A Tupperware, conhecida pelos potes plásticos e vasilhas para cozinha, construiu um império ao longo de 80 anos de atividade, mas também enfrentou dificuldades financeiras que quase levaram a empresa à falência. Em 2024, balanços apontavam mais de R$ 3,8 bilhões em dívidas.
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A empresa chegou a virar sinônimo de armazenamento de alimentos, ao ponto de que muitas pessoas usam o nome da marca para se referir a qualquer recipiente plástico. Os produtos Tupperware são vendidos em pelo menos 70 países.
Para se manter ativa no mercado, a Tupperware tentou um reposicionamento, renovando a sua linha para agradar um público mais jovem, mas sem sucesso. As perdas fizeram com que a marca entrasse em recuperação judicial nos Estados Unidos e anunciasse falência. O objetivo era conseguir encontrar novos donos sem que o negócio fosse encerrado.
Como a Tupperware entrou em falência?
As estratégias para salvar a empresa não tiveram o resultado esperado. Susannah Streeter, diretora de mercados da consultoria Hargreaves Lansdown, avaliou que a situação foi gerada por mudança no perfil dos consumidores.
— As mudanças no comportamento dos consumidores fizeram com que seus produtos saíssem de moda. Os consumidores começaram a se afastar dos plásticos e a encontrar formas mais ecológicas de armazenar alimentos — afirmou.
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A empresa também foi afetada por políticas de isolamento social na China devido à pandemia de Covid-19, o que impactou fortemente o acesso a todos os tipos de produtos. A Tupperware disse em comunicado em março que, em 2022, sua força de trabalho com vendedores diminuiu 18% em comparação com 2021.
Neil Saunders, diretor-gerente de varejo da consultoria GlobalData, afirmou que a Tupperware “não acompanhou os tempos em termos de seus produtos e distribuição”. Saunders apontou que o método de vendas “não se conecta” com os clientes mais jovens, e que mesmo os clientes mais velhos mudaram.
O que a empresa fez para sair do cenário negativo?
Ainda em 2024, a empresa chegou a um acordo preliminar com um grupo de credores, após pressão do juiz responsável pelo caso. Os credores se comprometeram em pagar US$ 23,5 milhões em dinheiro e trocar US$ 63,8 milhões que teriam a receber para serem os novos donos da marca.
O grupo inclui fundos de investimento ligados à Alden Global Capital e a Stonehill Institutional Partners. Com essa operação, a Tupperware vendeu ao grupo de credores a propriedade intelectual “necessária para criar e comercializar a marca Tupperware”, bem como alguns ativos nos Estados Unidos e em outras filiais estrangeiras.
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Os clientes podem continuar comprando produtos Tupperware através de consultores (o tradicional sistema de venda em grupos de vizinhos e vendedores locais da marca), sites on-line e parceiros nos principais mercados mundiais. A operação, no entanto, encerrou as atividades da marca em mercados considerados não essenciais.
Em documentos apresentados ao tribunal de falências de Delaware, no leste dos EUA, a empresa avaliou seus ativos entre US$ 500 milhões e US$ 1 bilhão, e seu passivo entre US$ 1 bilhão e US$ 10 bilhões.
Tupperware vendeu operações na América Latina
A Betterware México concluiu, no início de junho de 2026, a aquisição dos ativos da Tupperware na América Latina. O acordo, que foi costurado por mais de seis meses, também prevê uma licença perpétua e isenta de royalties para a marca em todo o continente.
A compra foi fechada por US$ 250 milhões. Desse total, US$ 215 milhões foram pagos em dinheiro, por meio de financiamento, e outros US$ 35 milhões foram quitados com a emissão de novas ações da Betterware. As ações entregues ao vendedor não poderão ser negociadas por até nove meses.
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