A queda do “Pinheirão”, uma das maiores araucárias já registradas no Brasil, pode não representar o fim definitivo da árvore centenária que marcou gerações em Caçador, no Meio-Oeste de Santa Catarina. Pesquisadores agora tentam “reviver” o exemplar por meio de técnicas de clonagem genética e enxertia, em uma corrida contra o tempo para preservar o DNA da espécie monumental.

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A araucária, considerada símbolo da Floresta Ombrófila Mista no Sul do país, tombou recentemente em uma área experimental compartilhada entre a Embrapa Florestas e a Epagri. O impacto mobilizou equipes de pesquisadores, que iniciaram imediatamente a coleta de brotações ainda vivas da árvore.

Segundo os cientistas, o tempo era decisivo. Após a queda, o material genético começa rapidamente a perder viabilidade, reduzindo as chances de sucesso no processo de preservação. Mesmo fora da chamada “janela ideal”, os pesquisadores conseguiram localizar tecidos vegetais capazes de sustentar a tentativa de clonagem.

Parte do material foi retirada da copa do Pinheirão, uma região praticamente inacessível enquanto a árvore permanecia em pé devido à altura impressionante do exemplar.

Objetivo é criar clones geneticamente idênticos

A proposta dos pesquisadores não é “ressuscitar” literalmente a árvore caída, mas produzir novos exemplares geneticamente idênticos ao Pinheirão.

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O objetivo é preservar características consideradas raras e valiosas, como crescimento monumental, resistência natural e longevidade acima da média observada em outras araucárias.

Para isso, os cientistas utilizam técnicas de enxertia e cultivo laboratorial, tentando estimular os tecidos coletados a desenvolverem novas mudas. Caso o procedimento funcione, os clones poderão carregar o mesmo patrimônio genético da árvore original.

A confirmação do sucesso da clonagem pode levar cerca de 100 dias.

Árvore era referência nacional e internacional

O Pinheirão impressionava pesquisadores brasileiros e estrangeiros há décadas. A árvore possuía cerca de 44 metros de altura e aproximadamente 2,45 metros de diâmetro, sendo considerada a quarta maior araucária do Brasil.

O exemplar se tornou referência em estudos sobre árvores gigantes da Mata Atlântica e frequentemente recebia visitas de pesquisadores internacionais interessados na preservação da Floresta Ombrófila Mista.

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Além do valor científico, a árvore também era considerada um símbolo ambiental da região Meio-Oeste catarinense.

Técnica já foi usada em outra araucária gigante

A estratégia utilizada em Caçador já havia sido aplicada anteriormente em outra araucária monumental que caiu no município de Cruz Machado, no Paraná.

Na ocasião, pesquisadores também conseguiram recuperar parte do material genético da árvore e utilizá-lo em experimentos de clonagem e preservação genética.

Mudanças climáticas podem estar ligadas à queda

Pesquisadores apontam que eventos climáticos extremos podem ter contribuído para o tombamento do Pinheirão.

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Estudos da Universidade Federal de Santa Catarina indicam que o aumento de chuvas intensas e a saturação do solo elevam o risco de queda de árvores monumentais, especialmente exemplares muito antigos e com copas extensas.

Fenômenos associados ao El Niño também podem estar aumentando a vulnerabilidade das araucárias gigantes do Sul do Brasil, segundo os especialistas.