A cidade de Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha, registrou queda de quase 40% no número de beneficiários do Bolsa Família em cerca de um ano e meio, após adotar uma estratégia de busca ativa voltada à inserção no mercado de trabalho.
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Dados do Ministério do Desenvolvimento Social mostram que, em novembro de 2022, o município tinha 2.115 pessoas cadastradas no programa. Em março de 2024, o total caiu para 1.296, em um movimento de redução gradual ao longo dos meses.
Qual o valor do Bolsa Família em 2026?
Como funciona a ação que reduziu o número de beneficiários?
A iniciativa consiste em identificar beneficiários e conectá-los a oportunidades de emprego, por meio de uma atuação direta da prefeitura junto a empregadores locais.
O professor de economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Renan Pieri, disse à CNN que a redução observada em Bento Gonçalves supera a média estadual do Rio Grande do Sul, de 15%, e a média nacional, de cerca de 11% no mesmo período.
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De acordo com o prefeito Diogo Siqueira (PL), quando o beneficiário não é localizado no endereço informado no cadastro, o caso é comunicado à gestão do programa federal, que pode suspender o benefício até a regularização dos dados.
Para o professor Pieri, o Bolsa Família carece de mecanismos mais estruturados de transição para o mercado de trabalho. Na avaliação do economista, a experiência do município se destaca por criar essa ponte entre assistência social e empregabilidade.
— Faz sentido a prefeitura fazer essa intermediação, tanto para facilitar a vida do empresário, conseguir mão de obra, e também fazer essa ponte do Bolsa Família para o emprego — afirmou.
Ele também aponta a ausência de instrumentos como microcrédito voltado ao empreendedorismo e sistemas que facilitem a conexão entre currículos de beneficiários e empresas.
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— Você não tem um programa de microcrédito atrelado a ele, para essas famílias que estão no Bolsa Família poderem empreender, você não tem uma facilitação de base de currículo para encontrar empresas que poderiam contratar essas pessoas — disse.
Para Siqueira, o acesso ao trabalho representa mais do que renda para os ex-beneficiários.
— O trabalho, quando a pessoa consegue se manter com o próprio sustento, com o próprio suor, é uma dádiva — declarou à CNN.
Quem tem direito ao Bolsa Família?
A principal regra para ter direito ao programa Bolsa Família é a renda. Os beneficiários precisam que a renda de cada pessoa da família seja de, no máximo, R$ 218 por mês.
O cálculo do programa é feito a partir do Benefício Renda de Cidadania, correspondente a R$ 142, por cada integrante do domicílio. Depois, os adicionais para crianças de zero a seis anos são aplicados, no valor de R$ 150 cada. A mesma adição acontece com o Benefício Variável Familiar, com pagamento de R$ 50 a cada gestante, nutriz, e crianças e adolescentes de sete a 18 anos da família.
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