A redução do calado do canal de acesso ao Complexo Portuário de Itajaí tem impactado as operações logísticas e mobilizou representantes do poder público e do setor produtivo em busca de soluções emergenciais para evitar prejuízos à economia regional. O tema foi debatido durante uma reunião promovida pela Associação Empresarial de Itajaí (ACII), que reuniu Governo do Estado, prefeituras, autoridades portuárias, terminais e empresas ligadas ao complexo.

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A principal preocupação do setor é a perda de 30 centímetros no calado do canal, situação que tem provocado restrições de manobra, atrasos logísticos e aumento de custos operacionais. É estimado que os impactos já estejam afetando a competitividade do porto, e acendem um alerta para toda a cadeia econômica ligada às atividades portuárias.

De acordo com o VP de Logística e Comércio Exterior da ACII, Antonio Carlos Guimarães, a redução temporária da capacidade operacional do porto provoca reflexos diretos em toda a cadeia logística e econômica ligada ao complexo.

— As operações portuárias precisam de previsibilidade e estabilidade. Quando da redução de capacidade operacional, impactos acabam sendo sentidos em toda a cadeia. Neste momento, com a redução temporária do calado máximo operacional para acesso ao Porto, os principais impactos sentidos são atrasos em manobras de atracação, gerando tempo improdutivo nos terminais portuários; e transbordos de carga em outros portos, gerando custos operacionais e atraso no recebimento de cargas importadas — explica.

Durante o encontro, realizado na última quarta-feira (20), foi confirmada a chegada de uma draga do tipo Hopper ao complexo portuário, com previsão de início das operações a partir de 26 de maio.

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Segundo o superintendente do Porto de Itajaí, Artur Antunes Pereira, a draga Hopper será responsável pela atuação nos pontos mais críticos do canal e da bacia de evolução, permitindo a recomposição dos parâmetros operacionais.

— A Hopper fará o serviço de acabamento técnico necessário para restabelecer integralmente os parâmetros operacionais do canal — afirma.

Impactos preocupam o setor

Durante o encontro, representantes dos terminais portuários relataram que os impactos já são percebidos nas operações, como restrições de manobra, atrasos logísticos e aumento de custos. Conforme a administração portuária, o cenário se agravou após a interrupção temporária do contrato de dragagem entre fevereiro e abril deste ano, período em que houve forte sedimentação no canal.

Após a retomada do contrato, foi iniciada uma operação emergencial com draga do tipo WID (Water Injection Dredging), tecnologia usada para dispersar sedimentos leves e manter provisoriamente as condições do canal. Agora, a expectativa do setor produtivo é que a chegada da Hopper permita remover os pontos de sedimentação sólida ainda existentes e garantir a normalização completa das operações.

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A presidente da ACII, Thaisa Nascimento Corrêa, destaca que o principal resultado da mobilização foi a construção de uma agenda conjunta entre os diferentes atores envolvidos no funcionamento do complexo portuário de Itajaí.

— Conseguimos colocar na mesma mesa Governo do Estado, municípios, autoridades portuárias, terminais, grandes empresas, entidades empresariais e setor produtivo para construir uma agenda comum em defesa do nosso complexo portuário. A dragagem é a primeira pauta urgente, mas este movimento nasce com uma visão maior: garantir previsibilidade, estabilidade, integração institucional e soluções definitivas para que o porto funcione plenamente — relata.

Equipe deve monitorar resultados em 1 mês

Participaram da reunião representantes do Governo de Santa Catarina, das prefeituras de Itajaí e Navegantes, da Portonave, da JBS, além de entidades empresariais e operadores portuários. Novas reuniões já estão previstas para os próximos 30 dias para acompanhar os resultados das operações de dragagem e discutir soluções estruturantes para o complexo.

Problema deve ser solucionado em até 60 dias

Apesar dos desafios e impactos causados pela diminuição do calado, a expectativa é que em menos de dois meses os trabalhos voltem à normalidade no canal de acesso ao Porto de Itajaí. De acordo com Antonio Carlos Guimarães, a atividade será gradualmente restabelecida.

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— O problema ocorreu em função da descontinuidade temporária no contato de prestação de serviços de dragagem de manutenção do canal de acesso ao Porto. Sanado este problema, a atividade foi restabelecida e a expectativa é de que este impacto tenha menos de 60 dias de duração — aponta.