pretendem aumentar o consumo de produtos orgânicos em 2021.

    – Trabalhamos, basicamente, com dois tipos de clientes: o cliente que compra orgânicos para dar ao filho bebê em fase de introdução alimentar e que, quando a criança atinge um ano e meio, passa a comprar produtos convencionais, e temos o cliente que compra orgânicos sempre, pra si e para sua família. Neste último ano, observamos que o consumidor que compra para a família está comprando mais, diversificando os alimentos. Além das frutas, verduras e legumes, aumentou a procura por arroz, feijão e outros grãos e cereais, por exemplo – afirma Luana Pauli, que desde 2015 produz e comercializa produtos orgânicos em feiras da Grande Florianópolis.

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    Luana Pauli e seu marido, Thiago, produzem e comercializam alimentos orgânicos na Grande Florianópolis desde 2015
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    A procura por saúde

    A crescente procura por alimentação mais saudável pode ser medida tanto nos mecanismos de busca na internet: entre fevereiro e maio de 2020, a busca por “como aumentar sua imunidade” cresceu 136%, segundo registros do Google Trends Brasil. Já a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) realizou um estudo que apontou que 36% dos consumidores passaram a inserir alimentos e bebidas que consideram ser benéficos para o sistema imunológico.

    – O número de atendimentos de pessoas que buscam primeiramente a promoção da saúde e que têm a perda de peso como objetivo secundário cresceu bastante no último ano. A procura por uma alimentação mais equilibrada e saudável ultrapassou a preocupação com a estética – pontua a nutricionista Isadora Canabarro.

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    A nutricionista Isadora Canabarro percebe a mudança de hábito cada vez mais crescente na população catarinense
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    Aline Peres, nutricionista clínica funcional, também registrou o aumento de pacientes em busca de mais saúde. Ela acredita que isso se deu, principalmente, pelo fato de que alguns estudos demonstram que pessoas com imunidade alta e sem doenças de base apresentam uma resposta melhor contra infecções pelo coronavírus.

    As nutricionistas explicam que o sistema imunológico é como uma linha de defesa que depende de nutrientes para combater vírus e bactérias. Uma boa imunidade é construída com alimentação saudável todos os dias, com a prática de atividades físicas, com a modulação do estresse e com um sono adequado. Elas são unânimes quanto aos benefícios da “comida de verdade” e dos alimentos orgânicos para o organismo.

    Afinal, o que é comida de verdade?

    O termo “comida de verdade” vem ganhando espaço em programas de televisão e nas redes sociais de chefs famosas, mas o conceito não é novo, consta no Guia Alimentar Para a População Brasileira desse de 2014, e diz respeito a alimentos naturais, não processados ou que foram minimamente manipulados. Durante a Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, realizada em 2015, ficou determinado que “Comida de verdade é caracterizada por alimentos in natura e minimamente processados em detrimento de produtos ultraprocessados. Precisa ser acessível, física e financeiramente, aproximando a produção do consumo.”

    Ao olhar uma salada de frutas, sabemos que ali tem banana, mamão, morango e maçã, por exemplo. Mas você consegue dizer quais ingredientes têm dentro de um presunto ou uma salsicha? – esse é um bom exemplo para se entender o conceito de comida de verdade.

    – É o alimento que vem da natureza, da terra, que não passou por nenhum processo de indústria ou que foi pouco processado. São alimentos que a gente consegue olhar e identificar o que é pelo seu formato íntegro, sem o acréscimo de corantes, adoçantes, aromatizantes ou conservantes. Uma boa alimentação começa com “abrir menos pacotes”, ou seja, evitar alimentos embalados, como bolachas, margarinas e embutidos, e ingerir mais vegetais, sementes e castanhas – exemplifica Isadora Canabarro.

    A frase “descascar mais e desembalar menos” é um dos princípios da alimentação saudável.

    – É importante estar atento ao tempo de prateleira dos produtos, isto é, à sua data de validade. Alimentos que duram muito tempo embalados são ricos em conservantes e outros aditivos alimentares que têm impactos negativos no organismo. Por isso, a opção por alimentos frescos – por comida de verdade – é o primeiro passo para quem busca uma vida mais saudável – reforça Aline Peres.

