Seis cães de serviço do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina passaram recentemente por um check-up veterinário no Hospital de Clínica Veterinária (HCV), no campus do Centro de Ciências Agroveterinárias (CAV), em Lages. Os atendimentos fazem parte de uma parceria entre os Bombeiros e a Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc).

Continua depois da publicidade

A ação visa monitorar anualmente a saúde dos animais que atuam em operações de resgate. O acompanhamento é feito por residentes e mestrandos das áreas de clínica médica de pequenos animais, anestesiologia, diagnóstico por imagem e patologia clínica. Entre os exames realizados estão hemograma, eletrocardiograma e raio-X. Um dos focos é o diagnóstico e controle da displasia coxofemoral, comum em cães de grande porte.

“Tudo começa pelo exame clínico. Então, há a coleta de sangue para realização do hemograma. O cão passa pelo eletrocardiograma e, se estiver apto a receber anestesia, é sedado e vai para o exame de imagem (raio-X)”, explica a professora Letícia Yonezawa, uma das supervisoras da ação. A equipe também é composta pela professora Mere Erika Saito, diretora do HCV, e pela médica veterinária Danielle Gava. A parceria deve ser ampliada para atender cães de outras instituições de segurança do estado.

Veja fotos

Companheiros de missão e de vida

Atuando em ocorrências como deslizamentos, enchentes e rompimentos de barragens, os cães de serviço são treinados desde filhotes. Aos dois meses de idade, vão morar com os bombeiros condutores e passam a formar o chamado “binômio”. O processo inclui treinos de obediência e busca, além de provas oficiais para habilitação. A aposentadoria chega aos dez anos, quando o cão, mesmo saudável, se despede das missões de resgate, mas continua convivendo com o tutor e pode atuar em ações educativas ou sociais.

Continua depois da publicidade

O exemplo de Sazuke

Entre os cães atendidos no check-up está Sazuke, labrador de seis anos que vive com o cabo Guilherme Pereira Galli desde os 56 dias de vida. Considerado um membro da família, o cão já participou de operações complexas como o deslizamento em Petrópolis (RJ), em 2022. Sua rotina inclui treinos semanais de busca por vítimas, restos mortais, obediência e destreza.

“O filhote é como uma criança, ele se dispersa muito fácil, então, se ele ficar junto com outros cães que gostem de brincar ou com uma área muito grande, é estimulante para ele. Em lugar de correr e brincar a qualquer hora, é preciso guardar a energia para que o cãozinho não chegue cansado ou com fome nos treinamentos”, explica Galli.

Com faro apurado e dedicação exemplar, cães como Sazuke são peças-chave em salvamentos e localização de vítimas. Cuidados como o check-up anual são fundamentais para que sigam exercendo, com excelência, seu papel heroico na segurança pública.

Leia também

Conheça Moana, a pitbull terapeuta que transforma ambiente hospitalar em SC

Hospital aposta no afeto de cão terapeuta para humanizar atendimentos em Lages