O Hospital Unimed Chapecó passou a utilizar um sistema pioneiro no Brasil para rastrear todo o processo de manipulação e administração de leite materno e fórmulas infantis. A tecnologia, chamada Lactotrack, foi desenvolvida a partir de uma necessidade interna da instituição e amplia o controle de qualidade no atendimento, principalmente de recém-nascidos e crianças em tratamento.
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A ferramenta foi criada pela Techeasy Sistemas e atua diretamente no fluxo materno-infantil, garantindo mais segurança em cada etapa, desde a esterilização dos utensílios até a entrega da dieta ao paciente.
Segundo a supervisora de nutrição clínica e gestora da Unidade de Nutrição Enteral e Lactário (Unel), Leticia Carlesso, o sistema surgiu da necessidade de monitorar com precisão o leite e as fórmulas administradas, especialmente em ambientes mais sensíveis, como as UTIs Neonatal e Pediátrica.
— A rastreabilidade é essencial para garantir segurança. Em casos de qualquer intercorrência clínica, conseguimos verificar todo o processo da dieta, desde a manipulação até a administração — explica.
A iniciativa também atende às exigências da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, além de contribuir com auditorias e protocolos de qualidade.
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Controle em todas as etapas
Na rotina da Unel, o processo segue rigorosos padrões. Os utensílios passam por higienização manual e esterilização em altas temperaturas antes de serem utilizados em uma área isolada para preparo. Com o Lactotrack, cada etapa passa a ser registrada: tipo de dieta, volume, condições de preparo, responsável e paciente destinatário.
De acordo com Leticia, a inspiração veio de um sistema já utilizado na Central de Materiais Esterilizados (CME), que permitia rastrear instrumentos hospitalares. A partir disso, surgiu a ideia de aplicar o mesmo nível de controle ao lactário.
— Hoje conseguimos identificar exatamente qual leite foi manipulado, se o volume está correto e se o frasco passou pelo processo adequado de esterilização — destaca.
Segurança para casos delicados
O cuidado é ainda mais rigoroso quando se trata de recém-nascidos prematuros, principalmente os de extremo baixo peso. Nessas situações, qualquer falha pode representar risco elevado de complicações graves.
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— São pacientes com maior vulnerabilidade, e a manipulação precisa ser extremamente criteriosa para evitar problemas como infecções ou outras complicações — reforça a nutricionista.
O hospital destaca que o lactário não atua como banco de leite. O processo realizado é o fracionamento do leite da própria mãe para o bebê, além da preparação de fórmulas infantis e dietas enterais, destinadas a diferentes setores da unidade.
Tecnologia desenvolvida sob medida
O coordenador de Tecnologia da Informação da unidade, Denis Eduardo Vaz Cordeiro, explica que o sistema foi construído de forma colaborativa entre a equipe técnica e a empresa desenvolvedora.
— É um sistema único, criado especificamente para atender às necessidades do fluxo de um lactário — afirma.
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Já o CEO da Techeasy, Anderson de Abreu Silva, destaca que o principal benefício está na segurança do paciente e na capacidade de análise de dados.
— O sistema permite gerar relatórios completos, que auxiliam na tomada de decisões e garantem conformidade com normas sanitárias — diz.
Além da rastreabilidade, o Lactotrack também gera indicadores de produção, desperdício e custos, contribuindo para a eficiência operacional e para o controle de infecções hospitalares.
Com a implementação da tecnologia, o Hospital Unimed Chapecó reforça o investimento em inovação e segurança no atendimento materno-infantil, ampliando o controle sobre processos considerados críticos dentro da assistência à saúde.
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