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    Aline Peres aponta que a opção por alimentos frescos é o primeiro passo para uma vida mais saudável
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    Uma escolha para a saúde do corpo e do planeta

    A concepção de comida de verdade leva à valorização do alimento orgânico. As nutricionistas explicam que alimentos orgânicos apresentam maiores níveis de nutrientes compostos bioativos. O composto bioativo é produzido pelos vegetais para se defenderem na natureza. As plantas que tratadas com agrotóxicos não precisam criar esse sistema de proteção. Por isso, os orgânicos são mais ricos em nutrientes e em substâncias anti-inflamatórias, fundamentais para o combate ao envelhecimento precoce e à manutenção da saúde.

    – Muitas pessoas ainda confundem alimentos orgânicos com produtos sem glúten ou sem lactose. Outras tantas acreditam que somente alguns produtos, como tomate e morango, recebem agrotóxicos na agricultura convencional e não sabem que praticamente todas as plantações não orgânicas são tratadas com substâncias prejudiciais à saúde. Por isso, é importante reforçar os benefícios desses alimentos, para minimizar a falta de conhecimento. Além dos cuidados com a saúde, os orgânicos são uma escolha sustentável. Enquanto a agricultura convencional contamina o solo, a água e é prejudicial aos animais, os produtos orgânicos preservam esses recursos, reduzindo os impactos ao meio ambiente – esclarece Luana Pauli.

    Enquanto surgimento de uma doença desconhecida, provocou – na indústria farmacêutica – uma corrida para pesquisa e produção de vacinas e medicamentos, a população entendeu que “prevenir é o melhor remédio” e, além das medidas de higiene e segurança sanitária, a boa alimentação passou a fazer parte dos “protocolos contra Covid-19” de muita gente.

    – Acredito que, após o coronavírus, as pessoas começaram a entender que a prevenção de uma doença é fundamental quando não se tem um tratamento eficaz contra ela. O medo de uma doença que ainda não tem um remédio fez com que a população entendesse a importância de se cuidar da alimentação para fortalecer o organismo. E nessa busca por alimentação saudável, perceberam que se deve dar preferência por alimentos ricos em compostos bioativos, ricos em polifenóis, antioxidantes, anti-inflamatórios. A ingestão desses alimentos contribui para o bem-estar físico, emocional, energético, promovendo a saúde de forma integrada, inclusive porque, de maneira geral, a alimentação saudável funciona como um gatilho para outros hábitos saudáveis, como a prática de exercícios físicos – afirma Isadora Canabarro.

    Hábitos são construídos dia após dia, com pequenas substituições, e reeducação alimentar não deve ser sinônimo de sofrimento.

    – Algumas substituições são simples de serem feitas e podem trazer inúmeros benefícios. Por exemplo, trocar o macarrão pronto ou a batata pré-assada (ou pré-frita) por arroz integral, que é fonte de vitaminas do complexo B e de zinco, por exemplo. Aumentar a ingestão de leguminosas (como feijão, lentilha e grão de bico), trocar ovos comuns por ovos caipiras orgânicos, que apresentam maior quantidade de colina (importante para memória e para a concentração) na gema, ingerir carnes mais magras. O pãozinho do café da manhã pode dar lugar a uma fruta com granola ou com outros cereais, como aveia, chia e linhaça, que aumentam a saciedade e, além de fornecerem mais nutrientes, fortalecendo o sistema imunológico, e ainda ajudam no processo de emagrecimento e manutenção do peso – exemplifica Aline Peres.

    As nutricionistas ressaltam que comer um alimento industrializado não representa uma ameaça à saúde quando a base da alimentação é composta por comida de verdade, isto é, por alimentos que têm “nome de comida” e não de substâncias químicas. Além de fortalecer o organismo no combate à Covid-19, a alimentação saudável previne doenças como diabetes, hipertensão, síndrome metabólica e alguns tipos de câncer, reduz o estresse, contribuindo para o bem-estar e para a qualidade de vida.

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