O tradicional processo de baixar o programa do Imposto de Renda e preencher formulários anualmente pode estar com os dias contados. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, apresentou à Receita Federal e ao Palácio do Planalto, em reunião ministerial realizada no dia 31 de março de 2026, uma proposta para extinguir o modelo atual de declaração, substituindo-o por um sistema 100% automatizado. A ideia central é inverter o fluxo atual: em vez de o contribuinte reunir documentos e informar o governo, o próprio Fisco montaria a declaração utilizando o cruzamento de dados. Ao cidadão, caberia apenas conferir as informações e validar o documento com um clique.
Continua depois da publicidade
Entenda a proposta que pode dar fim à declaração do IR
A proposta de Durigan busca transformar a atual “declaração pré-preenchida” na regra definitiva para todos os brasileiros. Para que o sistema funcione sem a intervenção humana, a Receita Federal intensificaria o uso de ferramentas de monitoramento em tempo real, como o eSocial e a e-Financeira.
O governo argumenta que, com o avanço da tecnologia e os dados já fornecidos por bancos, empresas e planos de saúde, o preenchimento manual tornou-se obsoleto. Além de desburocratizar a vida do cidadão, a medida visa reduzir drasticamente os erros de digitação, que hoje figuram como a principal causa de retenção de CPFs na malha fina.
O contexto da reforma e a isenção
A mudança está alinhada ao novo cenário da reforma tributária, que elevou a faixa de isenção para quem recebe até R$ 5 mil mensais. Com uma base menor de contribuintes obrigados a pagar o imposto, o Ministério da Fazenda entende que é o momento oportuno para simplificar o processo para quem ainda permanece na base de cálculo, focando na eficiência dos supercomputadores do Fisco.
Continua depois da publicidade
Cautela e o que muda para o contribuinte
Especialistas do setor contábil, representados por entidades como a Fenacon, demonstram preocupação com a precisão dos dados. Sem um ajuste rigoroso na comunicação entre o setor privado e o governo, a automação poderia gerar notificações automáticas e multas indevidas por falhas de sistema.
Apesar da promessa de facilidade, a responsabilidade jurídica sobre as informações declaradas permanece sendo do contribuinte. Enquanto o novo modelo segue em fase de articulação política e técnica, as regras para o exercício de 2026 permanecem inalteradas. O prazo de entrega termina em 29 de maio e a recomendação dos especialistas é utilizar a declaração pré-preenchida, mas mantendo a conferência rigorosa de cada item antes do envio definitivo.
Mudanças no seu bolso: o passo a passo da nova economia
*Com edição de Luiz Daudt Junior.









