A cachorra Antonieta, que ingeriu 55 pedras de crack na última sexta-feira (17), continua internada sob cuidados veterinários em Joinville. O animal chegou a uma clínica, na zona Sul da cidade, em estado grave, mas seu quadro de saúde evolui bem. A tutora foi presa por maus-tratos e tráfico de drogas, mas liberada após audiência de custódia nesta terça (21).

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A veterinária responsável pela clínica conta que Antonieta, uma cadela da raça buldogue francês, segue em observação e com tratamento de suporte, mas melhorou rapidamente após as intervenções feitas na sexta-feira.

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— A evolução está sendo muito positiva. Até o momento não temos mais sinais neurológicos [negativos], mas não podemos garantir que no futuro não possa aparecer algum. Mas até o momento a evolução é muito positiva — revela.

A profissional ainda afirmou que Antonieta, que tem três meses de vida, não irá retornar à sua antiga família. Uma pessoa se solidarizou e decidiu adotar a cachorra assim que ela receber alta.

Como cachorra chegou à clínica

Conforme a veterinária, Antonieta chegou ao local na tarde de sexta-feira (17) em estado grave, com convulsão, arritmia, alterações gastrointestinais e neurológicas. Durante o primeiro atendimento, um dos tutores revelou que ela teria ingerido os entorpecentes.

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A cachorra vomitou parte da droga assim que deu entrada na clínica. Ao longo da internação, foram realizados exames de imagem, como ultrassonografia e raio-x, quando foi constatado que havia mais corpo estranho no animal

— Ela fez exames, onde foi visto que tinham mais pedras. Então, a gente realizou a endoscopia e foram retiradas mais cinco pedras. Após isso, foi feito a lavagem do do estômago e colocado carvão ativado para ajudar a absorver o restante das toxinas — detalhou a responsável pelo centro veterinário ao NSC Total.

Conforme a veterinária, não foi possível descobrir se o animal foi usado como transporte para a droga ou teria ingerido os entorpecentes de forma acidental. Da mesma forma, a clínica acionou a Polícia Militar (PM) ainda na sexta-feira, por volta das 20h.

A PM já estava no local quando a família, um casal e sua filha, retornou para solicitar informações sobre o estado de saúde de Antonieta. Então, a PM fez o flagrante do caso e deu voz de prisão à filha do casal, após ela admitir que as pedras de crack encontradas dentro do animal eram suas.

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O caso deve ser investigado para esclarecer como e por que o animal teve acesso aos entorpecentes.

Tutora foi solta

A tutora da cachorra foi solta após passar por audiência de custódia. A mulher havia sido presa em flagrante por maus-tratos e tráfico de drogas na sexta. Apesar do flagrante, o juiz decidiu que a ré respondesse ao caso em liberdade.

Segundo o magistrado, embora o tráfico de drogas seja extremamente nocivo para a sociedade, a quantidade de droga apreendida não foi suficiente para evidenciar o envolvimento reiterado da mulher com o crime. Além disso, a certidão de antecedentes indica que ela é ré primária, sem qualquer outro registro de condenações ou de ações penais em andamento. A partir disso, a tutora do cão ganhou liberdade provisória.

Ainda assim, ela deve cumprir algumas medidas cautelares como comparecer perante a autoridade todas as vezes que for intimada; não mudar de residência sem prévia permissão ou ausentar-se por mais de oito dias de sua moradia sem comunicar o lugar onde será encontrada; recolhimento domiciliar em tempo integral, salvo em dias e horários destinados ao exercício de trabalho lícito, além do uso de monitoramento eletrônico.