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Como a queda do dólar afeta a economia de Santa Catarina

Moeda norte-americana atingiu nesta sexta-feira cotação pré-pandemia

24/03/2022 - 16h48 - Atualizada em: 01/04/2022 - 18h00

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Fernanda
Por Fernanda Mueller
Como a queda do dólar afeta a economia de SC
Como a queda do dólar afeta a economia de SC
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Nesta sexta-feira (1º), o dólar comercial atingiu R$ 4,66, votando a contação pré-pandemia. Com a queda do valor da moeda, que ocorre desde 23 de março, a economia catarinense tem efeitos positivos, como a diminuição de preço dos insumos importados para a indústria e possível queda no preço da gasolina. Especialistas analisam os motivos e impactos da baixa do dólar.

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Por que o dólar está caindo?

Conforme o analista da EQI Investimentos, Juliano Custódio, a guerra entre Rússia e Ucrânia, dois competidores brasileiros no mercado de commodities, tem feito o Brasil se beneficiar. Isso porque o país é um grande produtor de petróleo e grãos — commodities que se valorizaram com a crise, pois a oferta diminuiu nos dois países que estão em guerra.

No entanto, o analista explica que o fator que mais contribui para a valorização do real frente ao dólar é a alta da taxa Selic, que atualmente está em 11,75%, maior índice em cinco anos.

— O principal fator que está fazendo o dólar cair é o diferencial de juros. O Brasil está com uma taxa Selic bastante elevada, e que deve subir até 1% na próxima reunião (marcada para maio). Os investidores pelo mundo dizem: "Olha, o Brasil está pagando bem para quem leva dinheiro pra lá". Então a turma traz os dólares e troca por real para fazer aplicação financeira em títulos do tesouro. Esse movimento faz com o que o dólar caia — explica o analista.

Efeitos na economia de SC

O economista da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), Pablo Bittencourt, explica que a queda do dólar é, em geral, muito positiva para as indústrias de SC, já que diminui os custos de produção.

— A economia de Santa Catarina, por ser altamente industrializada, adquire muitos insumos que são cotados em dólar no mercado internacional. Portanto, quando o dólar cai, diminui os custos dessas empresas. Por isso, é um impacto bastante positivo para a economia do Estado — explica o economista.

Segundo o especialista, quem sofre impacto relativamente negativo são os exportadores. Já que com a diminuição do dólar, há uma queda de faturamento. No entanto, ele destaca que o preço da moeda próximo a R$ 5 ainda é positivo. Além disso, a maioria das produções da indústria catarinense é vendida para estados dentro do Brasil.

Para o economista da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Santa Catarina (Fecomércio), Alison Fiuza, um dos principais benefícios da queda do dólar para os consumidores pode ser no preço dos combustíveis, caso o câmbio se mantenha neste patamar.

— Na composição do preço do combustível está atrelado o preço do barril de petróleo e a taxa de câmbio. No ano passado, tanto o preço do petróleo quanto o câmbio estavam em alta, pressionado duplamente os combustíveis. Nesse momento, o barril de petróleo está em alta, mas com o dólar menor, novas altas dos combustíveis podem ser amenizadas, e os preços dos combustíveis podem ser até reduzidos, mas depende da amplitude da variação de cada um desses preços — destaca.

Dólar vai continuar neste patamar?

O analista Juliano Custódio acredita que o dólar deve se manter abaixo dos R$ 5, já que a previsão é de que a Selic continue a subir. 

No entanto, outros especialistas acreditam que a subida dos juros nos Estados Unidos, no último dia 16, vai incentivar o movimento de investidores para o mercado norte-americano, fazendo o real se desvalorizar novamente.

Para o economsita da Fiesc, Pablo Bittencourt, essa é a "pergunta do milhão", e depente muito dos futuro da guerra entre Rússia e Ucrânia. 

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