A abertura das inscrições para o concurso que vai eleger o novo Conde e a nova Princesa de Orleans trouxe à tona uma curiosidade pouco conhecida fora do Sul catarinense: a história do município está diretamente ligada à família imperial brasileira. Diferentemente da maioria das cidades do país, Orleans surgiu em terras que integraram o dote oferecido por Dom Pedro II à Princesa Isabel e ao Conde d’Eu por ocasião do casamento do casal, em 1864.
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Localizada a cerca de 190 quilômetros de Florianópolis, Orleans tem cerca de 23.661 habitantes, segundo o Censo de 2022, e reserva, até hoje, referências à sua origem imperial. A herança histórica se mistura à influência deixada pelos imigrantes europeus que ajudaram a construir a identidade cultural do município, conhecido também pelas paisagens naturais e pelo patrimônio histórico.
Cidade nasceu a partir de terras ligadas à família imperial
Orleans recebeu esse nome em homenagem à família do Conde d’Eu, Luís Filipe Maria Fernando Gastão de Orléans, príncipe francês que se casou com a Princesa Isabel, filha de Dom Pedro II e herdeira do trono brasileiro.
Após o casamento, realizado em 15 de outubro de 1864, Dom Pedro II e a imperatriz Teresa Cristina concederam ao casal um dote formado por extensas áreas de terras nos estados de Santa Catarina e Sergipe. Parte desse território deu origem à Colônia Grão-Pará, criada em 1882 para incentivar a ocupação da região por imigrantes europeus e brasileiros.
A chegada de italianos, alemães, letos e poloneses contribuiu para moldar a identidade cultural do município, processo que ocorreu paralelamente ao avanço da Estrada de Ferro Dona Teresa Cristina e ao desenvolvimento da atividade carbonífera no Sul catarinense.
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Em dezembro de 1884, o próprio Conde d’Eu visitou a região durante uma viagem pela ferrovia. Segundo registros históricos, ao conhecer o local onde surgia um novo núcleo urbano, declarou: “Aqui nascerá uma cidade com o nome de Orleans”, em referência à família da qual fazia parte na nobreza francesa.
Herança imperial permanece viva na cidade
Mais de um século depois, a ligação com a família imperial continua presente na identidade de Orleans. A própria escolha dos títulos de Conde e Princesa para representar o município em eventos culturais e turísticos é uma demonstração de como a cidade mantém viva essa memória histórica.
A herança também está presente em instituições dedicadas à preservação da história local e da imigração europeia, que desempenhou papel fundamental no desenvolvimento do município.
Além do legado imperial, Orleans é marcada pelas tradições trazidas por descendentes de italianos, alemães e poloneses, refletidas na arquitetura, na gastronomia e nas manifestações culturais da cidade.
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O que fazer em Orleans
Museu ao Ar Livre Princesa Isabel
Um dos principais atrativos turísticos do município é o Museu ao Ar Livre Princesa Isabel, considerado o primeiro museu ao ar livre da América Latina.
Inaugurado em 1980 e mantido pela Fundação Educacional Barriga Verde (Febave), o espaço reúne construções históricas que retratam o modo de vida dos imigrantes que colonizaram a região entre o fim do século XIX e o início do século XX.
Instalado em uma área de aproximadamente 20 mil metros quadrados, o museu preserva engenhos de farinha e de cana-de-açúcar, ferraria, serraria, marcenaria, monjolo, atafona, cantina, capela e a tradicional casa do colono.
O local também abriga a Casa de Pedra, onde funcionam o Centro de Documentação Histórica Plínio Benício (Cedohi), a Unidade Imigração Conde d’Eu e o Laboratório de Conservação e Restauração (Lacor).
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Reconhecido como patrimônio cultural brasileiro, o museu é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e pelo Estado de Santa Catarina.
A visitação ocorre de terça a sexta-feira, das 9h às 12h e das 13h30min às 18h. Aos sábados, domingos e feriados, o funcionamento é das 9h às 18h, com entrada permitida até as 17h30min. O ingresso custa R$ 25, com meia-entrada para estudantes, professores, idosos acima de 60 anos, grupos escolares e moradores de Orleans. Crianças menores de seis anos têm entrada gratuita.
Parque Estadual da Serra Furada
Para quem busca contato com a natureza, o Parque Estadual da Serra Furada é outro destaque da região.
Localizado entre Orleans e Grão-Pará, o parque possui mais de 1,3 mil hectares de área preservada e abriga formações rochosas que renderam ao local o apelido de “Pirâmides Sagradas“.
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Entre os pontos mais procurados está o Morro da Forquilha, com aproximadamente 1,5 mil metros de altitude e vista panorâmica da região.
O parque integra importantes áreas de conservação da Mata Atlântica e serve de refúgio para espécies ameaçadas de extinção, como jaguatiricas, pumas e aves endêmicas.
Além da importância ambiental, o espaço é utilizado para pesquisas científicas relacionadas à biodiversidade e ao desenvolvimento sustentável. A visitação é gratuita e inclui trilhas, cachoeiras e atividades de contemplação da natureza, seguindo as orientações de preservação ambiental.
Conheça Orleans em fotos
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